Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE RISOS


                Esperta é a vaca que já nasce malhada e não precisa fazer musculação!

Quando quatro amigas - que há muito não se viam - sentam ao redor de uma mesa com comidinhas e bebidinhas deliciosas é prosa pra mais de horas. A língua chega a ficar dormente e as bochechas doloridas de tanta risada. Mas há que se ter um certo treinamento para acompanhar o conversê, pois da mesma maneira que fazemos quatro coisas ao mesmo tempo, os assuntos pipocam de forma desordenada. Uma começa, a segunda aborda outro assunto, a terceira responde perguntando a primeira e a quarta tenta coordenar a balbúrdia. Quem observa de fora é capaz de enlouquecer. Se for homem então? Sai de fininho com interrogação tatuada bem no meio da testa. Tudo começa bem civilizado. Teatro, cinema, viagens, trabalho, filhos, família, até chegar às últimas novidades descobertas com a idade. Virgínia* começa contando que estava no salão quando entrou uma senhorinha vendendo soutiens italianos. Curiosa foi logo se decepcionando com a falta de armação - ou sustentação se preferir – dos mesmos e lascou na moça vendedora:
“Minha querida, quem tem samambaias choronas jamais pode usar um desses!” Meus peitos já foram nomeados por quase todo o hortifruti – limões, laranjas, melões - mas de samambaia e chorona foi primeira vez. Lembrei-me da varanda da casa de mamãe e elas lá, caindo maravilhosas até o chão. Renata* desabafa sua insônia - e consequentes olheiras de urso panda – além de confidenciar que não usa mais camisolas de renda. Como assim? Perguntamos. “Você vai dormir lisa e acorda estampada. A renda fica desenhada no seu corpo. Aliás, até a fronha tem me marcado. Isso é coisa da idade – tudo marca!” E a moça ainda canta Chico: Quero ficar no teu corpo, feito tatuagem, que é pra te dar coragem, pra seguir viagem.... É, o tempo passa, mas também amassa! Letícia* dando outro tom na prosa – chorosa – diz estar se sentindo uma ONG. E nós: como assim? “Não sei explicar direito, mas é como se a gente deixasse de ser mulher pra virar uma entidade, uma instituição, uma organização, uma repartição pública, talvez. Sabe aquela coisa que tem uma função na sociedade, cumpre um papel, presta um serviço, mas a que ninguém dá atenção, ninguém admira, ninguém vê direito? É assim que eu me sinto. Sou uma boa profissional, uma ótima ex-mulher, uma amiga pra todas as horas, uma cidadã correta, mas, como mulher, ninguém me enxerga mais. Lembram quando uma mulher madura passava na rua e um ou outro homem brincava que não era rei, mas gostava de uma coroa? (Me lembrei na hora e nem faz tanto tempo assim...início do divã rsrs) Hoje, nem isso!”A gente tem que rir disso tudo. Senão, além de velhas, vamos ficar emburradas?! Esses desabafos - com a escuta solidária – servem mais que qualquer botox, preenchimento, aspiração, etc e tal. E não abro mão, viu mininas?! Sigamos em frente na arte de bem envelhecer. No cardápio diário muitos quilos de humor. Fica tudo tão leve que até nos esquecemos desses detalhes!
(* nomes fictícios)

terça-feira, 26 de junho de 2012

GARRADA NA BATALHA


Tinha planejado uma postagem contando sobre um encontro divertido. Adiei. É que, como nos ensina a vida e Lennon: A vida é o que lhe acontece, enquanto você está ocupado fazendo outros planos.” Recebi um email, ontem, de um amado contando-me que sua luta contra um câncer tem de continuar e pedindo minha torcida. Nem carecia. Já me conhece o suficiente para saber que tôgarrada. Lembrei-me, ainda, de uma querida e nossa última conversa ao telefone. Emocionada, disse-me ela (já na zona de controle pós 05 anos) que estava com medo da doença voltar. Talvez vocês entendam que quem já passou por essa maledita tenha um fantasma – nada camarada – rondando e assustando para sempre. Além disso, bem pertinho da gente, explodem as notícias de mais um caso, mais outro e mais, que fica difícil aos caçadores, de fantasmas, trabalharem. É que ela é um trem de traiçoeira. Tinhosa. Temos que respeitá-la sempre, mas sem nos intimidarmos!  Minha primeira reação é sempre xingar: merdelê de doença! Aqui não posso escrever todo o arsenal que gasto contra ela, mas vocês bem podem imaginar. Sei, sei sim, que já caminhamos muito nas pesquisas, tratamento e cura. Gostava que fosse à mesma proporção de outras. E chego a sonhar na sua “erradicação”. Mas vejo também que o câncer – o mesmo que me deixou órfã de pai aos dois anos de idade – ainda marca mais gols que leva. É realidade. Ô saco sÔ!  Minha segunda fase é – depois dos tantos desaforos esbravejados – me unir em oração e fé. Vi e até hoje sou testemunha, da grande diferença existente nos pacientes (ao longo do tratamento e pós) que creem em algo/alguém, daqueles que estão distantes de uma FORÇA MAIOR. E aí vou para a batalha junto: “Embaralhada e turbulenta, a luta parece caótica. No tumulto de um combate pode parecer haver confusão, mas não é bem assim, entre a confusão e o caos uma formação de tropas pode parecer perdida e mesmo assim impenetrável, sua disposição é na verdade circular e não podem ser derrotadas. A confusão simulada requer uma disciplina perfeita, afinal, o caos estimulado se origina do controle, o medo fingido exige coragem, a fraqueza aparente se origina da força. Ordem e desordem é uma questão de número, de logística; coragem e medo é uma questão de configuração estratégica do poder, vantagem estratégica; força e fraqueza é uma questão de disposição das forças, posição estratégica.” (A arte da Guerra) De batalha em batalha venceremos essa guerra! Enquanto isso, já clicou aqui ao lado (Doe cliques)? Já doou sua frase de hoje (Doe palavras)? É só um minutim e milhares de nós dirão: OBRIAGADA!



sábado, 23 de junho de 2012

ACADEMIA JÁ!


Vocês são capazes de imaginar o que um ano sem exercícios físicos regulares faz com o corpo de uma mulher? Acaba com ele! Melhorada - mas ainda em tratamento - das dores do ombro e piorada diante da visão diária especular do meu acabado corpão, decidi marcar avaliação funcional. É, temos que fazer uma minuciosa avaliação para recomeçarmos. Gostava de poder pular essa etapa. É que, depois dela, demoro dias e mais um século para vislumbrar e recolher resquícios de autoestima. Ficar somente de top, com toda a conserva pulando, diante daqueles olhinhos desconhecidos da fisioterapeuta demandou mais que coragem. Foi preciso me travestir – todinha - em jacarandá. Só a cara não dava. Bem que Nelson avisou: toda nudez será castigada! Existe agora uma balança que, além do peso, informa de um tudo: percentual de massa magra, massa gorda, porcentagem de água, e outros tantos dados que fiz questão de esquecer. Aliás, alguém aí sabe me dizer para que servem, de fato, essas informações? Antes, bastava emagrecer. Agora é preciso endurecer: temos que ter corpos rijos, definidos. No começo, olhar o ponteiro da balança (que agora é digital) era suficiente. Agora, além do peso, temos que saber qual é nosso índice de massa corporal?! Nunca entendi o que é isso. E não quero entender. Então, o único que ficou na memória foi os tantos quilos adquiridos que evitei saber ao longo desses meses. Não precisava. As roupas denunciavam dia após o dia e foram só escasseando no guarda-roupa. Sequestro nada relâmpago e bem besta de acontecer. Não chorei nem descabelei pelo castigo. Esse gosto não daria de jeito nenhum! Mantive o que restava de minha honra com o reforço dado pela moça: você tem uma consciência corporal excelente. Oi? Alguém mantém preservada, essa tal consciência, recebendo beliscões por meio daquele aparelho, como é mesmo o nome? – plicômetro - e medindo o sovaco assassino - que pula pela lateral do soutien como um franco atirador - o pánceps e o que um dia foi um tcháuceps?! Antes nos esforçávamos para salvar a alma. Hoje nos ocupamos com a redenção do corpo. Antigamente, os que não se acreditavam merecedores do céu se martirizavam com chibatadas. Agora, as que não se consideram dignas do Olimpo das mulheres "perfeitas" pagam por um prato onde jazem uma folha de alface e um peito de frango desbotado. Dessa turma tôfora! Quero saúde, uns tantos quilos a menos (será que terei que pagar?) e vida. Acho melhor começar a rezar... Ô meu santinho das gordas desesperadas ajudai! Dai-me calma e persistência para tratar de minhas adiposidades com, pelo menos, carinho, mas livrai-me delas para todo o sempre... AMÉM! Ô minha Nossa Senhora du Corpão Perdido dê-me ânimo, persistência para a malhação diária, e não me deixai atirar no Rio Arrudas... Prefiro o merdelê de minha exuberância de ser Ah! Ainda tive que encarar outra realidade: não é mais o que sempre gostei de fazer meu novo plano de exercícios. É o que se adéqua a minha idade/ossos. Misericórdia!  E ainda insistem nessa Idade dos Milagres.
(Imagem: Internet)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

É MENTIRA TERTA?

 
A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer. Mário Quintana


Ah Pantaleão quantas saudades de suas histórias. Nesses últimos dias tenho me lembrado de você. Após alguns episódios, surpreendentes, venho pensando sobre a mentira e a verdade. Há controvérsias. Muitas eu diria. Olhe bem como Fernando Pessoa reflete:
Menti? Não, compreendi. Que a mentira, salvo a que é infantil e espontânea, e nasce da vontade de estar a sonhar, é tão somente a noção da existência real dos outros e da necessidade de conformar a essa existência a nossa, que se não pode conformar a ela. A mentira é simplesmente a linguagem ideal da alma, pois, assim como nos servimos de palavras, que são sons articulados de uma maneira absurda, para em linguagem real traduzir os mais íntimos e sutis movimentos da emoção e do pensamento, que as palavras forçosamente não poderão nunca traduzir, assim nos servimos da mentira e da ficção para nos entendermos uns aos outros, o que com a verdade, própria e intransmissível, se nunca poderia fazer. Fernando Pessoa
A mentira faz parte, de tal forma, de nosso cotidiano que chegamos a considerá-la verdade. Ela está no cotidiano social e cultural, permeia as questões educacionais e os livros didáticos, sustenta a ficção em suas diferentes formas; está na gênese das religiões; é central na política e é integrante da paixão e do amor; enfim, faz parte do humano.
É difícil falar da mentira sem falar também da verdade. Mentira e verdade constituem um par antitético. Um conceito se afirma e se define por oposição ao outro. Será? A mentira também passa pela discussão acerca do engano, do falso, da paródia, da paráfrase, da quimera e da impostura, do embuste, das fraudes e das falsificações, da vida cotidiana, e dos etecéteras. A ética e a moral também necessitariam ser convocadas, assim como a psicanálise, a literatura, a religião, o humor, entre tantos outros campos da cultura humana, para esta conversa básica. Para que possamos desconstruir o conceito de mentira, ou fazer como Jack, o “estripador”, transformando o corpo do conceito de mentira em pedaços, e, assim, talvez, compreendê-lo um pouco melhor. É como uma collage ou uma colcha de retalhos, onde os pedaços ou citações isoladas não significam muito, mas quando juntados nos revelam um todo coerente e harmônico. Não vou convocar! Não carece para algo tão simplista... Divagações dessa vivente que vos fala. Dizem que a mentira tem pernas curtas. Mas, desde cedo, aprendemos que ela tem mesmo é o nariz comprido. Basta lembrar de Pinóquio, personagem bastante presente no imaginário infantil ocidental, que recebeu como castigo por sua má conduta um nariz expansível e retrátil. Assim, toda vez que faltasse com a verdade, seu nariz cresceria e denunciaria a farsa. O boneco é uma referência para as crianças do significado das mentiras e da internalização das regras. Deveria ser assim com os adultos. Deveria. Internalização das regras para uma boa convivência. E não teríamos narizes tão compridos a nos cutucar diariamente. Mentir é uma tentativa de viver como se queria viver e não o que se vive de fato. Está vivendo como?
 
Ando pasmada com minha incapacidade de lidar com mentira... Com o que não se vive de fato. Ou seria com meia verdade? Ou com minha miopia? Então, no princípio dos contos e no final dessa história, fico com Drummond e sua sabedoria em nos ensinar. Um dia aprendo!
“A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
(Imagem: Karin Izumi e internet)

domingo, 17 de junho de 2012

MÃOS



Mãos que tocam. Acariciam. Afagos sutis.
Machucadas. Silenciam.
Mãos prostradas. Em oração.

Mãos unidas. Afastam brigas.
Mãos que torcem. E se contorcem, sem ganhar tostão.

Mãos calorosas. Recolhem e acolhem.
Mãos fervorosas. Buscam em vão o afago um dia sentido.
Mãos que criam. Fazem e desfazem.
Sinalizam. Falam palavras universais.
Mãos que curam. Doação. Benditas! 
Me dê suas mãos?! 

(Fiquei en-can-ta-da com esse vídeo...prá variar rsrsrs)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O AMOR ESTÁ NO AR


Bem podia ser todos os dias... Achei tão lindo que não resisti em dividir com vocês. Na Praça da Liberdade, num dia qualquer, para celebrar o amor... que deveria ser exercitado todos os dias! Os mais antigos de divã sabem que sou avessa a dias de... Mas, quando me dou conta, estou pressionada pelas propagandas, com as perguntas do tipo: já comprou o presente? Vão comemorar como? De qualquer maneira desses dias celebrativos o da última terça-feira me afeta muito. É que um dia, aqui mesmo, uma Mi_nina amaaada minha escreveu e imortalizou num selinho: Regina, um jeito AMOR de ser. Milene percebeu-me com mais propriedade que eu mesma! É que amor, para mim, é ingrediente que não falta na minha despensa de ser. Não sou santa, missionária, nem mesmo daquelas que dá a outra a face, que fique claro. Sigo aprendendo - fazendo as lições - todos os dias no que creio ser minha evolução por aqui. É bem verdade que ainda apanho pra caramba. É cada "surpresa" que me aparece pela frente... Valha-me D'us! Já seria suficiente para de-sis-tir de ser assim, mas não consigo. Não nesta vida. Amar é desejar. E desejo é sempre pelo que falta. Pelo que não temos, pelo que não somos, ou pelo que não conseguimos realizar. Assim, aquele que pauta a própria vida pelos amores acaba flutuando entre uma falta desejada e uma presença indesejada. Que sinuca! Para escapar dela temos que assumir o controle da vida. Porque buscaremos o que é indiscutivelmente bom. E você, apreensivo, pergunta:
- E se eu não for senhor assim da minha vida? Se não tiver ainda encontrado na minha alma as verdades absolutas tão importantes para o bem viver?
Bem, aí há fortes chances de você acabar vivendo como todo mundo. À deriva. Enquanto pensa, siga amando... do jeito torto, reto, mas siga. Nos finalmentes nos encontramos!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

BRIT LEBAT


Mesa do pecado
Mesa do Pecado!
Não me importaria com overdoses de alegria. Nesse final de semana prolongado a família esteve reunida. Os que moram fora vieram e nos reunimos mais uma vez para celebrar a vida! Vida que se perpetua com nascimentos. Foi o “batizado” da princesa Sara. Essa cerimônia, no judaísmo, é denominada Brit Lebat (pacto para a filha) ou Simchat-Bat (alegria da filha). O judaísmo liberal a elaborou  para valorizar o nascimento de uma menina. É que antigamente, somente aos meninos era dada essa importância toda. Orações são realizadas, o rabino abençoa a criança e no final, os padrinhos a levam de volta para a comunidade sob cantos de alegria. E foi esse o tom permanente da celebração e festa. Desde seu nascimento, há oito meses, a pequena princesa esquenta o coração dessa tia-avó. Nem preciso dizer de seus pais Maurício e Luiza, avós, tios e primos. Reina, absoluta, mais que qualquer rainha e nem foi preciso coroação. Fico pensando que em nosso guarda-roupa deveria ter modelitos variados de babadores, para usarmos a cada encontro com Sarinha. Sempre vou afirmar que o nascimento de uma vida é, para mim, o maior milagre de D’us. Antes mesmo de nascerem somos completamente apaixonados por esses seres... Seres de Luz! Chegam e iluminam nossas vidas!!!
As lembrancinhas
As avós e eu... em treinamento! 
A princesa no colo do pai-babão. Tia Ju e eu de guarda-costas.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

DESAFOROSO



"...que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”
(Manoel de Barros)
Gosto de sair caminhando pelas ruas da cidade sem pressa, desagendada. O único compromisso é manter meus sentidos aguçados. Foi assim, um desaforoso - desaforo gostoso – ver aquele rosa explodindo bem na minha frente. Mas que dia é hoje? Que mês? Já?
Devia ser proibida - nesses meses de floração dos ipês - a limpeza das ruas, avenidas, alamedas e praças. Garis e formiguinhas teriam suas vassouras confiscadas até o término da estação. Ou então sairiam de férias coletivas. Andaríamos descalços sobre os tapetes – rosa, roxo, amarelo e branco – despojados da pressa cotidiana. Descobriríamos assim que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com elas. Sou íntima, chegada mesmo nessa belezura divina!

terça-feira, 5 de junho de 2012

PRESENTE-MIMAGEM





Tem coisas que chegam na hora exata. Nem um minuto depois nem um segundo antes. Essa imagem-presente ganhei da Beth Lilás, que ganhei da nossa amada Glorinha Leão. 
Foi no blog de Glória que conheci Beth e aprendi a admirar a amizade amorosa mantida por elas. Foi durante o processo de adoecimento de Glorinha que estreitamos nossos laços. 
Muitas vezes Beth chega silenciosa no email e deixa-me mimos. Desses que “não tem preço”... Muito menos explicação. Quando paro e penso quantos amados me são assim, tenho que só e somente só dizer OBRIAGADA! 
Foi isso que senti na última postagem. Fez-me bem desabafar e sentir-me mais uma vez acolhida e socorrida. Para alguns pode parecer bobagem, mas para os que me conhecem sabem do que estou falando! 
Infelizmente não teve jeito de recuperar o toforatodentro. Passaram-se os noventa dias possíveis de fazê-lo. 
Do aprendizado: como as estações, nós também vivemos em ciclos e mudamos de tempos em tempos. O desejo é sempre investir num caminho de transformação interior e aprender a enfrentar a turbulência externa com mais sabedoria e equilíbrio sem nos deixarmos dominar por ela. Se pudéssemos localizar o equilíbrio no mapa, ele seria um ponto muito bem definido entre o céu e a terra, diriam os seguidores da exatidão. 
A lógica cartesiana, entretanto, se desmancharia ante o molejo com que alguns seres passeiam pela vida, esquivando-se de dogmas, certezas e garantias. 
Para os devotos do imponderável, o eixo que norteia suas jornadas mais se parece com a espinha dorsal de uma dançarina, incrivelmente fluida e maleável. Há ainda os sensitivos, cujos sensores se mantêm alinhados aos ciclos da natureza (estaria eu incluída nessa categoria?!). Estes veem nas flores, que brotam, vicejam, caducam e caem – numa ininterrupta sucessão de começos e recomeços – a perfeita tradução do equilíbrio. Algo como nascer, viver e morrer, para – de novo e sempre – regressar à vida. 
Não custa perguntar: onde se localiza seu centro? Sempre é tempo e hora de aprender. Penso que não cabulei essa lição. Então, hora de seguir em frente e compreender "que estar viva é uma coisa grandiosa!"

sábado, 2 de junho de 2012

AHHHRREPENDIMENTO


A gente vai vivendo, fazendo escolhas, tomando decisões e pensando em acertar sempre. Não conheço um ser que, por antecipação, decidiu pelo erro. Só depois é que sentimos as consequências. Também não conheço quem assuma, de cara lavada e batendo no peito, que se arrependeu. É que tem por aí - espalhados de todas as formas - os ensinamentos que jamais devemos nos arrepender do que fizemos e só e somente só do que deixamos de fazer:Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra” (Mark Twain).
Então fica mesmo difícil pagar de arrenpendida. Mas eu estou pagando... Estou intensamente arrependida. Pronto, confessei! Querem saber do que? Vou contar. De ter mudado a url do divã. Estava eu - no começo do ano - muito mais sensível e vulnerável que o habitual, quando levei em consideração as pontuações de um possível empregador. Besta que fui. Não seria toforatodentro que o faria decidir. Ou seria? Dúvida que carrego comigo desde então, já que nem uma satisfação (telefonema, email) recebi depois de uma “garantia” dada lá no carnaval! Mas isso é outra estória. Já tinha uma identidade, uns tantos leitores assíduos, acessos dos quatro cantos desse nosso Brasil enorme e para além, uma marca de três anos. A gente não chega ao cartório, só porque um alguém acha nosso nome “dúbio” e pede para mudar, né mesmo?! Besta que fui. Se arrependimento mata não sei. Mas que faz estragos... lá isso é bem verdade. Contabilizo perdas. Diz o Google – e fico numa tristeza só - quando coloco toforatodentro: Desculpe, o blog toforatodentro.blogspot.com foi removido. Esse endereço não está disponível para novos blogs.
Se não está disponível para novos blogs, pode voltar a ser meu? Quero tanto e tão intensamente que peço ajuda aos amigos entendidos. Lembrando que sou uma BIOS (então tem quase que desenhar, viu amados?!) mas repleta de boa vontade. Será que consigo me libertar desse arrependimento? Porque o arrependimento, como o desejo, não procura analisar-se, mas sim satisfazer-se”. (Proust)    

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