Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

PERDÃO



Os dez dias entre Rosh Hashaná (Ano novo) e Yom Kipur (Dia do Perdão) são tradicionalmente conhecidos como os Dez Dias de Arrependimento. Esta é a época mais plena de temor e reverência do calendário judaico, quando somos conclamados a analisar nossas vidas e nosso relacionamento com D’us e com o próximo.
Introspecção não é suficiente. O momento exige que, nossos erros, nossas falhas e nossos pecados sejam retificados. A lei afirma claramente que, embora D’us Se prontifique a perdoar transgressões cometidas contra Ele, não pode perdoar injustiças que cometemos contra nosso próximo. Antes de Yom Kipur, somos impelidos a dar aquele telefonema para o amigo ou parente com o qual não falamos mais, manifestar gratidão àquela pessoa que nos fez um favor e a quem, na correria do dia-a-dia, acabamos esquecendo de agradecer; visitar os cemitérios para pedir perdão àqueles que não estão mais aqui e, de forma geral, pedir desculpas a qualquer um que possamos ter ofendido ao longo do ano.
Esse processo de reconciliação é, para mim, uma via de mão dupla. Não só devemos nos reconciliar com os que não estávamos nos dando bem, como devemos estar dispostos a aceitar a reconciliação oferecida pelos outros. Se vocês tiram de letra esse exercício PARABÉNS! Eu continuo aprendendo. É fato que estou mais evoluída do que anos passados, mas esse tal de perdoar e ser perdoado continuam sendo aprendizagem diária.
Perdoar não é uma simples questão de vontade, da boca para fora e nem sempre é fácil. Às vezes, para perdoar, temos que nos submeter a um longo processo de indignidade, mágoa e pesar. Podemos jurar: “Nunca mais vou deixar que isso aconteça.” Mas no fim basta deixar para lá a dor e o ódio do passado. Graças a essa bondade que tudo suaviza, nós nos livramos da repetição cega, de levar a dor do passado para o futuro. Perdoar não é tirar a outra pessoa do coração.
Na vida espiritual, o perdão é ao mesmo tempo preparação e fim. É difícil: temos que enfrentar a dor e a mágoa da traição e do desapontamento, e descobrir o movimento do coração que, apesar de tudo, se dispõe a perdoar.  Às vezes, muitas, durante essa viagem, vamos sentir que nosso coração está fechado e que somos reféns do passado. Embora nos faça clamar por justiça, o perdão é uma atitude generosa, de deixar para lá, pelo nosso bem e pelo bem dos outros. É como o encontro de dois antigos prisioneiros de guerra. Um deles perguntou: Você perdoou seus captores? O outro respondeu: Não, nunca! O primeiro ex-prisioneiro olhou com bondade para seu amigo e perguntou: Mas então você continua prisioneiro deles, não é?!
Sem a sabedoria do perdão, carregamos o fardo do passado vida a fora. O benefício trazido pelo perdão é a reunião com a vida... PRESENTE. E como brinca o povo: quem gosta de passado é museu... Eu TÔFORA! Esse ano estou exercitando um cadim diferente e posso assegurar... bem mais difícil: me perdoando. A gente nem faz ideia de quão carrascos somos da gente! Vem exercitando o perdão? Então tamojuntoegarradu.
(Inicia hoje ao cair da noite - o Yom Kipur - indo até amanhã no mesmo horário) 
 Oração do Perdão
 Eu o(a) perdoei e você me perdoou
eu e você somo um só perante Deus.
Eu o(a) amo e você me ama também;
eu e você somos um só perante Deus.
Eu lhe agradeço e você me agradece.
Obrigado, obrigado, obrigado...
Não existe mais nenhum ressentimento entre nós.
Oro sinceramente pela sua felicidade.
Seja cada vez mais feliz...
* * *
Deus o(a) perdoa,
portanto eu também o(a) perdoo.
* * *
Já perdoei a todas as pessoas
e acolho a todas elas com o Amor de Deus.
Da mesma forma, Deus me perdoa os erros
e me acolhe com Seu imenso amor.
* * *
O Amor, a Paz e a Harmonia de Deus
envolvem a mim e o outro.
Eu o amo e ele me ama.
Eu o compreendo e ele me compreende.
Entre nós não há mal-entendido algum.
Quem ama não odeia,
não vê defeito, não guarda rancor.
Amar é compreender o outro e não
exigir o impossível.
* * *
Deus o(a) perdoa.
Portanto, também o(a) perdoo.
Através da divindade
perdoo e envio-lhe ondas de amor. Eu amo você.
  (Do livro: Minhas Orações - Masaharu Taniguchi)
Imagens: Karin Izumi


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

“LINFONODIPOSO”


E não é?!

A turma que tem que fazer controle semestral pós-batalha/guerra vencida (de qualquer tipo de ca) sabe que somos tomados por certa ansiedade. Fazer os exames, aguardar os resultados e tomar as providências cabíveis, não é fácil. E isso é, para todo o sempre, enquanto formos inscritos no Livro dessa Vida!
Se fazer hambúrguer de nossas mamas (mamografia) poderia, antes, ter até um certo sabor de politicamente cumpridora dos deveres femininos, hoje é obrigação sem direito a outra escolha no cardápio do dia. Aguardar numa sala de espera lotada – pois os médicos se acham no direito de atrasar o quanto querem – numa tarde, que o inferno baixou por aqui, de tanto calor, é prova de resistência.
Passei por ela sem muito louvor e já numa outra sala, essa gelada, estava eu com os peitos à mostra aguardando o doutor da ultrassonografia. Com os braços abaixo da cabeça, imaginei estar numa praia fazendo um top-less básico. Passam cinco, dez, quinze minutos e nada do doutor entrar. Fui ficando com frio e minha praia, mar azul, se desfez em irritação. Quando, finalmente, dá o ar de sua presença, mal tínhamos iniciado o exame e ele acabara de localizar linfonodos* na mama direita (que não foi a operada), a máquina pifa (só comigo). Oi??? Como assim??? Calma, diz ele, continuaremos o exame em outra sala. Ah tá, mas e essa informação?! Recomeço as etapas da nudez – parcial - já rezando para não ser castigada! Você engordou? Pergunta-me ele. Mentir nessas horas? Sim, muito. Talvez uns 15 a 20 quilos... Não ouso subir numa balança faz tempo! Ele ri e continua: esses linfonodos são de gordura. Observe: quando apertados (oi?) eles se contraem e depois voltam ao tamanho original que cresceu, junto com seus quilos, desde seu último exame. Não precisa se preocupar... está tudo bem. A não ser com seu sobrepeso, não é mesmo?! Oi???!!! É doutor, ando preocupada faz tempo e reunindo ânimo perdido para encarar os exercícios físicos e uma reeducação alimentar. Claro que os resultados normais - tanto na mamografia quanto na ultrassonografia – me deixaram tranquila até fevereiro de 2013. Mas, descobrir que minha exuberância de ser está também instalada nas mamas não foi fácil. Linfonodos adiposos! Acho que agora posso me apoderar da expressão Mulher de Peito. E haja peitos, ânimo e disciplina, para enfrentar essa outra luta. Que Nossa Senhora do Corpão Perdido me ajude!
*Linfonodos: “Os linfonodos ou gânglios linfáticos são pequenos órgãos perfurados por canais que existem em diversos pontos da rede linfática, uma rede de ductos que faz parte do sistema linfático. Atuam na defesa do organismo humano e produzem anticorpos”

terça-feira, 18 de setembro de 2012

PEQUENOS ANÚNCIOS




Dea Januzzi é jornalista mineira e escreve além de sua coluna semanal – Coração de Mãe – no Estado de Minas, matérias no caderno Bem Viver. Em agosto fez uma reportagem bacanérrima sobre espiritismo, passes magnéticos, reiki e afins. A Casa do Richard estava lá, descrita de maneira linda. Gosto de suas crônicas e o seu jeito simples, real e profundo de abordar o cotidiano. Compartilho com vocês alguns dos pequenos anúncios, escolhidos por mim, que a moça publicou no último domingo de agosto. Boa leitura!

*Precisa-se de uma cola bem forte e resistente que não grude nas digitais dos dedos para emendar um coração de mãe torturado por dúvidas e por sugestões difíceis de acatar. (esse fez sob encomenda preu!)

*Procura-se um jeito novo de ser mãe, de acolher sem invadir, de colocar limites sem reprimir, de dizer não sem oprimir. (Ô trem difícil de acertar a mão.)

*Destralham-se todas as quinquilharias, as sobras, os excessos da alma.

*Procura-se um espírito de luz, sem gorduras emocionais, sem adiposidades, sem obesidade mental.

*Distribua-se qualquer rótulo nas gavetas do coração, que devem ficar sempre abertas para receber bênçãos.

*Compartilham-se sentimentos nobres, mesmo que às vezes entrem pelo ralo e vão parar no esgoto da vida.

*Vende-se tudo o que é superficial, que não passa no teste de validade da verdade, da compreensão e do perdão.
*Extermina-se para sempre o câncer, doença que tem sido a epidemia deste século e que vem atingindo pessoas de todas as idades indiscriminadamente. (TÔDENTRO!!! E farei parte, com força, desse grupo de Exterminadores do Presente.)

*Corra-se atrás das águas fluidificadas, dos passes magnéticos, dos spas da alma e da expansão da consciência, de uma medicina mais holística, que respeite crianças, velhos e doentes. (Já sou maratonista e você?)

*Estabeleça-se um novo conceito de ser velho.

*Aprenda-se com os índios tudo de novo sobre os anciãos, a educação de crianças, a função das folhas e ervas, o colorido do corpo e da alma, o respeito à floresta e aos habitantes do planeta, sejam eles animais ou vegetais.

*Grita-se por um lugar com menos ambição, com pessoas mais amigas e menos competitivas.

*Distribua-se justiça pelos quatro cantos do mundo e que todos tenham o suficiente para fazer da casa um ninho protetor.

*Cubra-se de óleos essenciais para que o corpo fique sem as ferrugens da mágoa, dos sofrimentos passados, já que não se podem evitar os futuros.

*Buscam-se as massagens que dão asas ao corpo e o fazem voar, a malhação cerebral, a música, a arte, a beleza de gerar outro ser. (Lindo demais!)

*Aluga-se um coração cansado de esperar o momento certo para fazer. Cria-se o momento agora, sem ficar programando para depois. (O meu vendi faz tempo.)

*Curta-se o presente e o agora, sem precisar de bola cristal, tarô ou astrologia para referendar os seus atos.

*Consulta-se a intuição para dizer aonde ir e o que fazer.

E você? Quer deixar um anúncio por aqui? O meu é bem simples: Assume-se que - só por hoje - sou o que sou, o que posso e o que tenho! 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

5773 MAÇÃ E MEL

Passou rápido mesmo. Nesse próximo domingo (16/09) comemoraremos mais um Rosh Hashaná, o ano novo judaico. Como já escrevi de outras vezes aqui todos os costumes e a história dessa “Cabeça do Ano”, não irei repetir. Se você tem interesse na cultura e tradição judaica é só clicar. Esse ano pego emprestado a Carta ao Leitor que Vicky Safra escreveu na Morashá. Uma publicação bacanérrima que coleciono. Também será uma celebração bem diferente... Pela primeira vez passo longe dos filhotes, o que traz um novo começo e onde tento apreender mais essa lição. Desejo a todos os meus amados um Ano Bom e Doce/SHANÁ TOVÁ UMETUKÁ!!!
“No jantar de Rosh Hashaná, há o costume, tanto entre os Sefaraditas quanto Asquenazitas, de se comer maçã vermelha com mel. Entre todos os alimentos doces que existem, por que maçã e mel?
Um dos motivos é a clara diferença que há entre a doçura da maçã e a do mel. A maçã é uma fruta naturalmente doce. Além de doce, é muito bela e esse é o motivo pelo qual muitas pessoas acreditam, erroneamente, que a maçã foi o fruto proibido do Jardim do Éden.
O mel, por outro lado, é produzido por abelhas – insetos não comestíveis e que dão ferroadas. Mas, o mel que a abelha produz é doce, até mais doce que a maçã.
Similarmente, há dois tipos de doçura na vida. O primeiro tipo é a doçura revelada: um evento alegre, um triunfo pessoal, uma relação amorosa bem-sucedida, o sucesso em um empreendimento comercial. É evidente que as ocasiões felizes e o sucesso são doces, da mesma forma como é óbvio que uma maçã vermelha é doce.
Contudo, na vida há outro tipo de doçura – a que advém dos desafios superados. A maioria de nós tem consciência de que as coisas mais valiosas na vida só são alcançadas com muito esforço, dedicação, persistência e sacrifício. Enquanto enfrentamos um desafio ou lutamos para superar obstáculos, eles aparentam ser dolorosos, como o ferrão de uma abelha. Mas quando conseguimos superá-los, descobrimos ser muito mais capazes do que imaginávamos.
A doçura da maçã e a do mel também simbolizam dois tipos de bênçãos Divinas que são transmitidas ao nosso mundo: as reveladas e as ocultas. As bênçãos reveladas são aquelas que nos trazem júbilo de imediato. As bênçãos ocultas, por outro lado, veem disfarçadas, elas aparentam ser como a picada de uma abelha, mas, na realidade, são doces como o mel.
A maioria de nós já foi presenteada com bênçãos ocultas: um evento em nossas vidas que, no primeiro momento pareceu negativo e acabou provando nos ser extremamente benéfico. Um dos motivos pelos quais uma benção oculta é mais doce que a revelada é porque nos faz lembrar que D’us cuida de nós, mesmo quando isso não é aparente.
E, Rosh Hashaná, o dia do Julgamento Divino, tudo o que fazemos é carregado de significados. Há o costume de comer maçã com mel como forma de pedir a D’us um ano bom e doce. No Ano Novo, abençoamos uns aos outros para que o ano que se inicia seja repleto de bênçãos tanto as reveladas como as ocultas.
SHANÁ TOVÁ UMETUKÁ!”
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