Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quinta-feira, 27 de junho de 2013

CASA BRANCA

Olhe bem as montanhas!
E a gente aprecia sem moderação!

Não é preciso ser mineiro para saber da beleza de nossas montanhas. É bem verdade que já não são mais as mesmas. As mineradoras deram cabo de muitas as transformando em lucro líquido e certo. Na década de oitenta veiculava um adesivo que dizia: Olhe bem as montanhas! Eu olhava e não entendia o teor da mensagem. Hoje compreendo com um saudosismo entristecido. Mas ainda há locais que elas persistem a despeito da ganância humana. Casa Branca, na região de Brumadinho, é um desses cantinhos de resistência. Foi para lá, na casa da amiga Maria Clara, que verdejamos nesse final de semana para comemorarmos o aniversário da amada Júnia. Estava acontecendo o Festival Arte & Gastrô de Brumadinho, mas fizemos o nosso, particular, nessa casa energeticamente colorida e Clara!
Vinho, cerveja, espumante. Tortinha de frango, lombo mineiro, frango com quiabo, angu, broa caseira e cafezim coado na hora. Tudo deliciosamente preparado por Marli, a fiel escudeira de Clara. A alegria da partilha, generosidade na arte de receber, risadas e até mesmo a seriedade nas discussões do assunto do(s) dia(s) deram o ritmo desses dias. As montanhas estavam lá para serem admiradas, seja na luz do sol ou iluminadas por uma lua deslumbrante! As fotos não capturam o sentido, mas eternizam o vivido. Pode ser clichê, mas é beeem verdade!
Gamei nessa porta.
E esse "poste"? Lindo!
Passeando pelo condomínio me encantei com essa mineiridade. E o muro de suculentas?!
Clara e eu brindando a vida nossa de cada dia!
Que lua é essa? Clara, a fotógrafa, disse que é a lua da Jú...presente pra aniversariante.
Irmigas! À direita Ju...alegria de celebrar mais um natal!
Carece de legenda? Hora da bóia!
Olha ela aí!
Hora de soprar a vela e ascender a mais um ano de VIDA!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

FUI ALI VERDEJAR


De repente apagou. A escuridão se fez e pude perceber a seriedade daquele breu pelos vizinhos do Morro do Papagaio. Lá, não sei o porquê, quando ficamos no escuro sempre está tudo iluminado. Max ficou com medo e buscou aconchego perto de mim. Sai em busca de velas enquanto passeava por lembranças inquietantes do dia. Uma delas foi um muro pichado assim:
O amor no concreto d
                             e
                               s
                                p
                                  e
                                   n
                                    c
                                       a
Despencou a internet, o computador que estava ligado e depois não ligou mais, a falsa modéstia, a passividade, o comodismo, a falta de vergonha na cara, indignação, a impunidade (será?), o “não é comigo”.
Surgiu a esperança no fim do túnel! Vou ali e volto logo.




Era uma vez... Milhões e milhões de estrelas no céu. Havia estrelas de todas as cores: brancas, lilases, prateadas, douradas, vermelhas, azuis. Um dia elas procuraram o Senhor Deus Todo Poderoso, o Senhor Deus do Universo, e disseram-lhe:
Senhor Deus, gostaríamos de viver na Terra entre os homens.
Assim será feito, respondeu Deus. Conservarei todas vocês pequeninas como são vistas e podem descer à Terra. Conta-se que, naquela noite, houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar e correr com os vagalumes no campo, outras se misturaram aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada. Porém, passado algum tempo, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar para o Céu, deixando a Terra escura e triste. Por que voltaram?... Perguntou Deus, à medida que elas chegavam ao céu. Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra. Lá existe muita miséria, muita desgraça, muita fome, muita violência, muita guerra, muita maldade e muita doença.
E o Senhor lhes disse: Claro, o lugar de vocês é aqui no céu.
A Terra é o lugar transitório, daquilo que passa, do ruim,daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, e onde nada é perfeito. Aqui no céu é o lugar da perfeição. O lugar onde tudo é imutável, onde tudo é eterno, onde nada perece. Depois de chegarem todas as estrelas e conferido seu número, Deus falou de novo:  Mas está faltando uma estrela. Perdeu-se pelo caminho?
Um anjo que estava perto retrucou: Não Senhor, uma estrela resolveu ficar entre os homens; ela descobriu que o seu lugar é exatamente onde existe imperfeição, onde há limites, aonde as coisas não vão bem.
Mas, que estrela é esta. Voltou Deus a perguntar.
Por coincidência, Senhor, era a única estrela dessa cor.
E qual é a cor dessa estrela.. insistiu Deus.
E o Anjo disse: A estrela é verde, Senhor. A estrela verde do sentimento da esperança. E quando então olharam para a Terra, a estrela já não estava só. A Terra estava novamente iluminada, porque havia uma estrela verde no coração de cada pessoa. Porque o único sentimento que o homem tem e Deus não têm, é a esperança. Deus já conhece o futuro, e a esperança é própria da natureza humana. Própria daquele que cai, daquele que erra, daquele que não é perfeito, daquele que ainda não sabe como será seu Futuro.
"QUE A ESTRELA VERDE PERMANEÇA SEMPRE ACESA EM SEU CORAÇÃO!"
(autor desconhecido)
Imagens: internet e http://karinizumi.wordpress.com/  

sábado, 15 de junho de 2013

Será?




Será que alguém consegue olhar os próprios rastros e não se arrepender de passos dados? 
Faço esta pergunta porque andei observando os meus passos pela vida e também das pessoas queridas. 
Faço esta pergunta porque achei que ter um enorme desejo de fazer a coisa certa bastava. 
Faço esta pergunta porque acreditei que saber o que se quer e andar nesta direção era o bastante. 
Faço esta pergunta porque descobri que não.   
Ainda bem que cabe outra pergunta: o que posso fazer agora? 
É um alívio saber que a vida segue em frente. Sempre. 
O meu olhar para trás é válido apenas para acertar o curso da caminhada. No mais, como disse o rapaz a um encharcado Vinícius de Morais que andava com água até os joelhos: "Pra frente é que se anda!" 
Se não vou ainda, é porque preciso achar um canto para me encostar e descansar. Se não vou ainda, é porque esperarei passar o mês de promessas ao santo casamenteiro. Porque de promessas o mundo anda em dívida. 
Sem elas o meu passo será outro. Eu espero. 
Segue abaixo trecho da crônica de Vinícius, que considero belíssima. Como certas palavras me ensinam caminhos...


Hino carioca
Na noite do dilúvio, tentando alcançar a pé minha casa, eu me senti bêbado e louco. Caía uma tromba-d'água do céu, e tão espessa que eu mal conseguia respirar. Minhas pernas venciam a custo a densidade da cheia, que me passava dos joelhos; mas eu prosseguia com raiva dos elementos desencandeados, com raiva da cidade passiva ante sua fúria. Caí e me levantei duas vezes imprecando nomes, desafiando o aguaceiro e sua mortalha de lama, querendo briga.
Seriam pelas quatro da manhã e eu me sentia menino e ao mesmo tempo o último herói do mundo. Era tudo vazio à minha volta, e eu não suspeitava a catástrofe que, naquele momento mesmo, se abatia sobre centenas de lares pobres nos morros, o pé-d'água varrendo casebres que se desfaziam caindo pelas encostas; gente a pedir socorro em plena queda; corpos esmagados de crianças e adultos a misturar seu sangue ao barro imundo. Eu seguia cheio de cólera e euforia, o olho atento aos remoinhos, aos movimentos suspeitos da água, ao chupo dos bueiros abertos, patinhando violentamente no lençol de chuva. Ao passar diante de uma garagem inundada, um velho crioulo guardador compreendeu minha luta e me animou:
- É para frente que se anda...
Eu sorri para ele e sua carapinha branca:
- Fique em paz, meu irmão.
E pus-me a cantar cantos de guerra. Quando alcancei meu edifício, brandi meu punho para o alto. Não, não vai ser nem o ressentimento dos covardes, que cria as ditaduras, nem a fúria dos elementos, que gera a calamidade, que irão impedir o homem de chegar ao seu destino - ai dele! - mesmo sabendo de antemão perdida a grande e fatal partida em que foi lançado. Porque o destino dos homens é a liberdade: liberdade para amar, para optar e para criar; liberdade pura e integral, com a dramática beleza dos elementos desencadeados a que se sucedem céus azuis cheios de luz. Liberdade para viver e para morrer, sem medo. Liberdade para cantar seu canto rouco diante da carne translúcida das auroras. Liberdade para desejar, para conquistar o que não lhe é permitido pela estupidez da convenções e pela reserva dos bem-pensantes. Liberdade para ganir sua solidão ante o Infinito. Liberdade para suar sua angústia no Horto da dúvida e do desespero, e subitamente explodir seu riso claro em pleno Cosmos:
- A terra é azul!
Esse é o grande destino do homem: remover os escombros criados pelo ódio e partir de novo, no vento da Liberdade, para a frente e para cima. Que venham os tiranos, que o prendam e torturem, que caiam do céu bolas de fogo - e ele levante-se, roto e ensanguentado, e com a força que lhe dá a Vida parte uma vez mais, em direção à Liberdade...
Imagem:( Karin Izumi)
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