Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 23 de julho de 2013

PROCRASTINAÇÃO



Palavra grande e feia. Podemos traduzir como a enrolação nossa de cada dia, ou seja, procrastinar: adiar, prorrogar, usar de delongas, embromar. Sua origem, do latim procrastinare, significa encaminhar para amanhã. Não se preocupem. Acontece na vida de todo mundo! Procrastinamos ao acordar, quando apertamos o modo soneca do despertador, quando ficamos com preguiça de lavar a louça do jantar (nem me falem!!!) ou quando deixamos de responder àqueles e-mails chatos. Os principais fatores que levam a procrastinação: falta de tempo, impulsividade (deixamos algo de lado para fazer outra atividade), falta de energia, medos, autossabotagem e preguiça. Implica deixar que as tarefas de baixa prioridade (menos importantes) antecipem as de alta prioridade (mais importantes), normalmente as mais chatas.
É possível demorar muito para realizar uma coisa. Adiar tudo ao máximo. Não olhar para as coisas a serem feitas, deixar prá lá, ter má vontade. Resoluções são difíceis, implicam posicionamento, responsabilidades. O mundo para em nossas mãos. Esse adiamento torna densas as relações. O ar fica pesado, pode-se cortá-lo com a faca. Principalmente quando as coisas dependem de uma pessoa assim, com medo de decidir.
Conta uma história que um burrinho andava pela estrada com fome e sede. De um lado rio, de outro, feno. Incapaz de escolher um dos lados e seguir, ele morreu no meio, de fome e sede. Não por falta de inteligência, mas por indecisão, uma atitude de receio frente ao desejo. Porque o desejo é guia. Porque o desejo pode parecer perigoso... E você? Anda conjugando muito esse verbo PROCRASTINAR? Por aqui tento eliminá-lo do meu dicionário... e não desisto!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

RESSENTIDO (A) VOCÊ?



A conversa girava amenidades quando ele – um amigo amado – começou a desabafar seus melindres diários. Estranhei o tom tanto quanto as pessoas a quem atribuía esses aborrecimentos. Enquanto ouvia me lembrei, primeiramente, do que disse o genial Shakespeare: “o ressentimento é um veneno que a gente toma todos os dias, querendo que o outro morra.” Nem é preciso acrescer que faz mal a saúde de quem o guarda. Mesmo assim quem não o tem?
Em seguida veio Maria Rita Khel - autora do livro Ressentimento (Casa do Psicólogo, 2007) – dizendo ser uma constelação de sentimentos negativos pelos quais responsabilizamos o outro por nossos próprios fracassos e prejuízos.
Todo neurótico apresenta claramente sinais de ressentimento acompanhados de queixas imputadas ao outro, que não pôde lhe dar o que esperava e talvez por dificuldades em se implicar naquilo que deseja. Então, culpa alguém por suas impossibilidades ou impotências.
Ressentimentos são frustrações acompanhadas de raiva, tristeza, inveja, ruminações negativas e tudo de ruim. Um ressentido é sempre uma pessoa azeda, mal-humorada, ranzinza. Não sabe curtir o que a vida lhe dá.
Só consegue ver o que lhe falta ou faltou por culpa da mãe, do pai, do chefe, do irmão, e por aí segue uma lista de todos que passaram por sua vida e refletem sua própria repetição. Sim, na repetição nos colocamos numa posição tal que encaixamos o outro nesse lugar, quer ele queira ou não. Ele nunca terá chances conosco! Pronto, emburrei.
Não é o caso desse amigo. Ou, até então, ele usava uma boa maquiagem. Será?
A expectativa de reciprocidade é um labirinto do qual nunca se sai sem escoriações. É dor causada pela esperança. Ruminação de mágoa depois de tudo feito por amor sem retorno.
Se o que nos move é uma demanda de amor ou de reconhecimento ou de qualquer outro bônus, inevitavelmente vira frustração. O outro desconhece as intenções por trás das boas ações e da servidão implícita nessa doação. Por isso, temos que questionar nossas ações.
Fazemos o que fazemos porque é nosso desejo e, não importa se com o que virá depois, estaremos satisfeitos, ou fazemos para sermos reconhecidos e recompensados?
A resposta a essa pergunta é fundamental. Se nosso desejo é atendido, ficamos satisfeitos e nunca ressentidos pelo que vem do outro. De fato, não esperamos nele a nossa satisfação. Por realizar o desejo, somos satisfeitos. Não diria sempre felizes ou alegres, seria tolice.
Portanto, independentemente do que o outro faça com tudo que lhe damos, tanto faz. Porque agimos por nós e não em função do retorno do outro. Esse é o ponto em que encontramos maior apaziguamento. Estamos conosco. Voltados para interesses e desejos genuinamente próprios. Não quero dizer egoístas, quero dizer subjetivos.
Ao nos voltarmos tanto para o outro, estamos sujeitos a chuvas e trovoadas. Claro, do outro não temos controle ou nada podemos com o que não nos pertence. O outro é diferente. A distância entre o desejo de cada um causa transtornos constantes devido a nossa tendência de esperar desejos iguais aos nossos, ou retorno como nós faríamos.
A reciprocidade que ansiamos e aprendemos ingenuamente a esperar é uma armadilha perigosa e é o motivo de diversos desentendimentos, queixas e mágoas. Fazer-se tolo requer manobra. Se o outro não sabe receber, não é grato, é problema dele.
Como diz o livro dos livros, não jogue pérolas aos porcos! Resta-nos cortar a ânsia dadivosa, recolher e pendurar as chuteiras. Colocar nosso banquinho debaixo de outra janela, pois são tantas e podemos encontrar uma que se abra. Mesmo não havendo perfeição nas relações, há as que valem muito!
  

quinta-feira, 4 de julho de 2013

VIDA CICLÍCA



                             "Esteja certo de que o rumo que tomou
                             é a direção na qual você queria ir.
                 Até que ponto você realmente quer aquilo que diz que realmente quer?" 
Não sei dizer se foram os acontecimentos da última quinta-feira lá na Casa ou os inúmeros emails que recebo orientando sobre propósito, energia, aprendizado, evolução, etc. e tal. Talvez um pouco de cada. Sei que, ao despertar, a conversa fora tão clara quanto as lembranças e palavras que agora digito. O nível de tolerância está próximo do limite. Portanto, está na hora de ampliá-la, para poder estender o que pensava que eram os meus limites para longe de mim. No princípio, a gente se sente aprisionada, limitada, sozinha ou impotente para ajudar a si mesma ou as outras pessoas. Desejar que o problema desapareça ou negar a existência dele só irá piorar as coisas. 
Realismo, determinação, esforço, espírito prático e AMOR são necessários nesse momento. Uma ação positiva levará a outra. Se não puder conseguir o apoio dos outros, então terei de seguir sozinha. Lastimarei, mas seguirei. Sempre há alternativas e escolhas. Serei tão flexível quanto puder. Se uma tarefa me parecer grande demais, dividirei em partes menores sem pensar. Parei de lutar, apavorar. Em vez disso, me empenho. 
Prendi-me a uma responsabilidade que não é inteiramente minha? Uma determinada situação está minando minha capacidade de pensar e agir de maneira independente? Está na hora então de fugir dessa prisão. Ou me afasto, fisicamente, do problema ou aumento meus níveis de aceitação e tolerância. E o que fazer se um obstáculo for imutável e inarredável – como uma sentença a longo prazo ou perpétua? Vou precisar de algum tempo para admitir isso, mas – provavelmente – esse obstáculo está exatamente onde deveria estar. É um desvio para impedir-me de prosseguir numa direção que não é a certa para mim. É uma oportunidade de descobrir uma maneira mais adequada e eficaz de fazer as coisas. Pode até ser uma oportunidade de descobrir o meu verdadeiro sentido na vida. 
Um determinado problema, a princípio, poderá parecer uma montanha enorme dominando toda a nossa existência. Bem, terei de escalar essa montanha enorme dominando toda a minha existência. Dando o primeiro passo estarei a caminho. E se o primeiro não der certo, significa que não levei em conta todos os detalhes. Reavaliarei tudo e tentarei novamente!
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