Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

SE PREPARANDO PARA O ESTERCOFOLIA

Café da manhã de domingo


Enquanto tento me abster da serra elétrica (que mais parece uns 20 motorzinhos de dentista na cabeça) ouço as risadas da Reginete na área de serviço. Hoje é dia de passar roupa (que foi lavada ontem e secada nesse calor duzinfernus) e isso, normalmente, a aborrece. É que de todo o serviço doméstico, este é o que menos gosta. Não sei passar roupa, diz ela, só desamasso. E para mim já tá de ótimo tamanho. Grita ela da área:
- Ô Dona Regina, o que é 100% algodão egípcio?
- É o tipo de algodão que foi feita a roupa de cama.
- E fio penteado? Tem desgrenhado?
- kkkkkkk. Deve ter. Não sei.
- Faz diferença se secar ou dormir em algodão egípcio e fio penteado?
- Não sei. Talvez seja mais suave e o outro tipo arranhe...
Rio dessas perguntas, curiosas, da Reginete (melhor fazer o que tem que ser feito com humor que xingando a cada gota de suor pingado, né mesmo?!) e percebo que a gente consome - muitas vezes – sem saber de fato o que é e se faz alguma diferença. Nessa hora silencia a serra elétrica e a máquina de fazer concreto. Trabalhador tem direito(s) à uma hora de almoço. E eu de um pouco de silêncio! Aproveito para pensar no final de semana que passou e no que me aguarda. Aniversários de sobrinhos, celebrações, família reunida e pré-carnaval. Estou feliz que vamos para minha Santa Matilde. É saudade daquele paraíso. Ainda não fui esse ano. Durante os dias de folia serei acordada pelo canto dos pássaros, os gritos das galinhas d'angola, o latido de Luana ou até mesmo pelo silêncio que a gente,a princípio, estranha. Só de imaginar sorrio, e nem me importo mais que a hora do almoço já acabou e a barulhada recomeça. Tudo acertado com a turma do estercofolia! Na bagagem nada de serviço doméstico e barulho da selva de pedra. Só o dolce far niente regado à cerveja gelada, comidinhas gostosas, o som das muitas risadas e a alegria do reencontro entre irmigos. Para vocês meu desejo de um ótimo carnaval! Inté.
As sobrinhas e a tia babona
Um charme
Café da Fazenda
Detalhes que fazem toda a diferença!
Recém-casados e felizes!
A "diretoria"
Essas bailarinas...bem animadas!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

NO CALOR DA VIDA

Não, não abandonei o Divã. É que o calor anda tão insuportável que suga a inspiração da escrita. A temperatura amena das minhas Gerais, clima propício para sarar determinadas doenças, desapareceu há anos junto com nossas montanhas. Sobra secura, moleza, irritação num trânsito infernal e suor.  Sei que esse clima, mundialmente enlouquecido, é a resposta da Mãe Natureza aos atos inconsequentes do Homem. Colhemos o que plantamos, simples assim. Fui informada que esse é um ano de finalizações, realização, emoções, doação e interpretação. A vida está pedindo que acabemos com alguma coisa que já não serve mais a um propósito. Recordações há muito tempo esquecidas surgem de repente e misteriosamente. Elas são provocadas por eventos que acontecem no presente. Mas é impossível estar completamente no presente enquanto metade de nós estiver presa em algum lugar do passado. Não se pode olhar para frente se nossas emoções continuam a nos arrastar para trás. As coisas estão terminando, não começando. Na verdade, nada de novo pode começar enquanto conclusões emocionais necessárias acontecem. Percebo, mais do que nunca, que esse é um tempo de dar! Dar simplesmente por dar, sem nenhuma expectativa de retorno ou agradecimento. Mas não nos esqueçamos das diversas formas de dar que existem. Entre essas se incluem o amor, a generosidade, a aceitação, o tempo, a ajuda e a energia criativa! Às vezes, dar inclui ceder, entregar ou até mesmo renunciar. E só nós poderemos determinar o que precisamos dar e para quem. E lembremos também de que doação requer sempre desistir (abrir mão) de alguma coisa! Vou ali me refrescar, arejar as ideias, e volto qualquer dia desses. Enquanto isso estou doando esse calorão para quem desejar.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

DASDÔ



Como não acreditar na imortalidade se é dali que ela se diz?
No transcrever de sentidos abaulados, transfigurados como forma de letra no abandono do sentido.
É no silêncio da nomenclatura que se diz, dos exemplos dos restos, do vazio. É através do sóbrio, como sobra, que bordejamos o que nos foi deixado de herança nas entrelinhas da vida.
A água escorre como se tentasse limpar toda dor ainda morada.
A esperança se agarra no fio que tece a vida! 
(Imagem: google)
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