Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sábado, 30 de agosto de 2014

FLORESCIMENTO



Agosto termina amanhã. Ao longo desse mês observei de perto, em minhas caminhadas, a floração dos ipês. Perdem todas as folhas para que suas bagas desabrochem naquele assombro de beleza. Penso em nós e como isso ocorre. 
O processo é longo. Precisa de um ano inteiro e muita dedicação. Há que se regar, adubar, buscar boa luminosidade e a ventilação ideal. “Vigiai o tempo todo!” – parece dizer a planta, após um descuido ou distanciamento. E lá se vai o viço. Então, porque a natureza não sabe de mágoas, basta um copo d’água para que ela recupere a boa forma. Tanto trabalho para quê? Para vê-la florescer. 
Um dia, a gente acorda e tudo parece adormecido na mesmice. Nenhum broto, nem mesmo uma folha morta dando um tom diferente. Então, a promessa do verde se cumpre: há um broto. Inicia-se o acompanhamento expectante. Cada dia, uma olhada. Nada. Só resta dar tempo ao tempo, relaxar na espera, acreditar no curso da natureza. Tanta espera para quê? Para vê-lo florescer. 
E hoje, exatamente hoje, sábado sem charme, ânimo ou esperança, ele deu o ar da graça. O meu ipê, lá longe, já tem flor. Várias. Há cachos de pequenas flores amarelas numa árvore despida de folhas. Perfeita na forma, sutil nas cores, surpreendente na exuberância. Olho e fico extasiada diante do extraordinário. Depois, reparo que outros cachos se revelam. Ele ficará cheio, mas não por muito tempo. Logo se fará tapete para caminhantes desavisados.  
Neste sábado vazio, mais um ipê iluminou meu canto. Não há esforço ou esperança que não valha este espetáculo. O ipê me inspira. Penso em raízes fortes para me sustentar nos bons e nos maus momentos, penso em ter calma para realizar minha obra, penso em seguir mais leve, levando apenas o essencial para o corpo e para a alma (o resto, são superficialidades que o vazio inventa), penso em cumprir as promessas da semente. 
Gostaria de ser como esta planta cujo destino se concretiza dia após dia, em silêncio, sem estardalhaço, sem porquês, apenas seguindo para florescer. Mesmo que demore um ano! Gostaria de enfeitar meu lugar no mundo. Quero o merecimento de florescer o belo que carrego. Será que esse incômodo é um broto?

terça-feira, 19 de agosto de 2014

E CHEGOU MEU NATAL!



Quando era jovem sempre pensava nos anos 2.000 e que faria 40 anos. Eram tão distantes quanto os meus sonhos àquela época. Hoje, dia do meu natal, percebo quão longe caminhei e quantos foram realizados! Só tenho mesmo que agradecer, todos os dias, por essa VIDA que vale de ser vividamente vivida. Cinquenta e quatro anos de aprendizagem, emoções variadas, conquistas, deslumbramentos com encontros e reencontros. Êita que é baum dimaisss da conta sÔ! Que venham muitos anos mais... Sempre com a proteção de nosso PAI/MÃE me abençoando, e a todos que amo, com saúde, alegrias, prosperidade e abundância, paz, harmonia, aventuras e muiiito amor. E daqui, diariamente, sou gratidão!!!
Soneto de aniversário
“Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencido.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.”
(Vinicius de Moraes).

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

(PRE)OCUPAÇÕES


Os filhos crescem e isso é bom. Apesar de todo o desenvolvimento percebo que continuamos nos preocupando com eles. Nas conversas com as amigas cada uma conta como andam suas crias. Pano de fundo: preocupações em geral. Creio que esse é o momento de dedicar uma atenção especial e muita compreensão a eles. Os pais geralmente se sentem sufocados pela responsabilidade de criá-los em segurança, e muitas vezes podem querem ditar as leis, sem perceber que os filhos têm de ter liberdade. É prejudicial esperar demais ou pouco deles. É prejudicial concentrar-se apenas nas características negativas e ignorar os seus verdadeiros talentos e qualidades. 
No mundo perigoso e em constante evolução dos nossos dias, os jovens precisam ser considerados, amados, compreendidos e, acima de tudo, encorajados. Eles precisam saber que a vida não é uma série de castigos, mas, em vez disso, uma série de consequências! A toda ação corresponde uma reação. A toda causa corresponde um efeito. 
Os filhos precisam ser livres para expressar seus sentimentos, e esses sentimentos devem ser aceitos como parte da sua individualidade. Se forem encorajados a seguir os desejos do coração – o livre arbítrio – e a permitir aos outros a mesma liberdade, eles raramente se sairão mal. É claro que isso se aplica a todos nós. Tarefa fácil? A tal medida certa e equilíbrio é mesmo uma arte... Ainda mais na educação de nossos filhos! 
Creio que os jovens têm diante de si a difícil tarefa de tornar este mundo um lugar mais calmo e habitável para se viver. Eles representam o futuro deste planeta. Então, só nos resta cuidarmos muito bem deles plantando, diariamente, as sementes que desejamos que floresçam para um mundo melhor!

Imagem: google

domingo, 3 de agosto de 2014

APRENDIZAGEM



Imagem: Federação Israelita BH/Manifestação de apoio ao estado de Israel, pelo direito de se defender e pela PAZ! 03/08/14

O FB sempre nos pergunta “no que você está pensando”. Gostava que ele mudasse a questão para “o que você está sentindo”. Hoje, responderia que sinto muito. Sinto pela ignorância humana, racismo, antissemitismo e todas as formas de preconceito, pelas informações distorcidas e tendenciosas dos meios de comunicação, pelas guerras e terrorismo, morte de inocentes, fome e miséria, falta de amor e paz entre os povos. Sinto muiiito!!!
Uma vez, li um texto, desses que recebo por e-mail e cujos autores são tão duvidosos quanto à aplicabilidade das palavras à vida. Era um texto sobre o valor da experiência. Até havia algum sentido. Mas o que deixava dúvidas era a minha capacidade de absorver e atuar de forma consciente. Quem é que consegue? Como é que a gente recebe um conselho, digere e coloca em prática? Como é que se planta uma semente na consciência? E quando é que ela brota? Hoje, passado algum tempo, percebo que a digestão faz-se pela repetição, que a semente é plantada pela percepção e que ela brota pela força do desejo. Palavras só transformam quando são legitimadas pelo nosso querer. O texto em questão falava das coisas que um dia a gente aprende. Era grande, quase duas laudas descrevendo aquilo que um dia a experiência me ensinaria. Considerando o tamanho, era se de esperar que muito do que estava escrito não me tocasse. De fato, pouco ficou. Mas esse pouco se fixou e parece ressurgir das vísceras quando mais preciso. Eis aí:
- Um dia a gente aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, você tem que perdoar a si mesmo.
- Um dia a gente aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não pode mais.
Não dá pra dizer o quanto já andei depois de achar que não aguentaria mais. Se essas palavras couberem no seu coração, siga em frente. Pela paz e pelo direito de defesa do Estado de Israel!
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