Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

TECNOLOGIA NÃO É TUDO!


Primeiro foi o computador. Simplesmente apagou sem nem ao menos um suspiro. Levei para consertar e 24 horas depois ouvi “tá pronto pode buscar”. Fui pegá-lo toda feliz. Era bom demais pra ser verdade. Conserto assim tão rápido?! Cheguei em casa e 1’29” depois de ligado apagou de novo e nem com reza braba funcionava. Voltei com ele na assistência técnica bem P da vida. Arrumar horário para levar, buscar, vaga para estacionar, além de enfrentar um trânsito caótico da “volta às aulas” e quase um milhão de veículos a mais rodando por Beagá. Ninguém merece! Mas enquanto estava no conserto tinha o celular para me conectar não é? Deveria ser. Até que meu mimo resolveu tomar banho na privada. É amados, esse tipo de acidente que você sempre crê que “comigo jamais vai acontecer”! Ocorre sim. Aí fiquei pensando... 
Nunca houve tanta oportunidade de estabelecermos novas relações e de aprofundarmos as que já temos. Multiplicaram-se os canais de comunicação, com celulares, aplicativos de troca de mensagens em tempo real e de qualquer parte do mundo, Skype, Face etc. 
Nunca tivemos tanto acesso à informação – muito mais do que necessitamos ou conseguimos administrar, por sinal. Nunca viajamos tanto. Era de se esperar que já estivéssemos mais sábios, mais receptivos, mais tolerantes, mais respeitosos com a diversidade do mundo e com as particularidades de cada pessoa, com quem nos relacionamos. Era de esperar que pudéssemos, mais do que respeitar as diferenças, conviver com elas, incorporá-las, enxergar nelas uma fonte de riqueza social, cultural, intelectual. SQN (Só Que Não).
No entanto, nunca foi tão difícil se relacionar. A falta de tempo que assola a todos contribui em grande parte, mas escolho chamar a atenção para a escalada da intolerância e de um certo autoritarismo (haja vista as eleições do ano passado) que tem transformado o velho e bom ato de discordar em suicídio social. 
As conversas ficam mais hostis quando não há convergência de opiniões. Em consequência, ficamos mais guardados e menos espontâneos. Perdemos um bom embate de ideias. Como ocorria, por exemplo, nos tempos de DA (diretório acadêmico). Mas, sobretudo, e o que me dá muita tristeza, é que as relações definham com a superficialidade, a falta de acolhimento e de respeito. Só observar o Face. Estamos mais sozinhos. 
Meu objetivo aqui não é reclamar – é convidá-los a virar esse jogo. A responsabilidade pelas relações é de todos nós! Acho que esse é um passo essencial para que tenhamos mais encontros do que desencontros e relações mais significativas com nossos amigos, colegas de trabalho, nossos filhos e nossos amores. Apesar da carência do computador e telefone celular percebo o quanto  é possível viver e que reabriu janelas, antigas, emperradas pela modernidade. Bora lá?!
(Imagem: Google)
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