Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sábado, 5 de setembro de 2015

(IN)SUSTENTÁVEL LEVEZA DE SER




“Existem apenas dois erros a serem cometidos em uma jornada: não ir até o final e não começar.” 
(Buda)



Uma imagem insuspeita e eis que o pensamento surpreende indo mais longe. Foi assim: olhei a foto e voltei ao passado. 
A foto e a frase exata despertaram um sentimento guardado. Vendo os jovens trabalhando, imaginei os desejos de criação, os esboços do sucesso, os sonhos inacabados, tão típicos de quando se tem tempo, de quando se tem uma vida pela frente. 
Então, me deu saudades. Não tive saudades da juventude. Não, sou do tipo que escolhe olhar pra frente. Estou bem na minha idade, no meu momento e vejo a estrada adiante sem ansiedade. A saudade que senti foi somente de um sentimento e nem era dos melhores. Naquela época, o viver era expectante e havia promessas no ar.
Mas não era só disso que se fazia o futuro, não era só de promessas, era de possibilidades concretas. Hoje também é. Então, por que a saudade? Inexplicavelmente, senti saudades da incerteza e a resgatei para os meus dias. Deve ser sinal de maturidade. 
Viver sabiamente é não ter respostas. Num tropeço que poderia ficar por isso mesmo, eu me vi num caminho novo e sem certeza do rumo certo. E a saudade passou. E no lugar da ansiedade, veio a calma de cada passo. Nostalgia assim faz bem.
Já tive pressa. Hoje tenho mais. O que difere a mulher da menina é a certeza dos meus passos. Nem maiores nem menores do que posso. Vou vivendo assim e respirando profundamente. Como aprendi numa aula experimental de kundalini yoga, lenta e profundamente respiro meu momento presente. E acordo mais feliz a cada dia.
Emoção de verdade foi quando eu me vi na essência e duas lágrimas escorreram-me pela face, porque era bonita e comovente aquela imagem. Emoção de verdade foi olhar as pessoas e reconhecer na beleza de cada uma delas a intenção do meu olhar. Emoção de verdade é compartilhar.

6 comentários:

  1. E emoção é ler tudo isso.Tão lindo por aqui!Adorei,Regina! Um bjs, tudo de bom,chica

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  2. Isso é maturidade e sabedoria: saber que não temos controle de nada e a vida é uma aventura diária. Linda postagem, Rê. Lida alma, a sua. Beijos. Litle Angel

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  3. Desculpe-me pelo equívoco: quis dizer LINDA alma. Enfim, uma alma que "lida" bem com as coisas é linda mesmo.

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  4. Também já tive pressa.....e confesso que ainda tenho um pouco, he he. Também não sou adepta de ficar olhando para trás, tentando enxergar o que não foi feito. Paciência, temos ainda uma vida inteira pela frente, e o amadurecimento faz parte de todo o processo, mesmo que às vezes parece querer nos trapacear...

    Beijinhos Regina

    Bia
    www.biaviagemambiental.blogspot.com

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  5. Viver, então, é um descobrir-se constante? Acho que isso é bom, né?
    Beijo, doutora galêga.

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  6. Saber olhar, querida Rê, é a capacidade mais completa para a tal essência. Começando com o olhar para dentro...
    O teu texto? Sempre a preencher-me, como todos!
    (Ando muito menos pela net; a "leveza do ser" também passa pela libertação de coisas pessoais que estavam a empoeirar nos armários e que já não interessam mais)
    Bjo :)

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