Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Religião, política e futebol...

"Seria injusto censurar a civilização por tentar eliminar da atividade humana a luta e a competição. Elas são indubitavelmente indispensáveis. Mas oposição não é necessariamente inimizade; simplesmente, ela é mal empregada e tornada uma ocasião para a inimizade."(Freud/Mal Estar na Civilização/1929).


Se minha mãe estivesse viva repetiria, em sua sabedoria, que religião, política e futebol não se discutem. Pelo menos não no nível que vimos. E que no final das contas e início de todos os contos dá no que dá: nada de viveram felizes para sempre! Esperei esse par de dias para colocar minhas ideias e sentimentos em certa organização. Logo após o resultado das eleições fui acometida de uma tristeza estranha, amarga. É claro que ninguém gosta de perder e tinha fé que meu candidato iria ganhar. Não importa se foi apertado, mas perdeu! E agora? Agora não quero ler as contínuas ofensas dos vermelhos contra os azuis e vice-versa. Muito menos as piadinhas - sem a menor graça - contra nós mineiros. Tenho honra e orgulho do meu estado, berço de grandes estadistas, artistas, intelectuais e gente como eu: trabalhadora, honesta e brasileira. Perdeu aqui? É, perdeu nas minhas Gerais. Decepcionante sim e já analisado pelos estudiosos os motivos. Para mim somos um único país e povo desejoso de tempos melhores para todos! Eu desejei e continuo!
Freud não era um teórico político, assim como não era historiador das religiões ou arqueólogo. Era um psicanalista que aplicava os recursos de seu pensamento às diversas manifestações da natureza humana. Mas ele fundou sua análise da vida social e política numa natureza humana muito própria. Recorri a seus textos - Psicologia das Massas, O Futuro de uma Ilusão e O Mal Estar na Civilização – para ordenar meus caos.   
Visualizar o fenômeno político, como expressão da esfera individual, em sua dimensão subjetiva, e tendo como fundamento a ansiedade, pode levar a negar a situação política objetiva. Da mesma forma, o protesto social, na visão psicanalítico política, pode ser visto como sintoma neurótico, abrindo espaço à Psiquiatria considerar a sociedade conforme as malhas do modelo médico mais autoritário: o modelo hospitalar clássico. 
Ao rechaçar o maniqueísmo ingênuo, que consiste em rotular como “boa” ou “má” tal ou qual política, a Psicanálise vincula como “soluções dramatizadas”, de uma temática que tem a sua gênese na vida pessoal.  
O governante tem o verdadeiro poder, mediante a atribuição ilusória de seus partidários. A imagem freudiana do pai, como modelo de autoridade, vincula-se diretamente com a ideia de que na sociedade ocidental qualquer tipo de autoridade será submetido a crises.  
A atitude psicanalítica reforça o distanciamento ante a autoridade. Freud agrega a contribuição da análise psicanalítica à crítica do conceito de legitimidade, já muito desenvolvida nas ciências sociais. Para Freud, a dimensão política é uma extensão da esfera privada; assim, a veneração exagerada ante o homem público é uma recorrência da adoração do filho pelo pai. Freud considera a personalidade pública como um carente de atenção e afeto, derivado das relações pessoais! E essa lembrança, nesse momento, me bastou para reorganizar o meu caos.
Está amargando a derrota? Fui perguntada. Respondo:
Jiló na sopa, conserva de jurubeba, chá de boldo ou de carqueja... De vez em quando, o amargo dá o sabor do dia. Algumas pessoas gostam muito, juntam o útil ao desagradável e ainda fazem cara boa. Há quem usa o amargo para transformar a comida insossa em um algo mais palatável. Claro, depois de uma jurubeba, até arroz sem tempero fica bom. E há quem nem mesmo experimente. Jamais faria parte deste grupo. Posso até fazer careta e engolir rápido, mas experimento. Por vezes, até gosto, como no caso do jiló cozido inteiro dentro da sopa.
Jiló dentro de uma sopa de legumes é uma surpresa, ele intensifica o sabor dos outros ingredientes. Não fica tão amargo, chega quase a ficar adocicado, mas faz a cenoura aparecer, a batata ganhar graça, a abóbora brilhar e a batata doce se superar. Precisa ser cozido inteiro. Colocar só um pedaço atrapalharia toda a receita. Aí, sim, ficaria amargo.
Acho que tem a ver com a vida também. Nos dias amargos, tentar viver pela metade é a pior estratégia. Melhor entrar por inteiro na tristeza, na decepção, na frustração, para entender melhor, para poder sair mais forte, para saber que, no final das contas, a vida tem disso e que, apesar dos pesares, vale a pena ser saboreada às colheradas.
A vida não é sopa, mas pode ser gostosa, inclusive com os seus amargos. Sigo em frente!
 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

FRAGMENTOS DE MIM



Não abro mão de ser mulher. Já disse e repito. Quem é mulher sabe deste lado quente de ser.
A fidelidade maior para mim, de memorização, é esta aqui: a que eu escrevo. Se não escrevo, não sei. Quem não vê, não sente. A vida é feita de sentimentos.
Pelo menos para mim, é esta que escolhi. Por isto escrevo. Escrevo com tal fidelidade só comparável à saudade que carrego de amados.
A escrita me situa. Admito minha insignificância e sei de minhas significações.
É que nem esse Divã. Pra uns é insignificante, pra muitos, significação.
Posso apelidar a insignificância de avesso.
É o direito de qualquer um tem de não gostar.
Porque gosto é entendimento. A gente só gosta do que entende.
O mundo tá cheio de quem não tem leitura, nem educação. É coisa do mundo mesmo. É como escrever Diário. Coisa de jovem. Ser jovem é ter coragem. E mulher é corajosa. Daí tantos diários:
De Anne Frank (o mais famoso)
De uma estrela
De uma artista,
Diário de Sofia – o mundo dela é lindo e filosofal, mas é diário.
Nem repórter escreve diário. Escreve crônicas, como Pedro Bial.
Taí uma coisa pra mulherada pensar.
O pensamento da mulher é mutante.
O homem age. A mulher muda.
Isso a gente aprende com a vida, com a maternidade, com a situação.
Tô situada, como o fruto no ventre
                       o filho no colo
                       a água no rio
                       o trem no trilho
                       a neve no frio...
Estar situada é ter nome, ter gosto, ter cheiro. É entender a vida.
O oposto é a insipidez, o anonimato, o travo. É ser sonso e insosso.
Não quero escrever moralidades. Não hoje. Chega de tragédias. De escândalos também. Afinal, to situada, embora tenha me despedido de tantas coisas. Já quase sei ou estarei me despedindo do aqui. Só que esta despedida atual nada tem a ver com o neutro artesanato de minha vida anterior. É que viver é sempre uma questão de vida ou morte. Daí a solenidade.
Me sinto um pouco como a barata de Clarice Lispector: mansa e feroz.
Mansa – de coração.
Feroz – por força de vontade.
Eu preciso ir antes que seja tarde. Quem fica é trem. É conduzido.
O rio vai por determinação e tarefa.
Tô indo.
Me aguardem.
 

 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

PERDOAR É PRECISO!

"Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Você quer ser feliz para sempre? Perdoe."
Tertuliano


Acredito que é do conhecimento de todos que o Yom Kipur (Dia do Perdão) é a data mais sagrada do calendário judaico. O feriado começa no pôr-do-sol que dá início ao décimo dia de Tishrei, o sétimo mês do calendário judaico, e continua até o final da tarde seguinte. O Tishrei corresponde no calendário gregoriano a um período compreendido entre os meses de setembro e outubro, sendo o calendário lunar judaico o Yom Kipur trata-se de uma data móvel, como ocorre, por exemplo, com a Páscoa dos cristãos.
O que comemora-se: Após o pecado do bezerro de ouro, Moisés rezou e, em dez de Tishrei, D’us concedeu pleno perdão ao povo judeu. Não é fácil perdoar. Eu acho. Quando uma pessoa perdoa outra, isto se deve a um sentimento profundo de amizade e amor que anula o efeito de qualquer mal que tenha praticado. Do mesmo modo, o amor Divino é expressão de Seu amor eterno e incondicional. Embora possamos ter transgredido Sua vontade, nossa essência, a alma, permanece Divina e pura. Yom Kipur é o único dia do ano em que D’us revela mais claramente que nossa essência e a Sua são uma só.
 Alguns Costumes
1. Na madrugada da véspera de Yom Kipur (ou nos dias precedentes) é realizado o ritual de caparot:
• Segura-se um galo branco (para os homens) ou uma galinha branca (para as mulheres), enquanto é recitada uma breve prece .
• As aves são ritualmente abatidas e uma soma equivalente a seu real valor é doada aos pobres.
• Pode-se também fazer caparot com dinheiro, doando-o a seguir para tsedacá.
2. Fazendo as Pazes
• Yom Kipur perdoa o pecado cometido contra D’us; transgressões praticadas contra o próximo são perdoadas somente após ter se desculpado pessoalmente. Temos que chegar cara a cara e pedir esse perdão. Senão não vale. E vou contar: já fiz mais de uma vez e não é nada fácil mesmo! Mas a sensação depois é de leveza. 
3. As Refeições
• Na véspera de Yom Kipur é mitsvá (mandamento) fazer duas refeições fartas – uma no almoço e outra à tarde. Dizem os sábios: “Todo aquele que come e bebe na véspera e jejua em Yom Kipur é considerado como se jejuasse dois dias seguidos.”
• Os alimentos desta refeição devem ser de fácil digestão. O jejum de Yom Kipur inicia-se antes do pôr-do-sol (de hoje 03/10) e termina ao completo anoitecer de amanhã.
Velas: Acendem-se as velas na véspera, do pôr-do-sol com as bênçãos apropriadas. Além de abster-se de comer e beber, em Yom Kipur também é proibido: usar perfumes, óleos, desodorantes, maquiagem ou loções. Lavar-se. Calçar sapatos de couro (mesmo que sejam parcialmente de couro). Manter relações conjugais. A saudação comum durante o período do Yom Kipur é "Que você seja inscrito no Livro da Vida".
Meu desejo e orações é sempre esse: que sejamos – todos - inscritos e selados no Livro da Vida!



(Fonte: chabad.org.br)
 

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