Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sábado, 24 de maio de 2014

Ainda sobre mãe(s)

Imagem Revista Veja/BH


Ando sem inspiração para escrever. Acontece. Em compensação excede na vivência diária. Ajustes, fechamentos de ciclos, metas sendo alcançadas. Recebi o texto abaixo por email da amiga, amada, Eli. A autoria é de uma moça que conheço bem: a Cris Guerra, jornalista. Além de ser dona do 1º blog de looks diários do Brasil (Hoje vou assim), frequentou a Casa do Richard. Também escreveu um livro que teve sua semente em outro blog nomeado Para Francisco. Vale demais a leitura pessoal. A crônica abaixo é uma homenagem linda a todas as mulheres. E a gente se identifica que só! Espero que gostem!
"Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho. Uma mecânica de carrinhos de controle remoto. Uma médica de bonecas. Uma professora-terapeuta-cozinheira de carreira medíocre. Nasce uma fábrica de cafuné, um chafariz de soro fisiológico, um robô que desperta ao som de choro. E principalmente: nasce a fada do beijo.
Quando nasce um bebê, nasce também o medo da morte – mães não se conformam em deixar o mundo sem encaminhar devidamente um filho.
Não pense você que ao se tornar mãe uma mulher abandona todas as mulheres que já foi um dia. Bobagem. Ganha mais mulheres em si mesma. Com seus desejos aumentam sua audácia, sua garra, seus poderes. Se já era impossível, cuidado: ela vira muitas. Também não me venha imaginar mães como seres delicados e frágeis. Mães são fogo, ninguém segura. Se antes eram incapazes de matar um mosquito, adquirem uma fúria inédita. Montam guarda ao lado de suas crias, capazes de matar tudo o que zumbir perto delas: pernilongos, lagartas, leões, gente.
Mães não têm tempo para o ensaio: estreiam a peça no susto. Aprendem a pilotar o avião em pleno voo. E dão o exemplo, mesmo que nunca tenham sido exemplo. Cobrem seus filhos com o cobertor que lhes falta. E, não raro, depois de fazerem o impossível, acreditam que poderiam ter feito melhor. Nunca estarão prontas para a tarefa gigantesca que é criar um filho – alguém está?
Mente quem diz que mãe sente menos dor – pelo contrário! Ela apenas aprende a deixar sua dor para outra hora. Atira o seu choro no chão para ir acalentar o do filho. Nas horas vagas, dorme. Abastece a casa. Trabalha. Encontra os amigos. Lê – ou adormece com um livro no rosto. E, quando tem tempo pra chorar – cadê? -, passou. A mãe então aproveita que a casa está calma e vai recolher os brinquedos da sala. “Como esse menino cresceu”, ela pensa, a caminho do quarto do filho. Termina o dia exausta, sentada no chão da sala, acompanhada de um sorriso besta.
Já os filhos, ah… Filhos fazem a mãe voltar os olhos para coisas que não importavam antes. O índice de umidade do ar. Os ingredientes do suco de caixinha. O nível de sódio do macarrão sem glúten. Onde fica a Guiné-Bissau. Os rumos da agricultura orgânica. As alternativas contra o aquecimento global. Política. E até sua própria saúde. Mães são mulheres ressuscitadas. Filhos as rejuvenescem, tornando a vida delas mais perigosa – e mais urgente.
Quando nasce um bebê, nasce uma empreiteira. Capaz de cavar a estrada quando não há caminho, só para poder indicar: “É por ali, filho, naquela direção”." (Publicado na Veja/BH)

14 comentários:

  1. Re, realmente a gente se vê n texto. E me lembrei de uma amiga que um dia me disse que não estava preparada pra ser mãe, ao que eu respondi:
    - Filha, nenhuma mulher está preparada, pois cada filho é uma surpresa.Nenhum é igual, nem mesmo gêmeos. Então cuida do teu filho com todo o teu amor que a experiência é enriquecedora.
    E não é mesmo?

    Beijinhos nocê amadamiga.

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  2. Como não gostar e se identificar com esse texto? Lindo!Adorei! beijos às duas,chica

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  3. Olá, RÊ!

    Para além de linda homenagem à figura da mãe, este texto é também um inventário detalhado e cheio de graça das tarefas associada à "função"...

    Bom Domingo e boa semana.

    Beijinhos
    Vitor

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  4. Olá Rê!
    É um bonito texto sim! E ... deveras real!!
    Quando nasce um bébé nasce uma mãe também, apoio a moção (se ela existir!) mas ... então e os pais ?!! Tadinhos!!
    Bj, boa semana.

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  5. Realmente lindo o texto, Regina!
    No papel de mãe, digo que nem precisava tanto... e eles lá, julgando sempre que não fazemos mais que a obrigação.
    _ cadê minha cueca, Mãe?
    _ E esse suco que não sai?
    -Tia, minha mãe esqueceu a lição de casa!
    No papel de professora, digo que este personagem, quando não preenchido pela genitora, é logo ocupado por alguém desavisado, que nem sabia onde se metia. E agora faz melhor que a própria mãe.

    Grande abraço em sua mineirice.

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  6. Que Lindo! Tão verdadeiro! Tão simples e real!
    Encantador seu texto!
    Quando nasce um bebê, nasce uma leoa, capaz de caçar um mamute se preciso for...
    Muito bom!

    abraços

    Leila

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    1. Leila, agradeço sua visita. O texto é mesmo lindo, mas não é de minha autoria. É da jornalista Cris Guerra como escrevi. Beijuuss e apareça mais!

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  7. E eu sou essa mãe.
    Essa mãe como esse texto.
    (Sem modéstias).
    Ótima partilha, Rê. Qualquer mãe de verdade se identifica com esse texto.
    Boa semana
    Xeros

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  8. Nem todo mundo é filho do marido da sua mãe com a mulher de seu pai.
    Mas somos todos filhos da mãe...

    Beijos.

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    1. Nossa Bruxo, estava com saudades docê. Pensei que tinha acontecido algo...que bom que reapareceu!
      Beijuuss

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  9. As mães, como todos, também se vão...
    Mas, suas lembranças ficam para sempre!
    Bjs, Rê!

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  10. Oi, Regina!
    A circunstância faz uma mãe e ela não sabia até aquele dia que podia amar tanto assim... Lindão esse texto!! Obrigada por compartilhar!
    Beijus,

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  11. Querida amiga

    Talvez seja por isso,
    que mãe e amor
    sejam definições perfeitas
    para a palavra esperança.

    Que por onde passarmos,
    deixemos o desejo do reencontro...

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  12. Obg, querida Rê, por esta fabulosa partilha.
    Hoje, especialmente hoje, parece que adivinhei que havia uma postagem que me cabia bem na minha pele de mãe (o meu filho completou mais um ano de vida e escrevi a propósito...)
    Meu beijo :)

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