Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

COM A AVÓ ATRÁS DO TOCO



Hoje acordei com a avó atrás do toco. Pode-se traduzir por “levantei de mau humor”, “levantei de pé esquerdo”, “hoje, tome cuidado comigo”. E não nos acuse, a nós, mineiros, de enigmáticos ou herméticos. Há pelo Brasil muita expressão esquisita. Mas elas dão sempre com a sopa no mel.
Não sei como começou esta expressão, apenas sei que é antiga e que eu a uso para definir quando amanheço com alguma coisa me incomodando e pressentindo o dia. Confesso que preferia não ter esse aviso prévio, mas sempre se faz... Esse dia de cão! Qualquer um tem. Eu também. E foi hoje, segunda-feira, dia 08 de setembro, o meu "dia daqueles". Daqueles que a gente quer esquecer, daqueles a respeito dos quais não é bom falar, daqueles que a gente gostaria que virassem fumaça, algo insignificante, pequenino, um nada. Falando assim, percebo o ridículo da situação. A vida em si já é tão fumaça que passa, já tem tanto sem-graça. Por que tratar de irrelevâncias? Fecho os olhos e respiro. Então, uma risada brota no fundo do meu peito. Acho estranho o som cristalino. Fico sem graça como quem ri num templo ou num enterro. Tão séria e, agora, explodindo em risada?... E passou! Não há choro nem vela. Estou leve agora. A propósito, gosto de uma frase de Clarice Lispector, que convida a confiar: "faz de conta que estou deitada na palma transparente da mão de Deus". É bom o conforto dessa imagem. Agora, vou tomar uma taça de vinho chileno e assistir a um filme na TV, com direito a cafuné (pois é) e moletom velhim esquentando a friagem desse dia. É assim que eu transformo um dia daqueles.

12 comentários:

  1. E é esse o tratamento que temos que dar aos dias que insistem em nos encher o saco... Melhor não valorizar as intempéries,né? Adorei te ler, a imagem tri legal. Quanto à expressão, vou mandar teu link pra Tina, uma baianinha danada de boa pra entender disso.E quando não entende, pesquisa, coisa que aqui, estou com preguiça,rs bjs,chica e linda semana!

    ResponderExcluir
  2. Well, querida Rê, ainda bem que eu cheguei por aqui agora de noitinha! rss
    Passou, passou!
    E cafuné é bão dimais, principalmente nestes dias friozinhos.
    "Amanhã vai ser um outro diaaaa!"
    um beijinho no ombro bem carioca

    ResponderExcluir
  3. Olá!
    Vim aqui a convite da Chica que lembrou de mim pois sempre falo que adoro expressões populares e suas histórias, uma ou várias
    Vários posts já fiz de coletâneas

    Eu nunca tinha ouvido essa expressão
    Pobre da avó atrás de um toco...rsrsrs
    Não resisti em ir pesquisar e não achei a explicação, mas não vou desistir de pesquisar na internet e de por ai perguntar e de quebra vou de novo por lá (no meu blog) postar expressões postar

    Prazer em conhecer e pra vc dias com alegria e humor de colo de vó, gostinho de bolinhos de chuva, cheiro de terra molhada, frescor de banho de mangueira em dia de sol \o/

    ResponderExcluir
  4. A Tina me chamou e eu cá vim descobrir o que é estar com a avó atrás do toco! Adorei!
    Beijo.

    ResponderExcluir
  5. Vinho e chileno e com direito a cafuné? Apenas acorde todos os dias com a vó atrás do toco, pra se dar a esse desfrute, oxente.
    Abusada vc, viu?
    Virada no raio da silibrina!

    Agora dê conta dessa.

    Beijo, galêga mais linda.

    ResponderExcluir
  6. Olá, RÊ!

    Pois é.Há dias assim, em que mais valia ficar ficar na cama...O que não foi bem o caso deste, já que acabou de forma tão gostosa ... Esta vida é feita de opostos; e se o dia não tivesse começado tão mal, o fim não teria certamente sabido tão bem...
    Beijinhos
    Vitor

    ResponderExcluir
  7. Olá! És uma inspiração! Que mais posso dizer?!!

    ResponderExcluir
  8. Querida amiga

    Às vezes as palavras
    se escondem em nossas vidas.
    Então,
    saímos em busca de inspiração
    nos lugares onde a amizade
    se faz preciosa,
    (lugares como este)
    pois são os amigos
    que guardam as melhores
    palavras de nossa vida,
    para nos devolver e inspirar
    quando estivermos distantes
    de nós mesmos...

    Obrigado por sua generosa amizade...

    ResponderExcluir
  9. Um antigo professor meu da faculdade costumava dizer dizer: "Tem dias que a gente acorda pro crime!" Tudo bem que ele era meio ranzinza, mas sou obrigada a concordar. As vezes parece que o mundo conspira contra você, que injustiça!!!! Mas ainda bem que logo passa, e o mundo volta a sorrir.....
    Beijinhos Regina <º))))<
    Bia

    ResponderExcluir
  10. Oi, Regina!
    Que imagem linda que a Clarice Lispector desenha! Vou usá-la quando estiver estremecida! :D Não consigo acordar tomando vinho, mas em dias nublados ou mesmo frios, nada melhor do que acordar e ficar na cama assistindo um filme e recebendo cafunés... Ah, eu sei que não acordou tomando vinho, mas a torpidez da manhã consegue quase o mesmo efeito.
    Beijus,

    ResponderExcluir
  11. E que bem o transformaste, querida RÊ (quase te imaginei!)...
    Adoro tudo o que a Clarice disse, Sou fã!
    Pois, há dias assim, sem descortinarmos o porquê do desconcerto. Frequentemente até sabemos, mas o certo é que não queríamos sentir esse estado :)
    Bjuzz, querida :)

    ResponderExcluir
  12. Ditado popular Mineiro: Acordei com a "Avó atrás do toco".
    Há muitas décadas atrás a maioria da população brasileiro vivia nas fazendas. O matuto saia bem cedo para o trabalho na lavoura por um caminho chamado CARRIADOR,( UMA TRILHA), com uma matula (saco) nas costas contendo uma cabaça (moringa) de agua e um de comer, quando ele se depara com alguém ( pessoas mais velhas) atrás de um tronco de árvore no caminho fazendo as necessidades. O sujeito assustado e envergonha entra no mato todo espinhoso para contornar e além da vergonha ficava muito irritado com a situação. Daí o ditado. Na minha casa falamos até hoje. rss. Jôsie Paixão- Sorocaba-SP

    ResponderExcluir

Passou por aqui? Deixa um recado. É tão bom saber se gostou, ou não...o que pensa, o que vc lembra...enfim, sua contribuição!

Ocorreu um erro neste gadget