Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

COMPRAS DE NATAL




Então é natal. Vou (Rê)contar para vocês que tenho muita preguiça de tudo que acontece ao longo desse mês. O tal espírito que baixa - só e somente só - nas pessoas, nessa ocasião, então nem conto. A correria, o trânsito intransitável, o sorriso amarelo, os tapinhas nas costas, os beijos sem tocar face (que dirá o coração), as festinhas de confraternização nos locais de trabalho – campo de batalha ao longo de todo o ano -, os presentes, as visitas formais, enfim, "espírito" e alegorias que terminam antes mesmo da virada do ano. Claro que acho lindo ver minha cidade decorada, corais entoando músicas, vitrines criativas, luzes piscando ali e acolá. Propagandas na TV que é pura maquiagem alegria. Apelação pouca é bobagem. E a gente cai. Cai não, esborracha. Mas isso também me faz, curiosidade natalina, perguntar: e o nascimento DELE, é realmente celebrado?  Uma única vez estive presente numa ceia natalina onde, à meia-noite, chegou a mesa central, um bolo maravilhoso, vela acesa, e os anfitriões começaram e todos entoaram um parabéns pra você bacanérrimo! Fiquei procurando pelo aniversariante, feito uma esquecida, lesada, de tão envolvida por esse espírito... Ô vergonha! Mas, não é assim que comemoramos os aniversários, nascimentos?! E logo no DELE o alemão, aquele que afeta a memória, invade nos fazendo esquecer?! Não me cabe questionar o natal de ninguém. Ado ado ado, cada um no seu quadrado! Até porque existem escritores maravilhosos, da nossa literatura, que sempre o fizeram de maneira ímpar. Vou postar ao longo desses dias alguns que selecionei. Vou começar com ela: Cecília Meireles. Já conhecia? Espero que gostem! Eu adoro. Critica de um jeito lindo! Beijuuss – os de sempre... os que mando ao longo de toooodo o ano – procês e claro um Natal Felizzzz!  
Praça da Liberdade
A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.
As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.
Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.
Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços – e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade.
Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade.
Praça da Liberdade
Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que – especialmente neste verão – teremos de conquistar o pão de cada dia.
Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma. Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão.
Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas.
Todos ficamos extremamente felizes! São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias.
Durável apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo. (Cecília Meireles em: "Quatro Vozes", 1998.)

10 comentários:

  1. Minha avó centenária estando presente é a primeira a entoar o Parabéns a Você, e o.
    É pique, é pique
    É hora, é hora
    Ra-ti-bum
    Termina com viva Jesus que é o nosso rei, e ai de quem não gritar bem alto.
    É o nosso Rei.
    Eu acho lindo, só lamento o fato de Jesus ser Capricorniano, essa ninguém merece, poxa não podia ter nascido dia 21 nesse ano então comemoraríamos o Natal e o último dia do ano, da terra, do universo, sei lá.
    Bjs.
    Wilma
    www.cancerdemamamulherdepeito@blogspot.com

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  2. Olá, RÊ!

    De tanto já nos termos habituado a que seja assim o Natal, difícil é imaginá-lo, ou vivê-lo, de outra forma.A tradição tem muita força, e o mais fácil é deixarmo-nos ir com a corrente, não pensar nem questionar muito o que fazemos. Caso contrário tudo perde a graça, e, depois, não ficamos mais felizes por isso...

    Lindo texto: o Natal tornado grande canseira...

    Beijinhos amigos; boa semana.
    Vitor

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  3. Tô aqui rindo da Wilma: só porque é sagitariana, não deixa barato e quer ninguém menos que Jesus de Nazaré como companheiro de signo! rsrsrs
    Pois é: também fujo do tal 'espírito de Natal' o que quer que seja isso. Aqui, na minha casa, enfeito tudo, encho de luzinhas, por causa do Eric e aproveito para fazer muita prece: por nós, pelo planeta, pelos inimigos, os 'deficientes' em amor e tolerância, enfim, a humanidade como um todo. Não compro presentes, aviso para que não me deem porque não vou retribuir. O tempo é uma ilusão do ser humano, mas acho que o sentimento mais bonito desta época é a tal esperança que se renova para um ano que vai chegar. Faço meus propósitos, todos plausíveis - e cumpro! E toco a vida em frente. Mas, que sejamos felizes no Natal são os meus votos! Ameyn. Beijos, Angelinha

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  4. Olá Rê!
    Adoooorei este teu post!!!
    Sabes ... eu penso tal e qual assim como tu, para mim Natal é mesmo assim, o que estraga é esta "simpatia" sazonal falsa da quadra. Realmente o verdadeiro motivo da "festa" fica sempre oculto, escondido por detrás de tantas banalidades.
    Enfim ... valha-nos alguém como tu, para tão bem chamar à atênção simpática e subtilmente para o verdadeiro motivo de tantas ... "luzinhas".
    Bjs, não desejo já bom Natal, porque ainda voltarei.
    Fica bem.

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  5. Ai, adoraria ter te visto perdida no meio das pessoas bacaninhas, sem lembrar o porquê dos parabéns. Gravou não?

    Eu também fico injuriada com esse derramamento amoroso da boca pra fora em épocas natalinas. Tenho certeza que o aniversariante não acha a menor graça na palhaçada superficial.

    Em tu, eu acho graça, e muita. E amo, também muito.

    Beijo!!!

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  6. Penso igualmente a você sobre essa data, esquecem o fato verdadeiro do dia e andam a solta com a hipocrisia....
    Desejo que Jesus nasça todos os dias no seu lar, no meu e no de todas as pessoas.
    Que estejamos mais dipostos a amar, perdoar e compreender...
    E que me perdoem os demais, mas o décimo acabou então não tem presentes...rsss só beijinhos mas de "coração"!

    te adoro.
    bjos

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  7. Ah, eu tb vou cair nessa esparrela, pq tenho netos - nascido e à caminho - e sobrinha recém-nascida aqui em casa neste natal, filhos, pais, irmão, achegados, enfim...eu programei uma forma diferente de presentear a cada um...mostro depois no Tecendo, pq tb entendo que o consumismo roubou, e há muito, o brilho do Natal...descaracterizando a essência, que é o que importa em todas as coisas...

    Bom, sempre, beber de tua sensibilidade, queridona.
    Bjãzão pra tu!

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  8. Sou caipira, Regina! Não sou adepta a badalação.
    E para que sempre acorda às 5 h, ceia é tortura, não festa.
    Um abraço.

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