Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sexta-feira, 6 de março de 2015

OLHAR PEQUENO É GRANDE



Março chegou e com ele um pouco das águas tão esperançadas. Olho desconfiada e temerosa com os rumos do nosso país. Mas, de vez em quando, volta-me uma ideia fixa: A grandeza da vida não se faz apenas das maiores conquistas. Nem das notícias.
O mínimo múltiplo comum de duas vidas pode dar um belo sentido à aritmética da existência. Mas os olhos são treinados para enxergar, sobretudo, o grande espetáculo e acabam não percebendo a emoção das pequenas cenas. Falo de detalhes que trazem felicidade, falo de coisinhas que transformam o dia. Hoje, eu olhei o pequeno e engrandeci a vida. Olhar pequeno é perceber que o corpo não sente dor e que funciona perfeitamente mesmo quando a gente não se atenta. É ter tempo para andar lento e tomar um copo d’água depois da caminhada. Olhar pequeno é saber que matar a sede é uma dádiva. Olhar pequeno é notar que a sementinha plantada há uma semana brotou e saber que é de uma pimenta forte. É ter certeza de que vai preparar com os futuros frutos a receita de Pimenta Tailandesa enviada por um amigo e que vai ter ótimos convidados para comungarem a gulodice. Olhar pequeno é esquecer o macro e focar apenas no pé de jasmim salpicado de brancos delicados que a gente chama de flor. É aspirar ao aroma de olhos fechados e ri porque alguém viu. Olhar pequeno é sentir o cheiro da sombra de uma árvore antiga. Olhar pequeno é ligar para a mãe, pai, irmão, filho, amigo e ouvi-lo recomendar que você deva se cuidar. É não explicar que já se cuida, só para voltar a sentir o sentimento mais antigo de que tem notícia. É fazer silêncio para a grandeza disso. Olhar pequeno é ouvir uma música que já sabe de cor, mas, desta vez, prestar atenção na letra, porque veio como o carinho de uma amiga. Eu ouvi ontem e dizia: “Eu quero aprender os mistérios do mundo pra te ensinar...” Eu quero, mesmo que o mistério seja pequeno. Olhar pequeno é receber palavras de amor no celular e essas palavras fazerem chorar, porque vem de uma pessoa tão especial e querida quanto uma filha. É receber um telefonema de Sampa e ser a irmã perguntando: “Passou a raiva?” É dar boas gargalhadas e, ao desligar, viajar num tempo de ternura – que não é passado nem futuro. Olhar pequeno é saber ler nas entrelinhas do comentário de um amigo o que não veio escrito. É gostar do que lê. Olhar pequeno é estar com alguém que te pergunta sempre: “Já disse o tanto que você é importante pra mim?” É responder que não, só para ouvir de novo. Olhar pequeno é ter certeza de que chá relaxa, que floral faz bem pra alma, que quiromantes mentem de verdade e que o horóscopo está certo – se a previsão for boa. É jogar I-ching e ler todo o Hexagrama 13, mas só fixar a frase: "É propício atravessar a grande água". É jurar que entendeu tudo e que esta é a sua praia. Foi o que eu fiz agora. Quer jogar também? Só entrar no site. Mas volte logo. Tenho algo importante pra dizer: Olhar pequeno é abrir os olhos e enxergar a vida grande!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

TECNOLOGIA NÃO É TUDO!


Primeiro foi o computador. Simplesmente apagou sem nem ao menos um suspiro. Levei para consertar e 24 horas depois ouvi “tá pronto pode buscar”. Fui pegá-lo toda feliz. Era bom demais pra ser verdade. Conserto assim tão rápido?! Cheguei em casa e 1’29” depois de ligado apagou de novo e nem com reza braba funcionava. Voltei com ele na assistência técnica bem P da vida. Arrumar horário para levar, buscar, vaga para estacionar, além de enfrentar um trânsito caótico da “volta às aulas” e quase um milhão de veículos a mais rodando por Beagá. Ninguém merece! Mas enquanto estava no conserto tinha o celular para me conectar não é? Deveria ser. Até que meu mimo resolveu tomar banho na privada. É amados, esse tipo de acidente que você sempre crê que “comigo jamais vai acontecer”! Ocorre sim. Aí fiquei pensando... 
Nunca houve tanta oportunidade de estabelecermos novas relações e de aprofundarmos as que já temos. Multiplicaram-se os canais de comunicação, com celulares, aplicativos de troca de mensagens em tempo real e de qualquer parte do mundo, Skype, Face etc. 
Nunca tivemos tanto acesso à informação – muito mais do que necessitamos ou conseguimos administrar, por sinal. Nunca viajamos tanto. Era de se esperar que já estivéssemos mais sábios, mais receptivos, mais tolerantes, mais respeitosos com a diversidade do mundo e com as particularidades de cada pessoa, com quem nos relacionamos. Era de esperar que pudéssemos, mais do que respeitar as diferenças, conviver com elas, incorporá-las, enxergar nelas uma fonte de riqueza social, cultural, intelectual. SQN (Só Que Não).
No entanto, nunca foi tão difícil se relacionar. A falta de tempo que assola a todos contribui em grande parte, mas escolho chamar a atenção para a escalada da intolerância e de um certo autoritarismo (haja vista as eleições do ano passado) que tem transformado o velho e bom ato de discordar em suicídio social. 
As conversas ficam mais hostis quando não há convergência de opiniões. Em consequência, ficamos mais guardados e menos espontâneos. Perdemos um bom embate de ideias. Como ocorria, por exemplo, nos tempos de DA (diretório acadêmico). Mas, sobretudo, e o que me dá muita tristeza, é que as relações definham com a superficialidade, a falta de acolhimento e de respeito. Só observar o Face. Estamos mais sozinhos. 
Meu objetivo aqui não é reclamar – é convidá-los a virar esse jogo. A responsabilidade pelas relações é de todos nós! Acho que esse é um passo essencial para que tenhamos mais encontros do que desencontros e relações mais significativas com nossos amigos, colegas de trabalho, nossos filhos e nossos amores. Apesar da carência do computador e telefone celular percebo o quanto  é possível viver e que reabriu janelas, antigas, emperradas pela modernidade. Bora lá?!
(Imagem: Google)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ENFIM 2015



Imagem: Karin Izumi
Nunca fiquei tanto tempo sem escrever por aqui. Não era minha intenção. Afinal, janeiro é aniversário do Divã Nosso de Cada dia. Seis anos! Pode parecer pouco para alguns blogueiros de carteirinha, mas para mim é muito. Muitas horas, dias, semanas, meses e anos de partilha... Alegrias, tristezas, lágrimas, sorrisos, torcida, revolta, indignação, apoio, orações e amigos. Sim. Posso dizer que fiz amigos através dessa telinha e que acho isso fantástico: “um show de VIDA”! Com as tais redes sociais percebi que - ano passado - tanto as minhas visitas, como as dos meus amigos aqui, se bandearam lá para, principalmente, o Face Book. Uma certa preguiça da leitura mais demorada, comentar sem ser com emotions requer tempo. Esse mesmo que passa voando e nos espreme entre as urgências cotidianas de cada um. Fazer o quê? Viver. Cada um à sua maneira e fazendo valer seu desejo mais íntimo! Logo no início de janeiro, dia 06, celebrei o dia de Reis que, para mim, é o dia oficial da Gratidão. Recebi um pequeno grupo de amaaados com uma alegria que vocês poderão constatar nas imagens abaixo.
É aprendizagem sermos gratos?

Não deveria ser um momento natural celebrar a nossa existência? A saúde, o alimento, o conforto de uma cama, o trabalho ou a busca de, as paixões, os amores, família, amigos e todas as pequenas preciosidades que trazem alegria à nossa vida?

O que valorizamos? Quem apreciamos? Como expressamos nossa gratidão aos outros?

Seria a gratidão um conjunto de vários sentimentos? Amizade, carinho, amor, bem querência - doses diárias - em nossas ações. Um simples e sincero obrigado ou até mesmo um, embriagado, obriagado recebe como resposta um... De tudo!

(Re) conhecimento de que não somos os únicos responsáveis pela nossa própria condição. Ser grato é (re) conhecer que outras pessoas também participaram na produção de nossa vida. Um pouco de humildade que obriga a reconhecer o outro como parte de nossa alegria. É poder dedicar, compartilhar a graça recebida. Mas, é importante não confundir gratidão com bajulação ou lisonjas, com servilismo. Não há hierarquia na gratidão, não há diferenças. Sentir-se grato, com um sentimento constante de dívida impagável, pode não ser muito saudável. A gratidão é sempre boa na medida da alegria que a acompanha. E a angústia de uma dívida constante carece de alegria.

A gratidão nos lembra do que é realmente importante. Fica até difícil reclamar sobre as pequenas coisas quando somos gratos por nossos filhos estarem vivos e saudáveis. Por estarmos vencendo etapas de dificuldades. Só nos lembramos do funcionamento, ligado no automático, dessa máquina – perfeita - de nome corpo quando estamos na ausência dele. Quantas vezes é preciso quebrar uma perna, fazer uma cirurgia, ficar sem poder alimentar pela via usual para agradecermos os passos dados, as papilas gustativas ou tudo que gratuitamente temos?!

A gratidão transforma o negativo em positivo. Sejamos gratos até mesmo pelos desafios. Tarefa fácil? Claro que não! E desde quando nos disseram que viver o seria?

Agradeço vocês, todos os dias, por me ensinarem a intensidade do privilégio desse (con)VIVER!

Intensidade. Atributo da vida boa. Tão boa que a gente não se dá conta de ter vivido. A relação vivida com o mundo satisfaz tanto que não cogitamos outra. A consciência é plasmada no real. Perde a noção de si mesma.

Na intensidade, desaparece passado e futuro. Porque a vida reconcilia com o presente. É absorvida por ele. Por isso, quando a vida é intensa o tempo passa, e não percebemos. Pelo menos para nós é centelha de eternidade. Presente que não vira passado. VIDA que é um maravilhoso PRESENTE!!! Sejamos gratos. Sou grata por mais esse ano que tenho pela frente e a cada um de vocês: amaaados meus!

 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

2014 VAI SE DESPEDINDO



O mundo gira... (quanta novidade!) Novos acontecimentos e emoções...
Por que sentir tristeza ou tédio? 
Ouça músicas, veja filmes, viva intensamente cada momento! 
Não precisa focar no que distorce e no que fere! 
Aprecie o belo, o sol que nasce todos os dias e o seu despertar. A flor que enfeita um jardim, a criança que sorri ao te olhar. 
Há decepções, contudo há o direito de escolha, de fazer diferente, de manifestar nas ruas, de votar. De denunciar e ter o privilégio de viver em uma democracia ainda e ser livre!
A vida não é fácil mesmo, mas vamos com a certeza de que viver, sempre vale a pena. 
Viver cada esforço, vencer cada luta diária para cumprir nossa missão, fazer o bem e ser feliz!
Embora insistam na guerra, vamos acreditar que a paz no mundo depende da paz que trazemos em nossos corações!
Em 2014, tivemos grandes motivos para sorrir ou para chorar. 
Mas o que importa é que nos tornamos melhores e mais fortes a cada dia!
2014 vai se despedindo e o melhor brinde é pra mim... 
Que mesmo diante de todos os conflitos, problemas, tribulações, lutas e tempestades, RESISTI, e estou aqui combatendo, lutando e me preparando para receber 2015.
E ainda que venham as tempestades, estarei de pé, firme e forte, porque eu tenho um D’us que me levanta todos os dias e renova minhas forças. Sou-lhe gratidão!
E eu creio, ah creio mesmo, que 2015 será o ano da vitória, da colheita: para você, para mim e para o mundo todo!!!
Um natal abençoado com muita luz, amor e paz e até 2015 amaados meus!!!
"Em
tempo
de Festas
desejo a você apenas o tempo.
Que você seja aquele que conduz o seu tempo
e faça dele um aliado,
 para que possa realizar tudo o que desejar.
Que você reconheça a preciosidade de cada instante e,
consciente desta riqueza,
 faça as melhores escolhas.
Que você permita o silêncio habitar no seu tempo,
porque o silêncio  tudo organiza, tudo pacifica, tudo acalma.
Que você se encontre no centro do seu tempo e de lá orquestre a melhor sinfonia:
a sua vida  plena"

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

E DEZEMBRO CHEGOU!



Foi assim, um ano se passou e eu não vi. Mas antes que o final do ano me atropele com sua urgência de faxinas, despedidas, confraternizações e festas, faço uma pausa para mostrar o que trouxe na bagagem. Fico acanhada, porque trago apenas algumas lembranças. Momentos preciosos, de risadas libertas, sem motivo maior. Lágrimas emocionadas. Um dia a dia simples. Depois, o acanhamento passa. Afinal, não convém mesmo carregar muito peso na bagagem. Saibamos andar leves.
A Terra gira rápido. O tempo também é rápido e deixa um rastro. Outras histórias. Que podem ser rápidas, como contos, ou longas epopeias. É preciso passar as páginas para entender a versão do tempo. Cada ano que passa correndo é uma história que se escreve lentamente. Da janela, vejo a vida passando. E lá se vai mais um dia, mais um mês, o ano todo. Curtir é desacelerar. É o que eu desejo pra você no ano que está chegando. Pra você que veio calar pra ver e eu mostrei um pouquinho que seja. Pra você que veio só conferir. Pra você que vem sempre aqui e fala pra mim. Pra você que já passou e não conta pra ninguém. Pra todos vocês, muito, muito obrigada por compartilhar das minhas palavras. Estou aqui. Permaneço.