Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

LARGANDO A BANANA


Ouvi uma história muito curiosa e que me trouxe um certo alívio. Disseram-me que uma antiga tribo africana utiliza um método bastante diferente para capturar macacos.
Como os macacos são muito espertos e vivem saltando nos galhos mais altos das árvores, os nativos desenvolveram o seguinte sistema: pegam uma cabaça de boca estreita e colocam dentro uma banana, amarram-na no tronco de uma árvore frequentada pelos macacos, afastam-se e esperam.
Então acontece o seguinte: quando os nativos vão embora, um macaco curioso desce... Olha dentro da cabaça e vê a banana. Enfia sua mão e apanha a fruta, mas como a boca do recipiente é muito estreita, ele não consegue tirar a banana, segurando-a.
Surge um dilema: se largar a banana, sua mão sai e ele pode ir embora livremente, caso contrário continua preso na armadilha.
Após um tempo, os nativos voltam e tranquilamente capturam os macacos que teimosamente recusam-se a largar as bananas.
O final é meio trágico, pois os macacos são capturados para serem comidos.
Talvez como eu, você deve estar achando inacreditável o grau de estupidez destes macacos, afinal basta largar a banana e ficar livre do destino de ir para a panela. Fácil demais.
O problema deve estar no grau exagerado que o macaco atribui à banana. Ela já está ali, na sua mão. Parece ser uma insanidade largá-la.
Achei essa história engraçada porque muitas vezes fazemos exatamente como os macacos! Você nunca conheceu alguém que está totalmente insatisfeito com o emprego/trabalho, mas insiste em permanecer mesmo sabendo que está cultivando um infarto?
Ou casais com relacionamentos completamente deteriorados que permanecem sofrendo, traindo e sendo traídos?
Ou pessoas infelizes por causa de decisões antigas que continuam adiando um novo caminho que trará de volta a alegria de viver?
Somos ou não somos os macacos?
A vida é preciosa demais para trocarmos por uma banana que, apesar de estar na nossa mão, pode levar-nos direto à panela. Nem sei, mas deve ter sido por milagre que não virei manjar. Insana ou não larguei a banana. Fácil? Nem um pouco!

22 comentários:

  1. Lembrei-me da violência doméstica.
    Quantos casais passam um vida inteira, ou uma grande parte dela, sem a capacidade de se libertarem um do outro só porque têm medo de largar
    a "banana" (Não. Não há aqui qualquer outro sentido, que não o do texto inicial) :))
    Anos e anos vítimas de si próprios/as !
    .

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  2. verdade, no largar a banana é que está o busílis...
    " Olha a banana, olha o bananeiro..."
    beijinho

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  3. Pois é e quase como a mensagem do urso em Solte a Panela.
    Em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes.
    Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
    Solte a Panela.
    Solte a Banana.
    Se solte em quanto há tempo.
    Bjs.
    Wilma
    www.cancerdemamamulherdepeito@blogspot.com

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  4. Ia me escapulindo um comentário jocoso, alusivo ao Xipan... mas larguei a banana a tempo.
    Mais uma alegoria primorosa, Rê. Parabéns.
    Beijo.

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  5. Olá, Regina!
    Esse título é ótimo!!kkkk
    Bjs!
    Rike.

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  6. Pôtakeosparóbas..... Rêzininha do meu core!!

    Podia dar o exempro da macho aranhô da viúva negra " que meRmo sabendo que vai ser comido dispois do coito, insiste na trepada "... rss

    Tinha que falar dos parentes? pôw! Sacanagem mêu.. Avacagá!!!

    Não largar da banana é #FATO, mas dizer que é pra ser comido!! Pusta méldas mêu... Eu sô ESPADA... kkkk

    Depois vem Barcellão com "jocosidades à parte" aí fico desmoralizado.... Só falta aparecer MilenA e acabar de me "dimulir"... kkkk

    Brincadeiras à parte, Eu já conhecia esse costume dos aborigenes... rss
    Amanhã meRmo vou atirar dois macacos véios pela janela e me libertar da cumbuca....
    hehehehehe

    Deussssssssssssssssssskiajude
    Beijos na bunda
    Tatto/Xipan

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  7. Que texto legal e faz pensar, Regina...beijos,chica

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  8. Todas as historinhas que nos levam à reflexão têm esse poder...largar a banana parece tão fácil...a banana fazia dos macacos os reféns da sua dúvida...um costume deles, uma prática nossa...quem já não viveu esse instante louco do "pego/largo" a banana???...as dúvidas são mesmo traidoras, como disse Shakespeare!

    Largando a banana, sigo pelaí...rsrs...até encontrar outra...rsrsrs
    Bjãozão, linda minha!

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  9. Somos os macacos sim Rê!!!
    A tua linha de pensamento é excelente.
    Gostei sabes?!! Dá mesmo o que pensar.
    Bjs.Fica bem.

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  10. Ah, mas a gente tem mesmo essa tendência em ficar agarrada com a banana, como o tal macaco da estorinha.
    Rê, eu tô largando aos poucos, reconheço que ainda preciso me aperfeiçoar mais sobre este tema. hehe
    um beijo grande, carioca

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  11. Os "aborígenes" daqui, como um certo vizinho meu, também fazem tais armadilhas para tentar capturar os micos que volta e meia rondam pela área!
    Felizmente, os bichinhos são bem alimentados e não caem nessa...
    É daí que vem o velho deitado:
    "Macaco velho não põe a mão em cumbuca"...
    Abraços, Rê!

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  12. Querida Rê, parece-me que consegui entender, pelo menos, parte da sua tristeza. Bem por aqui não se vai melhor. Não será bem o mesmo, mas é semelhante. Pois é querida, temos que ter a coragem de largar as bananas que nos podem levar à panela, mas também temos que abrir os olhos do coração para ver as coisas bonitas. Afinal, este é o caminho da vida, ele é uma grande escada que nós vamos subindo, degrau a degrau. De vez em quando caímos e quando não vamos parar ao início, ficamos uns quantos degraus mais abaixo.
    Bem, temos que arranjar a coragem para subir tudo de novo. mas, não nos podemos esquecer que é nesse sobe e desce que vamos aprendendo, ou não (isso depende de cada um), a ser melhores pessoas.
    Somos siamesas sim. Eu sei o que digo. Por isso em nossas quedas e descidas abruptas vamos lá estar, tão longe e tão perto, para nos ajudar, uma à outra, a subir a bendita escada outra vez. Abreijão Tê

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  13. Já tudo foi dito e subscrevo. Não conhecia o costume...
    Acrescento apenas que li os últimos posts, deixando neste os meus parabéns pela fluência de escrita e, neste, a reflexão...
    Bjos :)

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  14. Mas então, largar a banana nem sempre é fácil, mas é possível, né? Por que haverá toda vida quem se aproveite desse apego desnecessário para nos pegar na tocaia... Aí lascou!

    Belezura de texto reflexivo, moça mais linda!

    Beijo.
    Saudades também!

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  15. Interessantes teus posts, escrevo para divulgar o : www.o-cercadinho.blogspot.com Caso queira acompanhar e dar umas risadas,
    será um prazer ter nos visitando lá. O que é o Cercadinho? Segue apresentação para te situares. Em cada relacionamento afetivo, os envolvidos ficam restritos a um espaço, O Cercadinho, onde acontecem as interações. Em algumas fases, está cheio de "queridas", mas em outros, quase vazio. O Cercadinho é o resultado das conquistas amorosas, onde cada um preenche à sua maneira e gosto. Pode ter o critério de cotas e uma de cada: loira, morena, mulata, ruiva e/ou japa. Com faixas etárias e tipos variados. Até monogâmico com apenas uma mulher selecionada. Somos dois homens escrevendo relatos e histórias, sem pretensão literária sobre O Cercadinho. Seco, objetivo e um pouco bagual com sentimentos, assim é Iberê. Apaixonante, cafajeste e trash total, esse o Marcão. Entre no nosso Cercadinho e boa leitura.
    Iberê

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  16. Extraordinária metáfora do homem, de facto!
    É tão fácil ser feliz e tão difícil.
    Gosto de te ler, Rê. És uma inspiração.
    bji gde

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  17. oi! Retribuindo tardiamente uma visita sua.Sou blogueira embora o blog ande às tracas, mas hj achei um recado antigo seu lá... Pois entao, keep in touch e quando vc vier conhecer a terra da Sissi, a gente se encontre pra comer uma apfelstrudel juntas.
    Abracos

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  18. OXE SAUDADES DAQUI
    POIS É COMO SOMOS MACACOS NÉ RE?
    ESSES DIAS TENHO PENSADO MUITO COMO EU DEMOREI PRA LARGAR A BANANA E CORRER PRA UMA VIDA LONGE MAS COM UM POUCO MAIS DE DIGNIDADE E PAZ.
    TALVEZ FOSSE COMODO TER FICADO POR MUITO TEMPO SENDO UM MOVEL DE UMA CASA UM DAQUELES QUE AS PESSOAS NÃO SE DESFAZEM POIS JA FAZEM PARTE DA MOBILIA E É UTIL PARA O BOM ANDAMENTO DAS COISAS.
    PASSAMOS A VIDA RECLAMANDO DO QUE DEVERIA TER SIDO FEITO ..MAS SABE ESTOU ORGULHOSA DE MIM
    LARGUEI DA ZONA DE CONFORTO COMO DIZ MINHA FILHA SAI PRO FRONT E SABE COMO AVIDA FICA MELHOR NA BATALHA COMO FICA MELHOR COMBATER AO INVES DE ESPERAR RESULTADOS EMBORA SEJA CANSATIVO DEMAIS O OPERCIONAL DO FAZER É CONSATIVO POR DEMAIS COMPARADO COM O DO ESPERAR ..FAZER..
    CULPA ALGUEM POR NÃO TER FEITO .
    REAGI RE
    LARGEUI DE SER MACACO POR UM TEMPO...
    ESTOU NO OLHO DO FURACÃO MAS GENTE VIU?
    GENTE GRANDE.
    ADOREI ...
    VIM AQUI E NÃO FOI A TOA ..SABIA QUE TINHA ALGUMA COISA PRA LER ..QUE ME FIZESSE MELHOR HOJE
    BEIJOS ANJA RE

    SAUDADES SEMPRE..

    OTILIA

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  19. Amei o texto, e me serviu de lição, acho que todos nós temos que refletir e perceber realmente o que é melhor para a nossa vida...Fácil? Não!
    Só os nossos erros nos ensinam a viver...mas sofremos pelas nossas atitudes impensadas ; damos valor a certas coisas "exageradamente; largar a banana não é fácil...rs
    Adorei todos os comentários. Foi ótimo te ler, nossa!
    Beijo.

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  20. Olá, RÊ!

    Obrigado pelas palavras simpáticas de boas vindas; um prazer ler.

    Este texto já conhecia, mas não no sentido de metáfora com que aqui é tratado, aplicado a ser humanos - e que encerra uma grande dose de verdade. Ainda que ache que seja bem mais fácil ao macaco largar a banana, do que ao ser humano ...

    Boa escolha; dá para nela meditar.

    Bom fim de semana; beijinhos amigos.

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  21. Minhamadailuminada...
    saudada de tu!!!
    Macaco velho não mete a mão em cumbica, dizia o ditado lá no " muuuuito longe" pois agora eu duvido mesmo q idade signifique experiência.
    Só o Xipan Zécá rsrs.
    A gente tá no trânsito,leva uma " fechada", olha: é macaco novo? Não! é velho garotão!
    o sujeito e a sujeita se submetem a todo tipo de absurdo para mostrar status.
    eu não acredito muito que atualmente as pessoas vivam relacionamentos "insuportáveis" , se o fazem é porque não apareceu a cobra do Éden a lhes fazer trocar seis por meia dúzia.
    a maioria dos casais q vivem juntos...lá no fundo estão juntos , mesmo reclamando ou traindo porque são feitos da "mesma massinha podre ":
    se igualar na essência , talvez na estupidez macacal de que é melhor uma banana na mão que enfrentar a selva livre. puro comodismo.
    como o macaco é um nível superior ao homo sapiens.... estamos no caos!!!
    depois desta filosofia barata(q já é outro bicho), eu ando sobrevivendo depois que tirei a mão da cumbica blogueira e facebuqueira, vi até a lua!!!
    só sentindo falta de tu e dos amigos q me conquistaram o coração!!!!!!!!
    beijos, gata!!!!

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  22. Estava lendo e lembrei do Xipan agora deu crise de riso com o cometário do mesmo! Um abraço e um Feliz Dia Internacional das Mulheres ATRASADINHO MAS COM CARINHO!

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