Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

domingo, 26 de agosto de 2012

NA ESCUTA


Se montar um cavalo selado e alado tornou-se fácil, apear dele requer treinamento. Não é fácil retornar ao cotidiano depois de alguns dias de puro deleite. Então, dou permissão para que os acontecimentos evoluam da maneira que tem que ser. Não, definitivamente não me deixo à mercê deles. Se esse é um ano de mudanças, compreendo e aceito que nada é imutável... Até mesmo as piores limitações agora podem ser mudadas em oportunidades. Às vezes, não é a limitação que precisa ser mudada, mas o medo da mudança em si. Acorde. Preste atenção! Sinta o que está acontecendo com você... Você está diante de uma tremenda oportunidade de crescer. Esses sussurros, finalmente, ouvi! E você? Anda escutando o quê? Nunca gostei de despedidas. Tem gente que lida bem com elas. Eu não. Adeus não dou. E tchau sai de fininho que é para voltar bem rápido! Nem sempre é assim. Demora uns tantos meses, às vezes anos, para retornar. Isso quando volta! Só nos cabe aguardar sem nenhuma garantia. Gostava que tivesse pelo menos alguma. No que diz respeito aos filhos então... queria todas. Essa escola que ensinou, a dar asas para eles voarem, não devia era ter frequentado! Agora não tem mais jeito. Voaram e estou aqui, vivenciando esse tal ninho vazio. Se você é uma mamãe descolada, que sabe lidar lindamente com essa síndrome...PARABÉNS! E não venha me cobrar, com olhar de decepção, que  eu deveria saber por ser psi. Sou com eles MÃE! Não acho graça nenhuma e já mandei Gibran catar coquinho na esquina com o seu sábio: Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vem através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem... Será que o poeta teve filhos? É tudo muito lindo na teoria. Na minha prática materna me pertencem sim! Não me importo com essa ilusão. E é com ela, realidade colorida que estou atenta nessa tremenda oportunidade de crescer. Eles, filhotes amaaados, e eu. Que venham os dias, meses, até o retorno... A gente sobre_vive!

20 comentários:

  1. Essa coisa de ser psi e dar conta de tudo com maestria é um devaneio que as pessoas têm, no geral...somos iguais na dor, no dissabor, na alegria, na saudade, nos conflitos, nas dificuldades, nos dias que nos trazem tudo de bom, de mau...sou solidária, Rê...o ninho vazio deixa a gente cheia de emoções conflitantes...no meu caso, os netos acabam sendo um presente precioso que desvia desses sentimentos, pq demandam tanto amor e cuidados que não sobra muito tempo pra esquentar esse banco vazio...e quando nele me sento, aprecio o desfile de todas as lembranças que ficaram e que fizeram de minha existência, uma felicidade imensurável...

    O tempo devolve pra gente sentimentos desconhecidos, minha amada...e uma certa tranqüilidade no trato com essas emoções...logo, logo eles retornarão, ainda que não voltem pra vida de antes (outra possibilidade a ser encarada, né não?)...o que não muda é o que a gente sente, e isso fortalece a gente!
    Bjãozão, irmiga tb nisso...aff...rsrs

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  2. Sempre legal te ler! E olha,nessa de dar adeus sou bem experiente. è fooooooooogo ver nossos filhotes voar, ir em busca de seus onhos. Aqui em casa tenho no momento apenas um longe, mas há um tempão. Agora quando ele fala em vir nos visitar é uma alegria,Porém três dias antes dele retornar, começa o sofrimento. Quando ele embarca ,estamos com cara de abóbora de tão inchada. Um horror. Há coisas que não acostumamos.


    O bom é que sabemos que estão bem!! beijos,te cuida! chica

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  3. Olá regina!
    Tenho um "Fiotão" de 26, que quase voou p/ exterior (bolsa). Um emprego/estágio de última hora o deteve. Até quando?
    Este tal amor desgarrado, tanto você como Psi ou eu como Peda, o temos na teoria. Em nossa prática de mães, vem o ditado: "Na prática, a teoria é outra!".
    Meus respeitos a todos os leitores,
    Cri.

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  4. Ai amadinha Re.
    Ser mãe não é padecer no paraíso coisa nenhuma... Também não concordo com o Gibran ... tem algo muito mais forte que qualquer cordão umbilical que não desfaz de jeito nenhum.
    Mas...........a dita da vida faz o que tem que ser feito.
    Que bom ter eles lá seguindo o caminho deles, dando asas aos seus sonhos e nós aqui com os braços cada vez mais abertos esperando o retorno...
    Temos que sobre-viver sim, pois eles esperam ter onde colocar os pés na volta e esse retorno não tem o que pague.
    Guenta amiga....força....

    Meu carinho e meu beijinho

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  5. Tem gente que acha que médico não pega gripe...
    Abraços, Rê. Mantenha as asas abertas e o ninho aquecido.

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  6. A escuta é uma das tarefas mais difíceis de entender e perceber. Para mim, é a palavra do momento. Adorei o texto!

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  7. É André que está indo, desta vez? E Dani, não está na hora de voltar? Bom, pelo menos há o Max, netinho que requer cuidados, para preencher alguns espaços vazios. hehehe Só alguns, porque os fundamentais ninguém preenche, não é mesmo? Mas andorinha que aprendeu a voar, jamais volta ao ninho: passa de vez em quando por lá, para reafirmar suas origens, e depois voar em direção a outros cenários. Pobres mães, que amam tanto, fazem tudo e depois... solidão! E, ainda assim, vibram com os voos da prole. Faz parte, Rêzinha. E que Deus nos dê entendimento. Beijos, Angelinha

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  8. Ola Regina é com grande prazer que através do querido Leonel venho te conhecer e á teu excelente blog.Sendo ele uma pessoa por demais estimada em nosso meio,acredito sim que a força de nossa corrente irá ter pleno exito,ainda mais contando com teu solicito apoio.Seguindo sempre.Um grande beijo.

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  9. Você, feito Clarice Lispector, quer viver de exceções, né? Apeie desse cavalo, mulher! O bichinho quer descansar, mas logo estará de volta, com a criação (sua) montada nele. Daqui a pouco o ninho se ocupa de novo... Enquanto isso, sinta saudade alegre.

    Beijo!

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  10. Amadinha Rê!
    Passei por isso e sei bem como é pra lá de esquisito, nossos corações tem dias que ficam vazios, dói uma saudade, canta uma tristeza e só tem alegria se a gente tem a certeza da esperança que um dia eles voltam ao ninho.
    Mas, o Gibran disse uma coisa certa, não adianta negar, um dia eles vão, assim como nós fomos.
    Fica triste não, fia, o novo dia logo vai nascer e virá mais alegre!
    Um abraço apertado, carioca.



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  11. Que Gibran vá catar coquinho na esquina e eu também devia ter faltado a todas as aulas.
    Minha caçula mora em São Paulo, sniff...
    As vezes me pergunto porque minhas asas de mãe tem que ir diminuindo no passar do tempo!
    bjs
    Jussara

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  12. Regina,

    Eu sou filha de europeus.
    Com 18 anos minha mãe me deu um presente: dinheiro para ir até o Ministerio do Trabalho tirar a carteira e ir à luta. Quanto eu estava com 21 anos, ela voltou para a Alemanha, me deixou o apto desejando "tudo de bom". Eu sou mais coração mole... manteiga!

    Tive que me adaptar, aprender, a ficar longe de minha pequena filha. Não porque queria isso, mas porque este Brasil é injusto mesmo. Chorei muito muito muito muito muito mesmo!

    Ahhh... as lagrimas!!!!
    Pois bem, dedicamos tanto: fazemos malabarismos, triplas jornadas, educamos, damos de comer, colocamos para dormir, levamos na escola, cobramos as lições, doentes (eles e nós) cuidamos com devoção, saimos em dias de sol ou debaixo de temporal, cozinhamos, lavamos, passamos e costuramos.

    Sabe Rê, no início da separação quando minha filha ficava 1 semana lá e outra cá, eu ficava desorientada. Tão perdida, não sabia o que fazer, então nada fazia. O tempo é cruel e passa ra-pi-di-nho. Só que quando as lágrimas pararam de rolar, comecei a me questionar: e eu?! por que nao estou fazendo nada por mim?!

    Eu sei que dói, porque nós mães sentimos falta, são contrações de saudades dolorosas, etc... mas a vida flui e precisamos aprender. Não é consolação, é fato. Não haverá um dia sequer que não sentiremos saudades.

    Ainda bem que podemos desabafar, cada uma, neste blog, em outros, nos cantinhos fraternais do Facebook, vamos trocando experiências. Só que mesmo separados de nossos filhos precisamos continuar sendo um bom exemplo de coragem e de renovação.

    Altos e baixos existem para todos: jovens e velhos. Que eles se orgulhem de nós, porque mesmo longe vamos construir as pontes das aproximações.

    POR FAVOR, quando a minha filha crescer e disser "tchau mamae", podem me lembrar das minhas palavras?! Espero que eu assine embaixo e sorrindo!

    BEIJOS




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  13. Deve ser mesmo difícil ver esse voo de despedida...enfim,,,faz parte né....beijos e uma linda semana pra ti amiga...

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  14. As sindromes chegam e a gente cuida, embala, escuta e faz do nosso o silencio deles!

    Parabéns a ti também, Colega. Que a mim, tambem dá gosto!

    Grande beijo!

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  15. Um dia maravilhoso pra ti minha amiga,,,,beijos e flores...

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  16. Casa de ferreiro, espeto de pau...
    Os profissionais da psiquê também ficam encucados...
    Essa "síndrome do ninho vazio" deve ser mesmo difícil de superar!
    Mas, realmente, o Gibran Khalil parece que não teve este dilema...
    Bjs, Rê!

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  17. Que coincidência ler aqui este belíssimo texto sobre o voo das nossas crias, quando escrevi sobre o voo da minha.:)

    Amei este texto.
    Deixo um beijo, querida Rê, hoje mais apressado para poder visitar a todos os que me/nos querem bem e descansar.:))

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  18. Regina

    Texto bem elaborado que todas as mães se identificam. Depois de cortar o cordão umbilical os filhos infelizmente tem que ser preparados para voar e essa é a triste parte da nossa história. A minha filha ainda vive comigo, mas já pressinto essa sensação do ninho vazio que você está passando.

    Mas a gente toca a vida em frente.

    Um lindo dia para você.

    Bjs.

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  19. Riqueza de texto em conteúdo, com uns toques de boa disposição...

    Bjo :)

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