Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

DASDÔ_RES NOSSAS



Amanheceu cinza. Nem um raiozinho sequer de sol. Talvez de madrugada o céu traduziu a cor que me encontrava e produziu – solidário - esse novo dia. Numa conversa matinal falamos de dor e amor. Porque amor e dor são indissociáveis. Entre os seres que amamos, quais são os que consideramos insubstituíveis e cuja perda provoca dor? Quem é esse outro eleito, que faz com que eu seja o que sou, e sem o qual eu não seria mais a mesma? Com que fio é tecido o laço amoroso para que sua ruptura seja vivida como uma perda? O que é perder o amado e sofrer a dor de amar? Tantas questões não é Denise?! Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo, no presente. Passada ela fica na memória. Passa a morar no passado. A dor só consegue ser apreendida e apaziguada quando a ela se atribui valor simbólico. Atribuir sentido à dor, portanto, não seria absolutamente propor uma interpretação forçada para sua causa, nem mesmo consolar o sofredor, e menos ainda encorajá-lo a atravessar sua dor como experiência formadora que fortaleceria o caráter. Não, atribuir um sentido à dor, significa fazer um acordo, tentar vibrar com ela e, nesse estado de ressonância, esperar que o tempo e as palavras a dissipem. Ontem fui dor.  Hoje o dia amanheceu ensolarado... Cheio de cor. Bem-vindo!

17 comentários:

  1. Oi RÊ!!!

    Passando pra deixar um bjo especial pra vc...

    Fabi

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  2. E assim é! Saber aceitar as altwernâncias nos faz crescer. Um dia estamos " lá no chon", outro sabemos pular e saltar,nos alegramos novamente, mantendo o caminho...

    beijos,chica e lindo dia ,de preferência com um lindo brilho do sol interior...

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  3. Irmiga Querida, Estou sem tempo, passei só para deixar abraço/beijo Grande.
    Para sua amiga Denise, terá que viver as 5 fases da dor, não poderá fugir de nenhuma, sob pena de não se reerguer totalmente.
    É assim, neste breve "segundo" da nossa vida terrena. Não há como saltar etapas.
    Torça aí por favor, com toda essa energia colorida, desse país maravilhoso, por a minha pequena amiga Marina, filha e neta de amigos queridos, tem apenas 3 anos, vai ser operada amanhã, pela enésima vez, esperemos que seja a última e que morra o cancro "Neuroblastoma. Dois cirurgiões, um deles neuro-cirurgião, vai retirar os bocados do maldito de entre as vértebras.
    Junte sua à minha energia e à de todos os que amam essa menina e essa família lutadora, corajosa, sorridente, que aproveita todos os momentos, para reunir amigos e "sorrir"
    Jinhos Grandes

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  4. Sempre aprendo um pouco mais, lendo seus textos. Adoro!

    Bjo, querida Rê :)

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  5. Oi Regina!
    Passei para agradecer a visita em meu cantinho e lhe desejar bastante serenidade...
    Até breve,
    Um respeitoso abraço,
    Cri.

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  6. Pois é. A sabedoria popular nunca falha. "Nada como um dia depois do outro" é aforismo perfeito para os momentos de dor. Intensa como a conheço, sei que vai fundo neles, como em tudo o mais. E quando sai, vê que o sol continua nascendo, cheio de luz e cor. Ótimos dias para você! Beijos, Angelinha

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  7. Pois foi uma conversa "filosófica", pontuada por suspiros e gargalhadas, emoções diversas e divertidas, numa sintonia fina de pensamentos e histórias conhecidas, um tecer-sem-fim de considerações que vc resumiu tão lindamente.

    A gente às vezes não se reconhece quando olha para trás ao se ver hoje, pq esquece de considerar que a vida é feita de relações com "o outro", e esses outros fazem com que sejamos o que somos, e por conta dessas vivências, não somos mais as mesmas pessoas...por essas e outras, a gratidão por todos que contribuem para essa metamorfose é o reconhecimento dessa construção orquestrada pela presença em nossas vidas - e da nossa na de todos.

    Que o sentido seja o bálsamo de todas as dores...parte desse teu lindo comentário no Tecendo rendeu esta tua bela reflexão...fico com os ecos do afeto explícito envolvido na conversa, Rê...isso não acaba aqui...rsrsrrs

    Bjãozão, minha amiga querida!

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  8. Disso eu entendo o suficiente para saber que não entendo quase nada. E não se trata de ironia socrática, é perplexidade mesmo.
    Mas sei que ler as reflexões dessas penúltimas gregas me traz um pouco de reticências para fazer companhia às minhas interrogações. Isso é bom?...

    Beijos às duas.

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  9. Seria como chamá-la, a dor, a um tete-à-tete e dizer-lhe "minha querida, cá estamos nós duas, vamos tentar conviver, mas depois você promete ir embora?"...

    Ah, essas coisas da alma. Ah, esse coração que cansa de saber a certeza da razão, mas não consegue lhe dar ouvidos.

    Sigamos assim, tentando lidar com a bipolaridade do tempo e esperando que os dias de sol sejam mais frequentes.

    Beijos, meu bem.
    Esteja boinha.

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  10. A dor vem e vai, o problema é quando a gente fica com saudade dela e fica sempre trazendo de volta!
    Um lindo dia de sol.
    bjs
    Jussara

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  11. ...Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo, no presente...
    nesse momento não se sabe nada, doí e não tem lenitivo capaz...
    o pior é quando essa dai se instala e ocupa o tecto do seu viver, não tem como né??
    mas vamos filosofando o sol e o sorriso, vivendo ,amando viver ...
    bjo

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  12. Bom dia, querida Rê!
    Cheguei meio tarde para comentar este post, mas de repente era este tempo necessário para que quando eu aqui chegasse, toda esta dor, tua e da Denise já tenha passado, e assim espero.
    O dia amanheceu cm um frescor absoluto, um céu azul de setembro e a chegada de novos tempos.
    Que seja lindo seu dia e muita força é o que lhe desejo.
    beijos cariocas



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  13. Que cada dia te traga um novo sol, num céu azul de esperança e ânimo!
    Beijos, Rê!

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  14. Oi, Regina!!
    Coração apertadinho aqui! Nem sempre é fácil passar pelos blogues e comentar. Tenho que ter tempo, pois gosto de ler o texto e participar dos comentários, daí me pego me emocionando com histórias de gente que não conheço.
    Dias de sol, dias cinzentos... a natureza é mutante! Nossos humores também são e, se em um dia estamos tristes porque um amor se foi, no outro, podemos fingir que fez bem ele ter ido embora. Porém, saber que alguém padece de uma doença e talvez incurável, sendo essa criança, me corta o coração, pois penso na dor de toda a família e em especial dos pais e irmãos. Que a pequena Marina, pela enésima vez, supere sua dor! Beijus,

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  15. Minha querida

    Um texto que explica bem o sentimento da dor, que felizmente nem todos os dias é igual, há dias que amanhecem menos cinzentos.
    Gosto sempre de te ler.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  16. Oi. Tudo blz? Estive aqui dando uma olhadela. Legal. Apareça por la. Abraços.

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  17. Como a Ângela diz, nada como um dia pós outro...as vezes temos a sensação que o dia não amanhecerá tamanha a dor, mas ele vem, devagar, sorrateiro e aos poucos consegue dissipar um pouquinho da nossa dor, nos abre novos horizontes!!! Fica em paz minha amiga! Um grande abraço!!

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