Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

SÁBADO NA SAVASSI

Sábado fui a Savassi, coisa que não fazia há muito tempo, comprar algumas coisas que a gente sempre fica adiando pq. o tempo não dá e pq. na realidade não são imprescindíveis. Amanheceu friozinho. Saudade daqueles tempos que, por aqui, o outono/inverno fazia a gente tirar os cobertores, blusas de lã, casacos do armário e andar todo mundo chique pelas ruas.
Entrei numa loja para comprar uma meia e enquanto a vendedora me atendia, algo na moça do caixa fez minha atenção se desviar. Era sua feição. Para as 09h30minh da manhã, o dia mal começando, seus olhos tristes, sua boca como a de um palhaço denunciava sua tristeza, sem tinta vermelha. Enquanto a vendedora foi ao estoque pegar minha numeração, não resisti e lhe perguntei: você está triste?
Seus olhos, imediatamente, cheios de lágrimas foram resposta. Não me contive e comecei a dizer intuitivamente (?):
Olha, não sei o porquê de você estar assim, mas algo me mostra que é por relacionamento. A história já chegou ao fim? Pergunto. Porque se não se esgotou, você vai ter que concluir para seguir em frente!
Ela me ouvia com atenção, sem dizer nem sim, nem não. Só lágrimas... Percebi que estava no caminho certo e continuei...
Diariamente ouço em minha clínica relatos de infelicidade, sempre atrelados aos parceiros. Homens e mulheres acham que não são ninguém, sem o seu Príncipe Encantado ou sem a Mulher Ideal. E esse sentimento de autodesvalorização acaba vindo à tona no relacionamento que estabelecem. A totalidade e a plenitude que sempre procuram, no outro, não existe! Se há uma solução, é aprender a deixar de buscar essas coisas fora de nós, no outro, e procurar aceitar a nossa incompletude. Apaixonar-se por si mesmo e pela vida que se tem é imprescindível, para que assim possam se apaixonar por nós.
Cria-se tanta expectativa em relação ao outro que deixam de ver realmente quem são. Telefonemas aguardados, torpedos sem resposta, promessas não cumpridas, idéias contraditórias, atrasos, mentiras encobertas e descobertas, jogos de sedução, regras a cumprir, desgaste total! Em nome do quê? Felicidade? Quando somos felizes conosco, não necessitamos de estarmos felizes só por causa de um outro! Quando chegamos a esse estágio, a lágrima derramada tem um outro sabor... Sabor de bem vivência, bem querência, de vida!
Terminei minha falação ouvindo um generoso e emocionado obrigado (?!) e saí da loja, sem entender muito bem, com tudo aquilo que ali deixei e dali carreguei: muito além das meias.

Um comentário:

  1. Você consegue como poucos enxergar a alma através dos olhos... Foi assim comigo em nosso primeiro 'encontro'... E com essa moça... Tenho certeza que suas palavras serviram de consolo para ela, assim como serviram um dia para mim... "Errar, acertar... Mas nunca desistir de tentar..."

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