Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

SONHO BOBO

O coração estava que era pura dor. Num pedaço dele um amor que se desfez e do qual, ainda se despedia. Esteve ligado àquele homem por alguns anos de afeto manso e tranqüilo. Coisa alguma poderia lhe tirar este fato. Durante esse tempo, ela se sentira como alguém que caminha por um vale colorido, sem montanhas e abismos, o ar claro, o sol aquecendo, sabendo exatamente o que a esperava. Seu amor havia alcançado aquela condição de certeza sem surpresas, livre dos sofrimentos do ciúme, da posse e das dúvidas que são o inferno dos apaixonados. E era isto que ela deixava para trás. E por isto ainda sofria.
Numa noite estranha encontrara um outro homem cuja imagem, por razões que ela não podia compreender, despertara das cavernas da sua memória uma outra cena cheia de mistérios, de perfumes exóticos, de penumbras eróticas, onde crescia o fruto da vida. E ali, na porta do banheiro, num beijo pedido-roubado, nesta nova cena que se refletia nos olhos sorridentes daquele homem, ela se viu como uma mulher diferente, de corpo jovem dotado de asas, pronta a voar pelo desconhecido.
“Foi tudo tão bonito, mas voou pró infinito. Parecido com borboletas de um jardim”.
Apaixonara-se pela bela cena que via como aura mágica, em torno daquele rosto. Apaixonara-se pela sua própria imagem, refletida naquele olhar. Queria tê-lo para poder ter-se deste modo intenso que nunca antes experimentara.
O que aconteceu naquele instante ela nunca pôde compreender: “me faço de menino, mas eu sou teu homem, fazendo besteirinhas pra te provocar”.
Período de constância e quietude, mas sempre a fazendo lembrar que nada é fixo, tudo é passageiro e, portanto tem um valor relativo. É a calma dentro do movimento, é o desapego, pois tudo é efêmero.
Borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu”.

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