Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sexta-feira, 7 de junho de 2013

ONEOMANIA

Nunca fui pessoa de acumular. Muito menos consumista. Claro que nos tempos de orçamento folgado não precisava optar entre uma blusa nova ou jantar fora, num restaurante bacanérrimo, com os amigos. Jantava vestida de “me achando” com a blusa. Escrevo porque ando assustada com esse consumismo desenfreado. Escrevo por ter sido instigada, novamente, com uma propaganda que diz: você não precisa, mas quer! Pois é. Época de quereres transitórios. De tamponamento de faltas reais que impedem o aparecimento do verdadeiro desejo. Esse que move cada um de nós e que jamais é satisfeito. Não precisamos e queremos o que não temos, mas assim que passamos a ter, aquilo já não nos interessa mais. O objeto adquirido fica velho no ato da compra. Já faz muito tempo que viver não é só estar vivo, como era nos tempos das cavernas. Viver já virou algo bem mais sofisticado do que manter o coração batendo: é dar significado às coisas e ir muito além do essencial. Na base desse consumo exagerado está a insatisfação permanente do ser humano, a sensação de que sempre falta algo. Enquanto escrevo, ainda, tropeço em coisas que comprei sem pensar e sem saber por quê. Uma raquete elétrica de matar mosquitos e pernilongos. Um único dia de uso e nem um único pernilongo morto. Talvez me falte pontaria... sei lá. Está no armário desde então. Um pote de proteína para os cabelos, caríssimo, e que o cabeleireiro afirmou que eles estavam carecidos que só! Esqueceu de prescrever vitaminas e sais minerais. Era provável que teria comprado. Os cabelos? Continuam os mesmos, mas o bol$o... quanta diferença! E ficaria aqui, no consumo do tempo, listando mais e mais. Sua lista anda de que tamanho?
“Coisas são só coisas
Servem só pra tropeçar
Tem seu brilho no começo
Mas se viro pelo avesso
São fardo pra carregar.” (Chico César, compositor, De uns tempos pra cá)
Fico pensando que insuficiência de recursos (né Milene?) anda servindo para alguma coisa: desse fardo to –quase- fora! Carrego, cada dia mais leve, o que cabe em mim.
P.S: oneomania - nome difícil para uma doença cada vez mais comum: a compulsão por compras.  
Imagem: http://karinizumi.wordpress.com/ 

  

16 comentários:

  1. Oi querida e amada Rê,

    Fome em vários formatos rsrs...
    Mas realmente a mais difícil de "matar" é sem dúvida a da alma, que ainda bem, não se contenta com consumismos!

    Beijo, um FDS excelente e meu kandando atravessando tanto mar

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  2. Realmente o consumismo tá crescendo, muito!! Na minha família, bem diferente do que fomos criadas , tenho consumistas e vejo as barbaridades... Pena!

    beijos,lindo fds!chica

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  3. Pois, e eu ainda não tenho no meu armário um daqueles kits elétricos para massagem, que na época me custou uma fortuna e eu garrei um ódio "ni mim" por causa dele, que guardo só pra me punir? A gente tem dessas coisas burricidas.

    Rezininha também é cultura. Não conhecia o palavrão.

    Um beijo, meu bem.
    Consumamos só o que for preciso,s né não?

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  4. Não sei se porque sempre aprendi a viver dentro de orçamentos mais ou menos justinhos - embora no momento a justeza seja quase um aperto... rsrsrsrs - não sou consumista. Acho que tenho poucos buracos na alma, graças a Deus! Claro que eu gostaria de ter um cadim a mais para fazer umas viagens e também para poder ajudar algumas pessoas, mas não sofro por isso. Outras coisas preenchem este vazio: o filho, os amigos, a música, os livros, o fazer cotidiano, o Cascata de Luz e mais uma tantas coisinhas.
    Reta final de vida e o mais importante é mesmo a paz de espírito. Beijinhos de sua Litle Angel

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  5. Puxa, não conhecia o termo! Gosto de aprender contigo e outros por aqui.
    Mas, como dizer que não consumimos quase nada, se o mundo atual é regido por isso apenas, pelo consumo e quando falamos consumo é tudo, porque se antes consumíamos, por exemplo, uma sobremesa simples que é goiabada com queijo, hoje estamos atrás de receitas elaboradas e cheias de itens.
    Eu também já cai nesta esparrela de cabeleireiro, comprei um shampoo para deixar o cabelo mais platinado, só que o bendito deixava o cabelo cinza. Tá lá, esquecido no box faz tempo!
    O pior dos consumos hoje em dia é o tecnológico, as pessoas não conseguem ficar mais do que um ano com um carro, com um celular mais moderno que o outro e coisas desse gênero. Meu marido espanta amigos quando veem que seu carro, novinho e bem cuidado, já tem mais de 5 anos, ele adora o carro e não tem problemas, por isto não vê razão para trocá-lo. Meu celular é daqueles basiquinhos, porque não gosto de falar naquilo em ambientes públicos, apenas o necessário, quando quero bater papos com uma amiga é de casa, deitadona no meu sofa e no meu telefone fixo.
    Sei lá, este mundo tá mesmo ficando chato, haja vista que em todo lugar que você vai lá fora, por exemplo, são as mesmas lojas, as mesmas marcas, tudo igual e gente pra caramba, comprando, comprando.
    Vou te enviar um texto legal sobre este tema, mas deixo aqui um comentário feito por um jornalista estrangeiro que percebeu esta loucura dos brasileiros em comprar, principalmente carros novos. Veja:

    "Em um breve e irônico post publicado nessa semana na revista americana Forbes, o jornalista Kenneth Rapoza endereçou críticas aos consumidores brasileiros: "Não há status em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge Durango. Definitivamente, vocês estão sendo roubados"."

    beijinhos cariocas




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  6. Oi, Regina. Eu não sou consumista, absolutamente. Sou tão pouco que até a mim irrita. E não é pão-durismo, é falta de vontade mesmo de sair comprando a torto e a direito. Sou enxuta nos meus gastos. rs (Podia ser enxuta, também, na minha figura, mas qual! rs).
    Minha 2ª filha era quase que compulsiva nas compras, sem ter aprendido nem comigo nem com o pai, mas depois da filha modificou muito seu modo de gastar.
    Principalmente as propagandas, as facilidades de crédito, são os responsáveis por esse loucura que tomou conta da maioria das pessoas.
    Beijo!

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  7. Também já comprei muita coisa que nem sequer usei. O arrependimento bate, é inevitável. Muitas vezes o impulso é o inimigo declarado. PS: forte a frase da foto. bjs e bom fim de semana.

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  8. E os lixões só crescendo...
    E os ferros-velhos inchando...
    E a Natureza sofrendo...
    E as pessoas comprando...


    Beijos, moça.

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  9. Olá, RÊ

    É um desejo natural,consumir - "a que será difícil resistir" - nesta sociedade de consumo. E que deixará de fazer sentido quando levado ao exagero - e as outras complicações mais para quem tiver pouco dinheiro e também pouco juízo...Com aconteceu por aqui...e agora estamos todos metidos num grande sarilho, de que não sabemos como sair, se alguma vez o conseguirmos...

    Tema muito oportuno,Rê, agora que parece ter chegado a vez duma larga parte do Brasil ter sido apanhada por esta doença...

    Beijinhos amigos; bom fim de semana.
    Vitor

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  10. Pois é Re!
    Conheço gente que falta o de comer mas o carro ta na garagem, como pode né?
    Bj
    Sol

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  11. Regina querida.
    Tire essa raquete do caminho, guarde bem, você irá usá-la, e muito, quando vier aqui em casa.
    O uso correto.
    Pode amenizar a culpa de uma compra indevida.
    Ontem, talvez pela proximidade de mais uma intervenção cirúrgica, fiquei aqui pensando, o que realmente é importante nessa vida.
    Ao mesmo tempo que observava "Piões", centralizando uma piscina de quase 500 quilos pela segunda vez, no muque.
    Porque o dono, o que eu chamo de feitor moderno, detectou alguns milímetros fora do nível.
    Feliz é quem tem força e saúde, para carregar.
    Isso não tem preço, liquidação, ou barganha.
    Vibre por mim na manhã de segunda-feira dia 10.
    Beijos
    Wilma

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  12. Regina,

    Tambem nao sou consumista, gosto muito de passear nos shoppings, olhar, olhar, apenas olhar.

    Alias, onde moro atualmente, quanto menos ter é melhor, visto que dá mofo em tudo!

    Beijos

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  13. Com saudade venho desejar um Domingo na paz de Jesus.
    Um encontro de carinho para desejar um lindo Dia,
    Beijos no coração carinhosamente ,Evanir.

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  14. Olá Rê!!
    É tão bom te ler!!!!
    Quanta verdade dizes minha amiga ... quanta!
    Mas enquanto não descobrir-mos o que nos falta realmente, essa vontade do ... inútil continuará, continuará!!
    Bj, bom domingo.

    obs: AAADDDoooreiiii os ... pernilongos, eita!!

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  15. Conhecedora dos "truques" publicitários, nunca fui demasiado consumista. No entanto, sempre havia algo pela qual me deixava seduzir mesmo não precisando. Estou já numa fase bem mais moderada!!!

    Subscrevo teu texto...

    Bjo :) :)

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  16. Rê, é incrível que meu comentário seja só isso, mas, essa tal raquete de matar mosquitos comigo funcionou maravilhosamente...por três dias!
    Depois,ainda encontrei o vendedor e troquei por outra que funcionou por mais dois dias, e fim!
    Claro que não encontrei mais o vendedor...
    Quanto ao amor, continua a nos fazer sorrir, chorar, dizer e fazer besteiras...
    Bjs!

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