Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

domingo, 20 de maio de 2012

TATU-BOLINHA


Era no jardim da casa de minha mãe que vivi grandes brincadeiras de infância. Lá descobri a caça aos tatuzinhos. Aqueles minúsculos bichinhos me encantavam com seus inúmeros pezinhos que nem por isso aceleravam seu jeito lerdo de caminhar. Quando se sentiam ameaçados fechavam-se numa bolinha proteção e quase nada os faziam reabrir. Passava horas olhando quando é que dariam, novamente, o ar de suas graças. Cansava e era só meu olhar se distrair que quando me lembrava deles, já estavam lá seguindo seus caminhos. Essa era a maneira natural, tempo próprio de retomar suas vidas e que nunca descobri quando, como ou o que os faziam desembolar. Outra era forçada. Quando os meninos, perversos polimorfos, acendiam um fósforo para esquentá-los... Ô dó! Instalava-se desde aí a guerra dos sexos. De um lado as histéricas gritando e implorando um pouco de amor e do outro os poderosos machões mostrando quem mandava no pedaço. Tinha me esquecido desses tatus-bolinhas, e o quanto ocuparam minha infância, até essa semana. Na avaliação com fisioterapeuta, após muitas perguntas e exame físico, disse-me ele:
- Poxa Regina, a gente nem pode triscar em você que já se fecha como um tatu-bolinha.
E continuou mostrando minha postura para dentro, envergada, quase totalmente fechada e implodindo. Aconteceu algo nesses tempos? Perguntou-me ainda.
Penso que ocorreram “algos”.  Como acontece na vida de todo mundo. Sei que estava caminhando pelo jardim da vida quando fui triscada, dolorosamente, umas tantas vezes. O porquê que, dessa vez, me fechei bolinha sei não. Nem imaginava a existência dessa minha capacidade. Se está sendo de forma natural, respeitando meu tempo interior, a saída do modelito bola também não sei. Uma coisa posso afirmar: palito de fósforo aceso (telefonema, email, convite pra sair, visitas, abraços...) na alma nos ajuda a sair da casca! Já acendeu um fósforo hoje num tatu-bolinha/amigo(a)?

20 comentários:

  1. Hoje também acordei assim, fechada qual bolinha...cheia de medo, mas espero que o dia ainda me permita acender o fósforo e sair da casca, encher-me de força, como ontem e ir à luta.
    beijinhos, Rê querida

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  2. P.S: é possível acender o fósforo na sua própria carapaça?:)

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  3. Hora de virar a página, ensaiar o sorriso mais bonito, recompor o coração e ensina-lo a bater novamente. Mágoas, rancores e decepções são deixados de lado na medida em que percebemos que o mundo não pára pra esperar a gente acordar e decidir viver.

    Tudo simples, nada fácil. Só quem cai e se machuca sabe o tamanho do seu ferimento, o tempo que levará pra cura-lo, o quanto dói.(...)


    Bjs.

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  4. Ai ... tatu bolinha, quantas acompanhei pelo quintal de casa.
    Soube de crianças que pegavam pra comer, credo!!!!!!!!!!!!!!

    Lembrando desse tempo, me veio a lembrança que eu queria ser como eles, ir calmamente para algum lugar e me fechar quando qualquer um tentasse me invadir.

    Já acenderam muito fósforo na tentativa de me obrigarem a ser diferente do que sou. Machucou muito.

    Ainda tenho meus momentos tatu-bolinha. Quem não entende me acha muito esquisita............ E, sinceramente? Também eu.

    Beijinhos enroladinhos RE

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  5. Olá, Regina!
    É só uma tempestade, dái a necessidade de "se agasalhar", mas logo vem o arco-íris e tudo passa! Mas mesmo assim estou aqui na chuva, de guard-chuva, te esperando sempre!
    Bjs!
    Rike.

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  6. Eu gosto muito da linguagem metafórica, ela constrói a realidade desse jeito doce que vc fez, sem chicote e autoflagelo...

    Rê, acho que todos nós já vivemos, em alguma medida, esse esconde-esconde, esse recolhimento, essa defesa, esse ensimesmar-se...e, como disse Zizi, nossa amada, tb já tivemos uns tantos palitos a agredirem nossa forma, desconhecendo detalhes que nos explicam muito bem...estas dores e recolhimentos são o ensaio da vida enquanto a tecemos nas "expervivivências" a forma nossa, individual, se SER.

    Amei e vou carregar comigo esta metáfora, ela vai ajudar uns tantos por aí...enquanto isso repito o chá (aff, que gosto forte, mulédedeussss) e tento sair deste cativeiro repleto de cóf cóf's...e aguardo, SEM MEDO!!!! (te amo, queridona!)

    Bejãozão procê!

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  7. Nem sempre estamos interiormente disponíveis para empreender esta descoberta mais profunda e, por isso, solitária - da pessoa que somos.

    Beijo meu.

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  8. Crueldade com os bichinhos, tô fora!
    Mas cutucar com e-mails para despertar uma amiga sumida, eu já fiz muitas vezes, e não me arrependo!
    Acho que valeu a pena!
    Bjs, Rê!

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  9. É que às vezes a gente se atrapalha entre acender o fósforo ou ser o próprio tatu-bolinha. Mas é inerente à condição de estar vivo, não somos uma coisa só, né? Somos tantos e feios e bonitos e humanos.

    Beijo, Rê.
    Beijo!

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  10. É tão insignificante a luz do Sol
    Quando uma criança chora
    É tão imenso o sentimento
    De quem não quer ir embora

    Já despontaram todas as flores do mês de Abril
    As hortências ainda dormem nas colinas da ilha
    Este mar tem no ânimo a calmaria
    Há sonhos que se desbotam da maravilha

    E há um sítio para onde não levo ninguém
    Onde tudo acontece sem raiva ou desconfiança
    Neste sitio descanso minha atormentada alma
    E planto sorrisos regados de esperança…

    Doce beijo

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  11. Que bom te ver, tatuzinha,
    Desembolando, afinal!
    Estica as pernas! Caminha!
    O mundo é o teu quintal!


    Sejas leoa ou estejas tatuzinha, a gente te ama. Beijão.

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  12. Lindo, lindo este post!
    Com que então Tatus-bolinha é?!!
    Cá chamamos bichinhos carpinteiros (não sei porquê!).
    Mas de fato também foram meus amigos de infância, hoje ainda brinco mais as filhotas com eles.
    Esta forma de os (nos) comparar tem o seu nexo. Realmente por vezes fazemos como eles, nos fechamos e enrolamos todos (eu faço muitas vezes).
    Tal como eles, também nós sabemos descobrir quando a "costa está livre", como, quando, porquê?!!
    Deixemos a mãe natureza reservar pelo menos alguns dos seus lindos segredos.
    Bjs, fica bem ... Tatuzinho!!!!!

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  13. Regina,
    depois de tantos comentários lindos e profundos quase mais nada resta para dizer...
    somos tatus quando temos esse maravilhoso dom de sentir...
    dói e tb é prazeiroso quando as nuvens se desvanecem...
    beijo n. a.

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  14. Oi Regina..
    Muito, mas muito bacana esta sua postagem.
    Amei mesmo..esta metáfora que voce criou.
    Acho que todos temos em determinada fase da nossa vida esta "síndrome do tatu bolinha".
    Não acho que seja ruim..acho que faz parte de um processo.
    O que não podemos é esquecer da nossa essencia... e saber a hora
    de sairmos deste estágio..
    Nuito feliz em te ler..
    Bjinho..e obrigada pelo carinho!!

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  15. Oi, Regina. Comparação mais do que apropriada. Tenho me sentido um tatu- bolinha nos últimos meses. Mas nem mt em relação a sair, mas aos sentimentos mesmo. bjss

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  16. As vezes nos sentimos assim, fechados, enrolados,,,coisas da vida...da paz que precisamos sonhar infinita dentro de nós...beijos querida...bom dia pra ti.

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  17. Olá, RÊ!

    Acender fósforo, não... que isso não se faz, é maldade... como a Rê disse no texto; escolho mandar um abraço, esperando que possa ajudar a sair da carapaça em que se enfiou.
    A historia que a Rê conta, lembra-me os ouriços, que se comportavam exactamente como esses bichinhos, quando se sentiam ameaçados: Fechavam-se enquanto se sentiam em perigo, e ficavam ali como uma bola redondinha, eriçada de espinhos.
    E eu acho que os humanos se fecharão pelas mesmas razões; instintivamente, como forma de auto-defesa.
    E que tal como os ouriços também se abrirão quando ganharem confiança para prosseguir o caminho.

    Beijinhos amigos, fique bem!

    Vitor

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  18. Que legal essa história da infância e os tatu-bolinhas e o bom é que resgataste os bichinhos, agora sabendo usar melhor dos teus "poderes"...

    Muitas vezes, quando não quero fazer algo, me recolho. Sou bicho do mato e pra me levarem à uma festa, nem te conto"! Precisa ser das booooooooas mesmo, senão, fico no nosso mundinho tranquilo... beijos

    ( ainda não descobri como não recebo tuas atualizações no Reader, como recebo de todos que sigo.Arre!! ) beijos,chica

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  19. Querida amiga

    Há nas metáforas
    escritas com vida,
    ensinamentos preciosos
    que nos devolvem a vida...

    Que os sonhos te acompanhem sempre.

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  20. Querida amiga, hoje parece que esses "bichos bolinha" não existem mais, quando eu era criança vivia "torturando" os bichinhos rs. Aproveitando que hoje é dia do abraço, receba um grande e afetuoso abraço. Beijocas

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