Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

DIVÃ E FREUD

Recebi em fevereiro, das mãos de uma cliente, essa crônica. Freud ocupa em mim um lugar muito especial (independente de minha profissão e apesar dela) e a(s) possibilidade(s) que criamos a partir de uma análise, só mesmo se submetendo. Resolvi postá-la para dar uma certa continuidade ao Divã. Os negritos são meus. Bom proveito!
FREUD SE EXPLICA- (Zuenir Ventura/O GLOBO/31/01/09)
Por obra e graça de uma amiga psi, acabo de receber um texto raro que vale a pena ser lido ou relido, apesar de velho. Trata-se da famosa entrevista dada por Freud ao jornalista americano George Viereck, em 1926. Na impossibilidade de transcreve-la na íntegra, selecionei trechos em que ele explica e se explica. Já septuagenário, o pai da psicanálise começa dizendo que setenta anos ensinaram-lhe a “aceitar a vida com serena humildade”. No entanto, a prótese no maxilar corroído por um câncer e uma certa dificuldade de falar parecem tirar-lhe muito dessa serenidade, deixando em seu lugar uma irônica resignação. “Detesto o meu maxilar mecânico(...), mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.”
Quando entrevistador e entrevistado passeavam pelo jardim da casa, Freud “acariciou ternamente um arbusto que florescia”. Falavam de fama e posteridade. “Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto”, revelou o psicanalista. “A fama chega apenas quando morremos e, francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não é virtude.” O jornalista lhe pergunta, quase afirmando:
“Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?” “Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.” Em seguida, enumera o que aprecia: “A companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr-do-sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?” A seguir outras pérolas do pensamento freudiano:
- Nossos complexos são a fonte de nossa fraqueza; mas com freqüência são também a fonte de nossa força.
- O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós. A morte é a companheira do amor. Juntos eles regem o mundo.
- A psicanálise torna a vida mais simples. Adquirimos uma nova síntese depois da análise.
- A inteligência num paciente não é um empecilho. Pelo contrário, às vezes facilita o trabalho.
- Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, praticada por leigos(...). Alguns de meus melhores discípulos são leigos.
- Compreender tudo não é perdoar tudo. A tolerância com o mal não é, de maneira alguma, um corolário do conhecimento.
- O objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.
- Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana. São tão mais simples! Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego.
Já eu, septuagenário em quem o impulso da vida é maior que o de morte, prefiro a companhia dele, Freud, à de qualquer animal. Um cachorro, por exemplo, seria de fato bem mais simples, mas dificilmente daria uma entrevista tão interessante quanto essa.

3 comentários:

  1. Ei.Tudo bem?
    Adorei todos,mas este foi bom para o meu momento, acho que já estou enclausurando novamente...
    Aí pensei e o nosso prosseco.
    Vamos marcar?
    O dia dos namorados com o feriado, o que prevaleceu foi as festas dos solteiros.Quem sabe o ano que vem...

    lucia

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  2. Olá meu nome é Cristiane, sou estudante de psicologia, e estava procurando uns textos sobre psicanalise e achei o su blog. Gostei tanto dos textos que vc escreveu de psicanalise, é uma leitura tão gostosa de ler. Uma duvida, vc é psicologa?
    bjs e parabens pelo blog!
    cristianevilla@yahoo.com.br

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  3. Cristiane seja muito bem-vinda!
    Sou psicóloga, psicanalista, especialista em Psicologia Hospitalar e Neuropsicologia. Fico muito feliz que tenha gostado do que andei escrevendo nesse um ano e meio de blog. Pretendo dar maior ênfase nesses temas que pratico, vivo há mais de 25 anos. Apareça quando quiser, será sempre um prazer enorme recebê-la aqui no nosso Divã.
    Beijuuss n.c.

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