Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Homossexualidade - Introdução

(Dedico esse e os próximos posts a todos oCor do textos meus amigos e, principalmente, clientes, que me fizeram e fazem aprender todos os dias).


Em todos esses anos de clínica sempre me surpreendi quando recebia e ainda recebo, pais de crianças, que quase sussurrando, contavam que estavam trazendo seu/sua filho/a porque estavam preocupados com a maneira de ser dele (a):
Ele é muito sensível, gosta muito de brincar com meninas, se interessa por assuntos de mulher...”
“Ela não tem a menor vaidade, só gosta de usar calças compridas, de esportes brutos, lutas...”
“Ele é muito afeminado...”
“Tem solução não tem?... A terapia pode dar um jeito nisso, né?”

Já com adultos, sempre, a “confissão” só ocorre depois de algumas sessões, carregada de uma angústia e revestida de uma culpa, que sempre exigiu de mim cuidado maior no estudo.
Muito já se escreveu sobre o tema (só pesquisar na internet) e não tenho a intenção, de num blog, aprofundar ou esgotar o assunto. Esses posts serão pequenos pinçamentos para informar, esclarecer e contribuir para um assunto, que mesmo no século XXI, ainda é tratado com preconceito, ignorância e violência.
Origem do termo:
O termo “homossexualismo” foi proposto, em 1869, pelo médico húngaro Benkert, a fim de transferir do domínio jurídico, para o domínio médico essa manifestação da sexualidade. Antes do século XVIII, a palavra “homossexual” era utilizada nas certidões de nascimento de gêmeos. Quando do mesmo sexo, eram registrados como “homossexuais”. A “homossexualidade”, como doença, só foi excluída do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana) em 1973, após calorosos debates. Há quem argumente, entretanto, que tal decisão foi puramente política.
Devido ao radical ismo presente em homossexualismo, que remete à doença, optou-se pelo uso da palavra homossexualidade.
É importante lembrar que sob o ponto de vista legal, a homossexualidade não é classificada como doença também no Brasil. Sendo assim, os psicólogos não devem colaborar com eventos e serviços que se proponham ao tratamento e cura de homossexuais, nem tentar encaminha-los para outros tratamentos. Quando procurados por homossexuais ou seus responsáveis para tratamento, os psicólogos não devem recusar o atendimento, mas sim aproveitar o momento para esclarecer que não se trata de doença, muito menos de desordem mental, motivo pelo qual não podem propor métodos de cura. Existe uma infinidade de teorias psicológicas e biológicas tentando explicar a origem da homossexualidade. As teorias psicológicas, assim como as biológicas são abundantes em opiniões e afirmações. Entretanto, nada de definitivo foi apresentado até o momento. Irei abordar do ponto de vista psicanalítico e sob a vertente na qual acredito e desenvolvo meu trabalho clínico.

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