Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

HOMOSSEXUALIDADE EM FREUD


Ao percorrermos a obra de Freud, encontramos vários trabalhos teórico-clínicos, em que a homossexualidade é discutida. Destaco: Os três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905, e sobretudo as notas de rodapé acrescentadas em 1925 e 1920), Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância (1910), O caso Schereber (1911) e Psicogênese de um caso de homossexualismo numa mulher (1920).
Embora algumas ambigüidades existam, o que se depreende da leitura desses textos, é que a homossexualidade é uma posição libidinal, uma orientação sexual, tão legítima quanto à heterossexualidade. Freud sustenta essa posição partindo do complexo de Édipo, fundado sobre a bissexualidade original, como referência central a partir da qual a chamada “escolha de objeto” ou “solução” vai se constituir. Tal escolha, que não depende do sexo do objeto, é à base dos investimentos futuros. Uma vez que os investimentos libidinais homossexuais estão presentes, ainda que no inconsciente, em todos os seres humanos desde o início da vida, Freud opõe-se com o máximo de decisão, que se destaquem os homossexuais, colocando-os como um grupo à parte do resto da humanidade, como possuidores de características especiais {...} Ao contrário, a psicanálise considera que a escolha de um objeto, independentemente de seu sexo – que recai igualmente em objetos femininos e masculinos – tal como ocorre na infância, nos estágios primitivos da sociedade e nos primeiros períodos da história, é a base original da qual, como conseqüência da restrição num ou noutro sentido, se desenvolvem tanto os tipos normais quanto os invertidos (FREUD, 1905, p.146).
Anos mais tarde, 1920, ele deixa ainda mais clara sua posição em relação à homossexualidade:
Não compete à psicanálise solucionar o problema do homossexualismo. Ela deve contentar-se com revelar os mecanismos psíquicos que culminaram na determinação da escolha de objeto, e remontar os caminhos que levam deles até as disposições pulsionais (FREUD, 1920, p.211).
A conclusão que podemos extrair é que tanto a homossexualidade quanto a heterossexualidade são destinos pulsionais ligados a resoluções edipianas.
A visão completamente nova e revolucionária de Freud é sua noção de psicossexualidade, dada em seu texto de referência sobre o tema, Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, onde afirma que, no ser humano, a pulsão sexual não tem objeto fixo, ou seja, ela não está atrelada ao instinto como nos animais. Com isso, Freud divorcia a sexualidade de uma estreita relação com os órgãos sexuais, passando a considerá-la como uma função abrangente em que o prazer é sua finalidade principal, sendo a reprodução uma meta secundária!
Continuaremos no(s) próximo(s) post(s). É preciso certo tempo para assimilar toda a informação. Principalmente declinar essa posição filosófica, derivada do pensamento grego e que postula a existência de inclinações naturais nas coisas. Posição incorporada à tradição judaico-cristã, acrescida da idéia de pecado e que passou a constituir as bases dos valores morais da cultura ocidental.

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