Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

NOVENTA DIAS E UM SONHO

"Recordação é quando, sem autorização, seu pensamento torna a mostrar um episódio”.
“Saudade é quando o momento tenta fugir da recordação para aparecer de novo e não consegue”.
(li ou ouvi em algum lugar e não me recordo de quem é.)

Bati a campainha da Santa Rita Durão três vezes, era o meu toque de sempre.
- É você, Regina?
- Sou, mãe. Abre depressa porque estou apertada para fazer xixi!
Dei um beijo apressado na sua bochecha e fui para o banheiro, ouvindo ela dizer que estaria na cozinha, pois estava fazendo “carne com quiabo”, “tomates reinados”.
- É assim! Desde cedo nessa cozinha. Serviço não falta, uma esfregatina só. É uma para fazer e muitos para comer!
Sorri pensando quantas e quantas vezes, ela sempre cozinhava, reclamava da trabalheira, do dia inteiro passado na cozinha, das dores nas pernas, à noite, enquanto via seu jornal e de como sempre se alegrava com a família em volta da mesa, naquele burburinho todo!
- Tem que contar cabeças e bonetas. Eliana ainda não chegou, vou deixar um prato para ela.
Voltando para a cozinha lhe contei que estive com Mary, que vi Gracy na festa da rua, que Verônica lembrou de uma das suas máximas: “tem que comemorar a vida”, que Pigão ligou convidando para o aniversário de 50 anos, – Já comprou o presente? Esse menino vale ouro! Que Beni chega no dia primeiro de julho - “Traz ela aqui pra lanchar”, que tinha ido à casa do Richard e recebido, além de muitos abraços carinhosos do mais puro amor, uma benção de nome Anderson...
O despertador tocou e por mais que quisesse continuar, percebi que havia sonhado com mamãe. Fechei os olhos, com força, para retomar aquelas cenas que estavam tão reais! Em vão.
Já sintonizada com a realidade das seis da manhã de uma quarta-feira, vi que hoje faz três meses que ela partiu.
Tento explicar, aos mais próximos, que o luto é um longo caminho, que começa com a dor viva da perda de um ente querido e declina com a aceitação serena da realidade do seu desaparecimento e do caráter definitivo da sua ausência. Ausência que se faz presença em outras formas de representações.
Tento explicar o que não é explicável.

3 comentários:

  1. Lindo e emocionante...
    Ontem tentei falar com você mas acho que estava com o número errado.
    Vou te ligar mais tarde para combinar nosso prometido encontro.
    Parabéns pelo Blog, adoro passear por ele.
    Bjos

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  2. Ei Querida

    Adorei te ver na terça-feira aqui em casa.
    Acho que sua luta está sendo vencida dia a dia.
    Não desanime e conte sempre conosco
    Meu marido R, tem um blog, vc crê?
    www.richardlimaarteearquitetura.blogspot.com

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  3. Oi Regina, agora eu também tenho um blog e podemos interagir também por aqui.
    Abraços

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