Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

HOMOSSEXUALIDADE VIII - FINAL

“Se liga aí, se liga lá, se liga então! Se legalize a opção! Deixe ele viver em paz. Cada um sabe o que faz. Deixa o homem ter marido. Deixa a mina ter mulher. Deixa ela viver em pé. Cada um sabe o que quer. O que é que tem demais cada um ser o que é?”
(GABRIEL O PENSADOR)
“O importante é ser você, mesmo que seja, estranho. Seja você, mesmo que seja bizarro bizarro bizarro. Tira a máscara que cobre o seu rosto. Se mostre e eu descubro se eu gosto do seu verdadeiro jeito de ser”.
(PITTY)
Voltando ao tema, relembramos, Freud pensava que:
1. A pulsão não tem objeto pré-determinado no ser humano;
2. Tanto a “homossexualidade” quanto à “heterossexualidade” se desenvolvem socialmente, partindo de certas disposições individuais;
3. Sob o nome de homossexualidade se incluem numerosos fenômenos de ordens diversas;
4. Todos os indivíduos de nossa cultura possuem uma corrente libidinosa heterossexual e uma homossexual; a determinação da orientação predominante depende de uma série de fatores não completamente conhecidos.
Ao chegar ao consultório psicológico, o sujeito geralmente traz consigo o discurso gerado pelo sofrimento de exclusão que pode ser percebido por um mal-estar. Aos poucos sua fala anuncia e denuncia todo o esforço, desprendido ao longo de anos, para camuflar piadas ouvidas, sentenças proferidas e vivências dolorosas de exclusão:
“Prefiro a morte que ter um filho gay”.
“Bicha só se for cabeleireiro, estilista, maquiador. Um doutor? Nem pensar, não confio!”
“Que artista fenomenal! Também pudera, é viado e você sabe não é? Possuem uma sensibilidade ímpar!”
“Esse jeitão é porque ela é sapatão!”
“Só conseguiu esse cargo por politicagem. Imagina se a empresa aceitaria um homossexual?!”.
É importante lembrar que sob o ponto de vista legal, a homossexualidade não é classificada como doença também no Brasil. Sendo assim, nós psicólogos não devemos colaborar com eventos e “serviços” que se proponham ao tratamento e “cura” de homossexuais, nem tentar encaminhá-los para outros tratamentos. Quando procurados por homossexuais ou seus responsáveis para tratamento, não devemos recusar o atendimento, mas sim aproveitar o momento para esclarecer que não se trata de doença, muita menos de desordem mental, motivo pelo qual não podemos propor métodos de cura. Existe uma infinidade de teorias psicológicas e biológicas tentando explicar a origem da homossexualidade. As teorias psicológicas, assim como as biológicas são abundantes em opiniões e afirmações. Entretanto, nada de definitivo foi apresentado até o momento. O indivíduo homossexual não faz "opção" por ser homossexual. Ele apenas é e não pode, ainda que queira, mudar isso. Ele pode sim, fazer uma opção no sentido de negar esse impulso (pulsão) e tentar viver como heterossexual (a pulsão não tem objeto pré-determinado). Mas isso tem um impacto negativo e devastador para seu desenvolvimento emocional. Trata-se de uma situação muito mais comum do que se imagina. O impulso (pulsão) sexual que um heterossexual tem por sua parceira é o mesmo que um homossexual tem por seu parceiro do mesmo sexo. O que muda é o objeto. A questão de ser a homossexualidade um desvio ou não, está mais ligada a fatores culturais, econômicos e religiosos. Todos sabemos que, conforme as necessidades de uma determinada cultura, os valores mudam. Hoje talvez seja mais fácil para nós compreendermos os direitos individuais. Entender que o respeito a eles é fundamental para a qualidade de vida. Talvez seja a única forma de eliminarmos o preconceito e tornar melhor a vida em sociedade (começando com o núcleo familiar). Homossexualidade não é uma doença e, portanto, não é contagiosa. O nosso preconceito sim, esse é contagioso e destrói. Não devemos esquecer que um homem/mulher tem inúmeros papéis e funções em sua vida. Ele é filho, irmão, sobrinho, neto, cunhado, empregado, namorado, aluno, amigo, profissional, tem dons e competências intelectuais e ou manuais. Pode ser homo ou hetero sexual. Não se pode avaliar (julgar) um homem ou mulher apenas por uma de suas características sob pena de perdermos o melhor que ele (a) tem para nos oferecer!

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