Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Júnia me enviou por e-mail, um texto do Padre Fábio de Mello – “A graça de ser só” – com um pedido para que escrevesse aqui no blog sobre o assunto. Nesse texto o Padre fala da questão da vida celibatária e da polêmica em torno do assunto. Penso que, em função das muitas conversas tidas com ela, a sugestão passa por outro lugar – ter ou não um companheiro depois de uma certa idade, casar ou estar só. Em posts mais antigos (relacionamento a dois) escrevi o que vem se apresentando, na minha clínica, com casais, homens e mulheres. Hoje a história é outra: trata-se da escolha de estar só. O fato de não estar casado não priva ninguém do amor. Há uma realidade, descoberta através da maturidade, que o outro não nos completa, que não é o príncipe ou princesa encantada e que não se quer mais ser o depositário do universo de carências, necessidades, iludidas pela imagem que “ele (a) é o meu Salvador”. Casamento, namoro, não resolve os problemas de ninguém e muito menos a solidão. Quantos casais nós conhecemos que estão absolutamente separados? Sozinhos em dupla? Estabelecendo relações extra casamento para suportar o mesmo?
Como é mesmo a palavra utilizada formalmente nos contratos? Cônjuge! Porque é conjugal? Porque viver junto – não me refiro apenas ao casamento contratual tradicional – é conjugar. Conjugar é viver todos os tempos e pessoas dos verbos. É saber ser eu, tu, ele, nós, vós e eles, sem perda da individualidade. Conjugar é viver vários tempos, presente, passado, futuro em várias pessoas. Conjugar é articular a complexidade de cada ser, com a complexidade do parceiro/a. É “com-jugar” e não “sub-jugar”. Para conjugar o verbo amar, é preciso conjugar o verbo ser! O amor é um exercício de felicidade, não de poder. E esse exercício pode ser feito até mesmo na “graça de ser só”.

2 comentários:

  1. Até que enfim achei o caminho.....Uau!!!!!
    Amiga adorei todos os textos. Tenho lido sempre mas como vc ja sabia, a tal sindrome de pia me acompanha e agora consegui enviar a mensagem . Tão fácil e ao mesmo tempo .... a tal burrice...
    Continue. Vó Ju

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  2. "Vó Ju"rsrssrs ainda vou ter que me acostumar...
    Que bom ver um comentário seu! Nada de burrice, amiga, é só treino! E vc, mais que qq uma de nós, é treinadíssima!
    Bjuuss no coração.

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