Só quero alguns enfeites,
como velas diferentes, que sugerem noites coloridas; quero cortinas
esvoaçantes, só para ver o vento dançar no sopro das manhãs. Nas paredes, quero
fotos das pessoas que eu gosto, porque afeto é bom de mostrar. No meu canto,
quero um caderno para os registros comovidos e poéticos do viver, quero um
tapete, flores, almofada para meditar, livros de poesia para me inspirar, quero
o que me move e o que me comove, porque o meu canto vai além do espaço físico.
O canto que eu preparo é, sobretudo, uma extensão do meu coração! Que nesse novo ano tenhamos um canto, recanto, recheado das pequenas preciosidades que nos movem. Sejamos gratos e abençoados. FELIZ 2017!
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
domingo, 18 de dezembro de 2016
Antes que o ano acabe
Um ano passa rápido. Uma gripe também
passa.
O fim de semana passa rápido e a segunda-feira
parece que se arrasta.
Mas não, segundas-feiras passam bem rápido. Quando
você vê, já é terça.
E a terça-feira vai passar em 24 horas,
o que é muito rápido, porque um terço desse
tempo, você vai passar dormindo.
Aliás, é assim que o sono passa e a noite acaba.
É rápido, como os ponteiros dos segundos.
Só é lento quando a gente prende a respiração
num mergulho.
Adulto passa rápido, criança é tempo lento.
Bebês engatinham e, se querem colo, o percurso
fica longo. Bebês pesam,
depois crescem e passam. E toda
mãe acha que foi rápido.
Gastar é rápido. Pagar é lento. É como penitência, como cólica ou
dor de dente, lento como a noite
de insônia e o arrependimento. O
consolo é lembrar que passa. A
Terra gira rápido. O tempo também é rápido e deixa um rastro. Outras histórias.
Que podem ser rápidas, como contos, ou longas
epopeias. É preciso passar
as páginas para entender a versão do tempo.
Cada ano que passa correndo é uma história que se
escreve lentamente.
Galinha chocando, árvore crescendo, goiaba
amadurecendo, rio manso,
boi no pasto, tudo parece parado, enquanto, na
verdade, passa acelerado.
Ter saudade parece que não passa. Aí, basta o tempo de um abraço.
Há tanto se passando agora mesmo: a chuva lá
fora, a água na torneira,
o sol se pondo, o ônibus cheio, a moça na sala, o
menino no quintal, um pássaro, a
nuvem lá no alto... Da janela, vejo a vida passando.
E lá se vai mais um dia, mais um mês, o ano todo.
Curtir é desacelerar. É o que eu desejo para você no ano que está
chegando.
Ser feliz é no plural, porque ser feliz é soma de tudo o que é
grande e, sobretudo, do que é pequeno.
Pequenas coisas do dia a dia, como uma
disposição inédita para a caminhada, que soma ao sol na medida exata, que se
soma à alegria de uma encontro inesperado, que se soma a voltar mais leve, que se
soma a um banho longo e perfumado, que se soma a uma roupa confortável, que se
soma a um gostoso café da manhã, que se soma a um bom trabalho.
Eu vivo tanto
isso que, ao final de mais um ano, tudo o que eu peço é mais disposição para a
caminhada. E agradeço por essa felicidade!
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