Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

GLORINHA AMADA



Faltam as palavras. Impera a tristeza. Mais um gol a favor dessa doença traiçoeira. Fico com o jogo, vividamente vivido por Glorinha, da vida eterna! Deixo aqui sua última postagem, em dezembro de 2011, quando ela diz do amor. Voa Glorinha... um dia a gente se Rê_encontra!


Hoje não quero falar da minha doença ou do que tenho passado ou sequer do que vem por aí...
Hoje quero falar de AMOR. Mas daquele AMOR no sentido mais amplo, mais abrangente, mais transformador.
Gostaria de dar um abraço muito apertado em cada um de vocês, meus amigos e amigas, que têm me mandado sua energia e pensamentos bons, na forma desse AMOR. Gostaria de acarinhar cada cabeça e encostar a minha em cada ombro, ser como um polvo de mil braços e abraçar apertado cada corpo, cada um/a que tem me deixado tão feliz e emocionada a cada vez que leio meus emails ou meu blog.
Passei aqui, rapidamente, para dizer que, apesar de tudo, não perdi a esperança. Que vou lutar, que vou enfrentar e que muito ainda terá que ser feito. Ou, quem sabe não? Quem sabe a cura será rápida e surpreendente?
Como já disse várias vezes, não tenho medo da morte em si, pois acho que a morte é um sono eterno (tomara que eu esteja enganada). Tenho medo e pena de ter que deixar a VIDA. Deixar meus filhos, meu marido, meus amigos, não conhecer meus netos, não fazer o que desejo...Mas enfim, isto não está nas minhas mãos. O que me cabe é ter esperança, enxergar um caminho que possa ser percorrido com a força que tenho em mim e mais o AMOR, ele de novo, que tenho recebido, como dádiva, de todos os meus amigos, amados, parentes.
Não sei como será meu Natal, pois estou impossibilitada de fazer qualquer coisa...o pessoal aqui de casa vai ter que se virar...fazer uma ceia, encomendar, sei lá eu o que eles farão. Nestas horas é que vejo como a dona da casa faz falta, seja para delegar ou fazer o que tem que ser feito. A mãe é a agregadora, como diz minha filha e sei, que estou fazendo falta...
Não vou pensar que este poderá ser o último Natal...vou imaginar sim, que todos vocês estarão ao meu lado neste dia 24/25 de dezembro. Que cada palavra, cada frase, cada mostra de amor por mim, estará aos pés da minha árvore iluminada ou entre seus galhos enfeitados, pendurados como prendas, alegrando o meu Natal.
Quero também, compartilhar um pouco da minha força e esperança, a quem, como eu, vem passando por momentos difíceis: NÃO DESISTAM! Enquanto há vida, há esperança. Olhem para a doença como um aprendizado e entreguem-se ao AMOR. Ao amor por si mesmos, principalmente, e deixem vir, entrar, tomar conta de todos os espaços, o amor dos outros. Ele é um bálsamo curativo, poderoso, que tudo pode.
E que o Natal de cada um de vocês, meus amigos, seja como o meu, cercado de AMOR verdadeiro, cheio de LUZ, celebrado com muita PAZ e UNIÃO.
Esse é o meu desejo. E que assim seja e esteja escrito nas estrelas.
Grande, enorme beijo a todos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

POR TODA SUA VIDA...ALEGRIA

Há dias tenho pensado algo meio bizarro. Se tiver um piripaque qualquer e morro como é que meus amigos de blog vão saber? Quem e como vai avisá-los? Ninguém tem minha senha nem o blog co-autor.  Não gostamos de pensar na morte e evitamos falar sobre ela. O simples pensar gera calafrios ou é como se estivéssemos abrindo as portas para ela entrar. Fiz uma amiga dos tempos que o Divã era bem novinho. Sempre com uma maneira ímpar de conduzir seu espaço e tecer seus comentários. Estava feliz com o lançamento de um livro do qual foi coautora e eu com o sucesso do projeto e da sua felicidade.
Hoje escuto um AVISO DE FALECIMENTO num blog que há muito não visitava. Chegando me deparo com a notícia: Renata, Renatinha amada se foi!  Eu sentindo a dor desse soco inesperado na boca do coração fico com suas últimas palavras escritas aqui:
Obrigada Regina.
Eu ainda tenho que viver o ultimo passo que será receber os livros, nossa acho que aí dispiróco total... vou precisar de um divã!
E carrego comigo para além de seu PASSA.TEMPO...

"É exatamente a hora que devia ser os ponteiros não param por minha vontade, nem posso me transportar para onde queria estar, como são impiedosas as horas, os minutos, cada segundo muda a nossa vida, nossos pensamentos são efêmeros, levam o tempo de ser criado, eternizado ou esquecido tic, tac, tic, tac, tic, tac...
Mesmo que por algum motivo o relógio pare, o tempo não continuará a rodar o mundo, a voar os pássaros, a nadar os peixes, as ondas vêm e vão levando areia e trazendo de volta, o sol nasce e finda pela chegada da noite, assim nada pode deter o futuro que virá presente e torna-se passado e lá fica guardado no inventário do tempo...
São muitos minutos arquivados e cada um deles guarda um sentido de toda vida, do nascimento, do amor, da morte que fecha o documentário de cada um que junto com os ponteiros nervosos e aflitos em não parar chegam a tremer, no movimento da Terra e no piscar dos olhos aflitos ou sonolentos.
Por fim: Tempo...
Tudo que eu tenho é ter tempo sem achar que tenho, quando vejo que tenho não sei como usar por que acho que não vai dar tempo..." (Renata Farias)
Carrego, Renatinha amaaada, Por toda minha Vida...Alegria Joie Joy!