Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

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sábado, 3 de outubro de 2015

Como uma onda



“O crescimento espiritual é como um parto. Você dilata, então você contrai; você dilata, então você contrai novamente; e, por mais doloroso que possa parecer, esse é o ritmo necessário para alcançar o objetivo final da expansão total”. (Marianne Williamson)

E outubro chegou! Veio que veio quente, abafado, repleto de escândalos, com o dólar nas alturas e rosa também. #OUTUBROROSA (não esqueçam amadas!).
Após um período de stress, sempre vem uma fase de bonança e ventura. A história da humanidade é cíclica, já reparou? 
Falo isso porque vivemos hoje tempos de crise, com violência, correria desenfreada, competitividade excessiva, preocupações mil, angústia, insegurança e medo permanentes. 
A instabilidade do mundo aqui fora pode nos fazer adoecer. Mas também não conseguimos viver numa bolha, né mesmo?
No entanto, a sabedoria milenar indiana nos ensina que as coisas são como devem ser. Não adianta espernear, elas jamais poderiam ser diferentes. 
Existe uma força maior que rege o Universo conduzindo os eventos de maneira harmônica, mesmo que, aos nossos olhos, isso não seja compreensível- pelo menos não naquele instante crucial e doloroso. 
Não quer dizer que devemos nos acomodar naquilo que não vai bem: podemos fazer nossa parte pela harmonia do todo. 
Um começo e tanto é mudar nosso padrão de pensamento e, consequentemente, de comportamento. É preciso buscar aprender com cada adversidade – com qualquer situação, na verdade, seja ela boa ou ruim. 
Nas horas de aflição, ajudará muito lembrar que as coisas começam no momento certo e terminam no instante certo, nem um minuto antes nem um minuto depois. Em resumo, vale confiar nas leis do Universo – sem, é claro, perder de vista as próprias ações. Passamos por época difícil nos dias de hoje, mas a boa notícia é que a era de luz está chegando! Esse é o ciclo da vida, afinal. O que precisamos é abrir nosso coração para aceitar que o momento atual é parte da evolução do planeta e da humanidade.
Necessitamos de sabedoria para, quando os problemas parecerem GRANDES demais, não nos esquecermos de que somos parte inseparável e indestrutível de um todo e passamos por igual movimento.
Confie que, durante cada momento de escuridão enfrentado, já estão plantadas as sementes de um período novo e esplendoroso. E falo com experiência vivida na alma e na carne!!!
Quando chegarmos ao ponto de acreditarmos nisso de fato, teremos encontrado a legítima paz interior, aquela que habita dentro de nós independentemente do mundo que nos rodeia.
Daí a importância de mergulharmos em direção ao âmago do nosso ser, para enxergarmos o que se passa ali e sermos capazes de organizar nossos sentimentos.
A realidade de fora reflete o que temos dentro. Se estivermos em paz, o mundo à nossa volta, espelhará as mesmas ótimas condições.
Apenas deixe rolar, vivenciando o presente com atenção e intenção! Para tanto dedique-se a uma coisa de cada vez. E encare os períodos mais complicados como momento de transição, que devem ser aproveitados para crescer.
#Fica a dica: imagine que você naquele instante, está sendo preparado(a) para a fase emocionante que ainda está por vir.
Até lá, esteja presente, seja paciente e sempre, sempre mesmo, consulte o que seu coração lhe revela! Bora lá viver mais um mês?!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

NO CALOR DA VIDA

Não, não abandonei o Divã. É que o calor anda tão insuportável que suga a inspiração da escrita. A temperatura amena das minhas Gerais, clima propício para sarar determinadas doenças, desapareceu há anos junto com nossas montanhas. Sobra secura, moleza, irritação num trânsito infernal e suor.  Sei que esse clima, mundialmente enlouquecido, é a resposta da Mãe Natureza aos atos inconsequentes do Homem. Colhemos o que plantamos, simples assim. Fui informada que esse é um ano de finalizações, realização, emoções, doação e interpretação. A vida está pedindo que acabemos com alguma coisa que já não serve mais a um propósito. Recordações há muito tempo esquecidas surgem de repente e misteriosamente. Elas são provocadas por eventos que acontecem no presente. Mas é impossível estar completamente no presente enquanto metade de nós estiver presa em algum lugar do passado. Não se pode olhar para frente se nossas emoções continuam a nos arrastar para trás. As coisas estão terminando, não começando. Na verdade, nada de novo pode começar enquanto conclusões emocionais necessárias acontecem. Percebo, mais do que nunca, que esse é um tempo de dar! Dar simplesmente por dar, sem nenhuma expectativa de retorno ou agradecimento. Mas não nos esqueçamos das diversas formas de dar que existem. Entre essas se incluem o amor, a generosidade, a aceitação, o tempo, a ajuda e a energia criativa! Às vezes, dar inclui ceder, entregar ou até mesmo renunciar. E só nós poderemos determinar o que precisamos dar e para quem. E lembremos também de que doação requer sempre desistir (abrir mão) de alguma coisa! Vou ali me refrescar, arejar as ideias, e volto qualquer dia desses. Enquanto isso estou doando esse calorão para quem desejar.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

CARIDADE/DOAÇÃO

Fala-se muito sobre doação. Eu mesma chamo assim o ato praticado por todos nós, trabalhadores da Casa do Richard, às quintas-feiras. Nessa última semana precisei relembrar os oito níveis da “caridade”, ou as maneiras de sermos generosos com o próximo, descritos por Maimônides (o grande médico e sábio) num dos textos da *Mishná.
No oitavo e mais baixo nível de generosidade com o próximo, um homem compra de má vontade um casaco para um outro que treme de frio e lhe pede ajuda. Ele entrega o presente diante de testemunhas e espera receber agradecimento.
No sétimo nível, um homem faz o mesmo, sem esperar que lhe peçam ajuda.
No sexto nível, ele faz o mesmo, de coração aberto, sem esperar que lhe peçam ajuda.
No quinto nível, um homem dá um casaco que tinha comprado, de bom grado, mas o faz sem que ninguém saiba.
No quarto nível, um homem, de bom grado e sem testemunhas, dá o seu próprio casaco a um outro.
No terceiro nível, um homem, de bom grado, dá o seu próprio casaco a um outro que não sabe quem lhe ofertou tal presente. Mas aquele que deu conhece a pessoa que lhe ficou devedora.
No segundo nível ele dá o seu casaco, de bom grado, sem ter ideia de quem o recebeu. Mas o homem que recebeu o presente sabe quem merece seu agradecimento.
Finalmente, no primeiro e mais puro dos níveis, um homem, de bom grado, dá o seu próprio casaco sem saber quem vai recebê-lo e aquele que o recebe não sabe quem ofertou. Então, o ato de dar torna-se uma expressão natural da bondade em cada um e acontece de maneira tão simples quanto as flores oferecendo seu perfume.
Aqui existe uma situação muito especial. Imaginem que todas as pessoas fossem generosas com os que estão ao seu redor da maneira como fez o primeiro homem: de má vontade, um casaco comprado, na presença de testemunhas, a alguém que precisa e pediu ajuda. Se todos nós agíssemos assim, haveria maior ou menor sofrimento no mundo? Tempo para refletir...
Menor, claro! É verdade. Algumas coisas tem tamanha bondade em si que merecem ser feitas da maneira que for possível.
Sem dúvida, existem formas de dar que diminuem o outro, roubando-lhe a dignidade e o amor-próprio. Podemos aprender como dar sem tirar nada e com frequência aprendemos enquanto fazemos. E ainda creio que é melhor abençoar “mal” (num degrau mais baixo) a vida do que não abençoá-la nunca! Só mais um lembrete: doação não tem nada a ver com descarte. Quando for doar qualquer coisa para outra pessoa: livros, revistas, roupas, objetos de higiene e limpeza, bijuteria, cobertores, comida, antes faça uma pequena reflexão: isso que eu estou doando pode ser verdadeiramente reaproveitado? Gostaria de receber de outra pessoa isso que estou doando? Não repasse algo pra frente porque você quer se livrar, mas não tem coragem, porque outra pessoa “pobrinha” poderia aproveitar. Se não dá para aproveitar, é lixo.
*MISHNÁ: A Mishná, também conhecida como Mixná (em hebraico משנה, "repetição", do verbo שנה, ''shanah, "estudar e revisar") é uma das principais obras do judaísmo rabínico, e a primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral.(Fonte: Wikipédia)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

SUSPEITAS



 
Imagem emprestada lá da Milene
Suspeito que simplicidade seja a melhor escolha. Suspeito que enfeites demais escondam. Maquiagem também. Suspeito que grilos sejam melhores cantando lá fora. Suspeito que a calma é a melhor amiga da pressa. Que a megalomania é prima-irmã da indolência e que ambas tem horror da humildade. Suspeito que sonho – pequeno ou grande - é inspiração e vontade. Suspeito que o bom da vida é estar em família. Suspeito que pertencer é grande. Suspeito que os mistérios se resolvem nas coisas pequenas. Suspeito que impasses sejam testes de sabedoria. Suspeito que prazer seja aprendizado diário. Suspeito que “é melhor ser alegre que ser triste”. Suspeito que o seu, meu e nosso hoje será lindo!

domingo, 5 de maio de 2013

"ETERNA APRENDIZ"


O calendário mudou. Já é maio de manhãs esplendorosas. Percebi a transformação diária de um cotidiano que insiste nesse olhar. Novidade(s) instantânea(s). A vida do homem enquanto parte também se materializa em relações. Viver é relacionar-se. É estar em relação. Por isso a vida de qualquer um de nós não pode ser analisada pelo que supostamente somos, mas pelo que acontece conosco no mundo. Na medida em que somos efeito do mundo com o qual nos relacionamos. Como, a cada instante, o mundo se relaciona com o nosso corpo, age sobre ele ininterruptamente. Produzindo sobre ele efeitos. Por isso, também para nós, viver em relação é viver em transformação contínua!
Dessa forma, a vida pode ser alegoricamente comparada a uma trajetória de encontros com o mundo. Isso porque, enquanto houver algum vivente, haverá mundo para se relacionar com ele. Inferimos daí duas coisas: a primeira é que o mundo não para de nos afetar. A segunda é que não paramos de afetar o mundo. Diariamente e nesse cotidiano que (re)clama pela singularidade do nosso olhar. Mas nem sempre nos damos conta do mundo que nos afeta. Tampouco do afeto. Do efeito que o mundo determina em nós. Por isso, muitas vezes não percebemos a oscilação de potência de agir que o mundo determina sobre nosso corpo ao se relacionar com ele. Assim, não raro, um encontro nos apequena; e passa batido. E também acontece de alguma coisa - que se apresenta inesperadamente diante de nós - alavancar inesperadamente nossa potência; e também não atinarmos. Talvez, se a gente aumentar a capacidade de nos darmos conta de como o mundo nos afeta, poderíamos entender melhor nossas relações, reações, nossa vida em suma. E dar menos bola para explicações fundadas em outros mundos. PARE-OLHE-ESCUTE e SIGA nessa viagem de viver a vida. É o sinal. Simples assim!  

terça-feira, 19 de março de 2013

AQUI E AGORA



O estudo da história demonstra que na vida tudo é paulatino. Tudo trabalha como um recife de coral: sedimentando, acumulando em camadas sobrepostas. Somos os construtores e o material com que construímos a nós mesmos. Somos memória e vivemos envoltos em lembranças. Tudo o que se fizer (ou deixar de fazer), aprender, sofrer ou ser feliz constituirá a base da estrutura de nosso vir a ser.
Somos transcendentes, inquietos, insatisfeitos e incompletos. Caminhamos impacientes, mesmo sem saber ao certo para que lado estamos indo. A nossa história vem da acumulação. Mentiras, verdades, tudo o que vivemos, deixamos de viver e pensamos em viver nos construiu. Tudo é processo que só cessa com a morte. Mesmo submetidos a esse limite extremo, provavelmente encontraremos nele outra forma inédita de ultrapassagem.
Nada é instantâneo ou fruto de autossugestão. Tudo se concretiza e substancializa pelo processo de que se lançou mão para se chegar onde se está. Os fins já não são mais determinantes como no século passado. Hoje sabemos que tudo o que temos é o aqui e agora. O antes já era e o depois se perde nas infinitas possibilidades da existência. Os meios tornaram-se muito mais importantes que os fins porque se referem ao processo. E descobrimos hoje que o processo existencial é quase tudo na vida. O que estamos fazendo é o que importa e não o que fizeram de nós ou o que faremos.
No diamante estão o carvão, a rocha e a pressão compactante. Na planta, as flores, o pólen e os insetos. No velho estão suas vivências, construções e experiências.
Tudo transcende ao ser ultrapassado, sem deixar de ser si mesmo de uma outra maneira.
(Imagem: Karin Izumi)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ENTRE TAPAS E BEIJOS E APAGÃO

Imagem enviada pelo amigo Leonel. Por que algumas mulheres custam pra dormir?
Cada uma destas bolinhas azuis,
É um pensamento de alguma coisa que deve ser feita,
uma ideia, ou um problema.
Começava o seriado e a cena era de caos. Enquanto uma das protagonistas tentava se localizar num oncontô, oncovô e quemconsô fez-se a escuridão.
Permaneci no sofá, esperando que, rapidamente, a eficiente companhia elétrica restituísse a luz. Mas não aconteceu. Os pensamentos - até então - distraídos pela telinha dispararam...
O mundo em que vivemos talvez seja um mundo de aparências, a espuma de uma realidade mais profunda que escapa ao tempo, ao espaço, a nossos sentidos e a nosso entendimento. Mas nosso mundo da separação, da dispersão, da finitude significa também o mundo da atenção, do reencontro, da exaltação. E estamos plenamente imersos neste mundo que é o de nossos sofrimentos, felicidades e amores. Não experimentá-lo é evitar o sofrimento, mas também não haverá gozo. Quanto mais estamos aptos à felicidade, mais nos aproximamos da infelicidade.
O Tao-te-ching* diz muito apropriadamente: “A infelicidade caminha lado a lado com felicidade; a felicidade dorme ao pé da infelicidade”.
Nosso cotidiano vive sempre em busca de sentido. Mas o sentido não é originário, não provém da exterioridade de nossos seres. Emerge da participação, da fraternização, do amor. Amor quando concebido como fim e meio do viver, dá plenitude de sentido ao “viver por viver”.
Fez-se luz. Ligo o computador e registro esses pensamentos disparados ou seriam disparatados? Não importa. Agora vou dormir... espero!
*Tao-te-ching: livro do caminho, coleção de 81 poemas escritos por Lao Tsé, que constituem os fundamentos do taoísmo.