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| Ou Maria Abana Banha |
A gente sabe que é uma mentira essa estória de que engordamos com os excessos das festas de final de ano. A gente sabe que a verdade se encontra entre o natal até a chegada do próximo natal, ou seja, ao longo de todo o ano. Fico pensando nesses dias iniciais de um novo ano no que deixei de fazer: exercício físico há exatos cinco meses (tudo por conta do tal ombro). Mas me restaram as pernas. Então por que não fui caminhar, caminhar e caminhar? Sei lá! Gostava da academia e de pegar pesado com a turma. É, não agrado de nada solitário. Só de alguns pequenos deleites que agora não vem ao caso. Outra coisa: peguei, melhor, pequei na gula. Minha amiga Angelinha, já apresentada a vocês, passou o ano inteirinho dando dicas bacanérrimas em sua cozinha. Até receitas rápidas, saudáveis, de liquidificador - pra essa cozinheira de meia tigela – me presenteou. Por que não segui? Sei lá! A falta da doméstica pra fazer aquele grelhadinho acompanhado de legumes ao vapor e uma saladinha básica de entrada, serve de desculpa ideal. Percebo que não tenho disciplina. Onde será que perdi? Se é que um dia a tive. É que sinto um prazer em comer que me perco pelos caminhos... Desde um arroz soltinho e bem temperadinho com um ovo frito por cima até aquele prato sofisticado – feito pelo chef importado - do restaurante ba-da-la-do! Fazer uma boquinha é convite irrecusável. Só me resta enfrentar o espelho e umas questões misturadas que me habitam: a ideia de que valemos o que pesamos? De que nossa respeitabilidade adviria de um senso concreto de acúmulo... Como se para “ter peso” fosse preciso ter peso? Por hora me chegam alguns reflexos/respostas dessa imagem especular. Obesidade tem menos a ver com o conceito magro/gordo, do que com o de leve/pesado. Obeso é aquele que é pesado em diversos níveis. Para tratar nada de regime. Dieta! E entendo que dieta não é uma prática para se ficar mais magro, mas sim para se ficar mais leve. Definitivamente decido pela leveza!(RR)





