Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

(PRE)OCUPAÇÕES


Os filhos crescem e isso é bom. Apesar de todo o desenvolvimento percebo que continuamos nos preocupando com eles. Nas conversas com as amigas cada uma conta como andam suas crias. Pano de fundo: preocupações em geral. Creio que esse é o momento de dedicar uma atenção especial e muita compreensão a eles. Os pais geralmente se sentem sufocados pela responsabilidade de criá-los em segurança, e muitas vezes podem querem ditar as leis, sem perceber que os filhos têm de ter liberdade. É prejudicial esperar demais ou pouco deles. É prejudicial concentrar-se apenas nas características negativas e ignorar os seus verdadeiros talentos e qualidades. 
No mundo perigoso e em constante evolução dos nossos dias, os jovens precisam ser considerados, amados, compreendidos e, acima de tudo, encorajados. Eles precisam saber que a vida não é uma série de castigos, mas, em vez disso, uma série de consequências! A toda ação corresponde uma reação. A toda causa corresponde um efeito. 
Os filhos precisam ser livres para expressar seus sentimentos, e esses sentimentos devem ser aceitos como parte da sua individualidade. Se forem encorajados a seguir os desejos do coração – o livre arbítrio – e a permitir aos outros a mesma liberdade, eles raramente se sairão mal. É claro que isso se aplica a todos nós. Tarefa fácil? A tal medida certa e equilíbrio é mesmo uma arte... Ainda mais na educação de nossos filhos! 
Creio que os jovens têm diante de si a difícil tarefa de tornar este mundo um lugar mais calmo e habitável para se viver. Eles representam o futuro deste planeta. Então, só nos resta cuidarmos muito bem deles plantando, diariamente, as sementes que desejamos que floresçam para um mundo melhor!

Imagem: google

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Filhos? Melhor não tê-los! Mas...


Minha mãe quando estava muito aborrecida, decepcionada, triste mesmo com alguém, dizia: to queimada e assada. Achava estranho, mas entendia perfeitamente a expressão dita com olhos lacrimados e alma desnudada pela dor. Porque pra ficar queimada e assada, dessa maneira, qualquer proteção já foi pro beleléu. Numa conversa telefônica, a amiga referindo-se ao filho único, disse-me: hoje ele tá chato demais! Ops. Mãe dizendo da chatice de um filho?! Senti um alívio, com esse desabafo partilhado, que vocês nem imaginam. O tempo todo, todo o tempo, só ouço, leio, e vejo declarações mais que perfeitas desse amor incondicional. Como se nessa relação não houvesse desgaste, confrontos, furos, medos e outras coisinhas mais. Filhos são sim, muitas vezes, chatos. Outras tantas: egoístas, desmemoriados, ingratos, dramáticos, acusadores, cobradores e passageiros. E a gente - aqui - sendo ônibus grandão na incondicionalidade! Afff... Como falamos, minha amiga e eu, até pra ausência de condições há que se ter algum limite! O problema, o meu pelo menos, é encontrar a medida certa. Lembro-me das palavras de outra amiga, Zizi, me dizendo: “ser mulher e mãe nesta vida, indica um tremendo carma redobrado" Enquanto a gente vai errando e acertando na medida deixo, novamente, esse poema de Vinícius que a-do-ro!
Poema Enjoadinho
(Vinicius de Moraes)
Filhos...  Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos?  Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

  Extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 195.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

NOSSA ESCOLA

DIPLOMAS DE BASE
Sábado foi dia dos professores. Merecem homenagens, diárias, na mesma proporção que enfrentam os tais ossos de um ofício tão desvalorizado! Fiquei pensando em como fazer...  Olhei para parede da sala de TV e vi meu diploma - antigo - de pré-primário e do 3º período de meus filhos. A mesma escola. A que comemora esse ano 50 anos educando. A que traz na lembrança mestres amorosos, competentes, e a possessividade, rara, de se chamar NOSSA!
Acredito que uma das tarefas difíceis para pais é escolher uma escola para seus filhos. Antigamente talvez fossem a proximidade com a casa, alguns amigos, disciplina, bons professores, o que determinava a decisão. E só. Hoje, a lista é tão grande e cheia de requisitos a serem preenchidos para – supostamente - atender as exigências dessa pós-modernidade, que se esquece do básico. Meu filho está feliz? Brinca? Tem amigos ou só coleguinha?
Acho que foram essas as perguntas que D.Lucy - minha mãe - se fez, quando me matriculou na ETH. Não estava preocupada com a linha pedagógica, nem com um supermoderno laboratório, muito menos com as atualizadíssimas publicações na biblioteca. Vocês poderão dizer: mas os tempos são outros! Nem tanto. Repeti a dose, duplamente, com meus filhos e desejo que assim seja, um dia, com os netos. Não é em qualquer estabelecimento educacional que se cumpri a máxima de que escola é a extensão da sua casa. Mas por favor, não confundi-la com responsável única pela educação do seu filho! O papel da ETH na construção partilhada dos valores morais, éticos e também judaicos foi fundamental em nossas vidas.

Foi lá que aprendi a ouvir/sheket=silêncio e ser ouvida/braço erguido pedindo a vez para falar. A respeitar um professor e ser respeitada enquanto aluna. A desenvolver o ser em detrimento do ter. A comer de tudo porque os lanches e almoços eram feitos pelas mãos mágicas da Bá. Nem precisava de um cardápio desenvolvido, elaborado e balanceado por nutricionista. E se a gente não gostasse, ficava com fome, porque era o que tinha para comer. Éramos bem saudáveis e obesidade era sinônimo de excesso de risadas. Aprendi o gosto pela leitura e a viajar, ainda mais, com minha imaginação. A ter responsabilidade, ser organizada e pontual, mas também a brincar de um jeito sensacional. Criávamos com o que tínhamos e partilhávamos com os amigos. Das amizades nem consigo falar... Cada um tomou um rumo, mas quando os caminhos resolvem nos cruzar, vem aquele sorriso nos olhos que diz muito mais que um simples “foi meu colega de escola”. É com um abraço gostoso, envolvido pela saudade e cumplicidade, que acontece o encontro. Foi com esse mesmo olhar, que vi minha filha reencontrando, dia desses, a diretora da Escola. Nem precisei acionar a tecla SAP. Estava lá a emoção de uma saudade que jamais ela irá curar. Aliás, não é assim também definida: "saudade é o amor que fica"? E tenham certeza, é muito amor!
Minha mãe também não se preocupou quando era chegada a hora de sair de lá, classes pequenas, e cair nos colégios gigantescos com turmas de cinquenta alunos. Estaria eu preparada para enfrentar essa realidade? Não teria sido super protegida? Estaria em pé de igualdade? Acredito que ela sentia, e mães são sábias, que o se faz com amor verdadeiro cria o melhor dos escudos protetores para enfrentar a vida!

VALE A PENA ESTUDAR AQUI!
A Escola tem defeitos? Lógico! Até porque se não os tivesse, teria que ter outro nome. Escola é lugar de ensinar e aprender constantes. E se você conhece uma perfeita, por favor, me apresente.
O slogan da E.T.H. é: “Desde 1961 formando pessoas brilhantes”. Confesso que nunca gostei muito dele. Talvez por que me soe meio presunçoso. Coisa que a minha/nossa E.T.H. não é. De qualquer maneira, não sei se somos, meus filhos e eu, pessoas brilhantes* (famosa, ilustre, notável). Mas que a Escola nos fez feliz, posso assegurar!  Tôdentro da E.T.H. Parabéns por esse ouro construído, nosso amor e gratidão... Sempre!(RR)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

EDUCASSÃO SEM CONSTRANGIMENTO


Descobri que o Bom Dia Minas era visto por muitos quando fui convidada - pela emissora - para falar sobre relacionamentos amorosos, impasses, facilidades e como construir e viver uma vida a dois. Parece fácil, mas não é. Assunto para outro(s) dia(s). Na época não contei para ninguém, pois o medo de dar vexame na telinha era bem maior que a prática de anos atendendo casais. Além disso, é tão cedo – 06:30 da manhã – que não acreditava que alguém ligasse a TV para assistir noticiário local nesse horário! Assim que liguei o celular montes de telefonemas e torpedos diziam que não fiz feio. Com uma mudança na minha agenda diária nessa última terça-feira assisti a ele e na sequência ao Bom Dia Brasil. Fui fisgada com a seguinte chamada: Aboliu-se o mérito e agora aprova-se a frase errada para não constranger.Alexandre Garcia comenta o livro de português, abonado pelo MEC, que defende que não há o errado na língua portuguesa, mas o inadequado. Êita Brasiiilll nosso: tão adequado... tão educado. Mas bacana mesmo foi esse comentário de Alexandre que compartilho com vocês:
"Na semana passada, foi distribuído para quase meio milhão de alunos um livro de português que defende um novo conceito sobre o uso da língua portuguesa. Não teria mais certo ou errado, e sim adequado ou inadequado, dependendo da situação. O Ministério da Educação esclareceu que a norma culta da língua portuguesa será sempre a exigida nas provas e avaliações.
Quando eu estava no primeiro ano do grupo escolar e falávamos errado, a professora nos corrigia, porque estava nos preparando para vencer na vida. É notório que o conhecimento liberta, forma eleitores e contribuintes conscientes, gente que cresce e faz o país crescer.
É notório que o conhecimento vem pela educação na escola, em casa e na vida. E é óbvio que a raiz de tudo está na capacidade de se comunicar, na linguagem escrita que transmite e difunde o conhecimento e o pensamento. Isso é o que diferencia o homem dos outros animais.
A educação liberta e torna a vida melhor, nos livra da ignorância, que é a condenação à vida difícil. Quem for nivelado por baixo terá a vida nivelada por baixo.
Pois, ironicamente, esse livro se chama “Por uma vida melhor”. Se fosse apenas uma questão linguística, tudo bem, mas faz parte do currículo de quase meio milhão de alunos. E é abonado pelo Ministério da Educação. Na moda do politicamente correto, defende-se o endosso a falar errado para evitar o preconceito linguístico.
Ainda hoje, todos viram o chefão do FMI algemado. Aqui no Brasil, ele não seria algemado porque não ofereceria risco. No Brasil, algemas constrangem os detidos. Aqui, os alunos analfabetos passam automaticamente de ano para não serem constrangidos. Aboliu-se o mérito e agora aprova-se a frase errada para não constranger.
A Coreia saiu arrasada da guerra através de duas ou três décadas de educação rígida. A China, que há poucos anos estava atrás do Brasil, sabe onde está indo a razão de 10% ao ano do PIB: com educação rígida, tradicional, competitiva e premiando o mérito. Aqui, estamos apontando para o sentido contrário." (Alexandre Garcia)