Quem me conhece sabe que desde sempre, e mais ainda a partir das minhas vivências num hospital geral, sou absolutamente a favor de uma visão integrada de todo e qualquer adoecimento. Também apregôo que, da mesma maneira que temos o direito de nascermos com dignidade, nossa morte também assim deveria ser. Desde outubro de 2007 acompanho, dolorosamente, - um ser amadíssimo por mim, em sua luta contra um câncer devastador. É um guerreiro que vem me surpreendendo nesses quase três anos de guerra! Nesse mês tive a notícia que ele iria procurar um homotoxicologista e ao ser perguntada, pelo informante, se sabia do que se tratava, se conhecia o médico, e sem ter nenhum conhecimento e respostas a dar, corri atrás dos amigos doutores para questionar.
Cláudia, uma médica homeopata com a qual tive o prazer de trabalhar alguns anos na Clínica de Dor Crônica do hospital me esclareceu, forneceu trabalhos científicos e me "garantiu" que é uma das abordagens das quais comungo. Fiquei além de muito atraída por tal homo, com a certeza de que vou, brevemente, consultar também!
O que é Homotoxicologia?
A homotoxicologia é uma ciência que busca identificar a presença de substâncias tóxicas, venenosas ou daninhas acumuladas no organismo, através de alimentos, medicamentos, água, metais pesados, droga, fumo, radiações e outros que podem provocar danos ou lesões nos órgãos, além de enfermidades como alergias, infecções crônicas ou recorrentes, intoxicações e doenças auto-imunes.
Onde surgiu a Homotoxicologia?
Originou-se na Alemanha, pelo médico Homeopata Dr. Hans-Heinrich Reckeweg na década de 50, e chegou ao Brasil apenas em 2002. Estima-se que na Alemanha, onde é muito popular, cerca de 50% dos médicos, incluindo os com formação alopática, receitam medicamentos homotoxicológicos. A teoria de Reckeweg trouxe uma explicação de como o corpo funciona na normalidade e na enfermidade. Definiu que o ser humano está exposto a uma série de substâncias tóxicas – as homotoxinas - que são a causa das enfermidades. Esse termo – homotoxina (homo = homem) define todas as substâncias que são tóxicas para o homem. É importante lembrar que as substâncias não são tóxicas da mesma forma para todas as espécies viventes; é possível que o que é tóxico para uma espécie, não seja para outra, ou os graus sejam diferentes. Por isso a etimologia da palavra Homotoxicologia, seria o estudo da toxicidade e seus efeitos nos seres humanos. Reckeweg definiu dois tipos de substâncias homotóxicas: - Homotoxinas exógenas: Aquelas que vieram de fora do organismo do paciente; geralmente provenientes da contaminação ambiental, alimentação, fármacos, drogas ilegais, etc.
- Homotoxinas endógenas: As produzidas dentro do organismo como parte do metabolismo normal ou anormal: bilirrubina, histamina, colesterol, etc.
A forma como Reckeweg concebeu a enfermidade, indubitavelmente se encontra em total acordo com a realidade funcional do organismo humano. Segundo ele, num primeiro momento o organismo consegue metabolizar e excretar as homotoxinas, mantendo-se saudável. Quando os mecanismos de limpeza começam a não ser mais suficientes, surge a doença. O acúmulo de homotoxinas nos diversos tecidos e órgãos de forma diferenciada definem os sintomas do paciente.
Na primeira fase da doença o organismo consegue excretar as homotoxinas, quer seja aumentando a capacidade de excreção, por meio de diarréia, poliúria (aumento da urina) ou aumento da sudorese.
Numa segunda fase o organismo lança mão da inflamação, onde as células de defesa do organismo (neutrófilos e macrófagos, principalmente) promovem a remoção das homotoxinas.
Quando esses dois mecanismos são insuficientes, as homotoxinas são depositadas e neutralizadas na matriz extracelular. Nessa fase as homotoxinas estão à espera que o organismo possa eliminá-las. Os aumentos amigdalianos, miomas e os adenomas de próstata são exemplos dessa fase.
Quando as homotoxinas persistem por muito tempo na matriz extracelular, estas sofrem um processo de polimerização, dificultando sua excreção. Nessa fase ocorre prejuízo da função da matriz extracelular causando perda da nutrição das células. O diabetes é um exemplo dessa fase.
Na fase cinco (degeneração), as homotoxinas lesam as células, causando alterações bioquímicas, enzimáticas e estruturais. Exemplos dessa fase são as artrites crônicas, lúpus, doenças degenerativas.
Na fase seis (desdiferenciação), as toxinas alcançam o núcleo das células. Altera-se a ordem genética e começam os processos de câncer.
O importante da visão da Homotoxicologia de Reckeweg é a concepção dinâmica, quer dizer, não se encaram as doenças como processos isolados, localizados em órgãos específicos e tratados como situações isoladas. Dessa forma, as doenças são manejadas segundo a fase em que se expressam.
As fases de excreção e inflamação não se devem suprimir com os remédios "anti" (p. ex. anti-diarréicos, anti-inflamatórios, etc). Deve-se sim modular os processos, controlá-los, não suprimi-los. Devem-se permitir ambas as fases cumpram sua função biológica, mas regulando-as para que não ocorra qualquer desequilíbrio.
Nas fases de deposição e impregnação, devem-se estimular os mecanismos do corpo para a eliminação das homotoxinas, como já propunha Hipócrates há 2800 anos. Devem-se evitar todas as formas a evolução para as fases celulares (degeneração e desdiferenciação). Nas fases celulares estamos diante de lesões bioquímicas e estruturais muitas vezes irreversíveis. Por isso a ação terapêutica é dar suporte estrutural, funcional e metabólico, permitindo ao corpo manter-se em equilíbrio, permitindo a vida com a melhor qualidade possível.
O médico com visão homotoxicológica, mediante uma história clínica muito bem feita, busca todos os fatores homotóxicos individuais do paciente, para estabelecer um tratamento integral. Fundamentalmente com mudanças no estilo de vida para cortar o ingresso de toxinas e farmacologicamente através da administração dos remédios antihomotóxicos, os quais basicamente estimulam a resposta imunitária do paciente, recuperando a capacidade do corpo para neutralizar e eliminar as toxinas.
Os medicamentos biológicos anti-homotóxicos ensinam o corpo a agir e, caso haja uma patologia semelhante no futuro, o corpo terá aprendido a reagir e precisará de menos ou nenhum medicamento para eliminar a doença, ao contrário dos medicamentos fármacos-químico que agem no lugar do corpo e até bloqueiam suas reações de defesa, não normalizando suas funções nem eliminando as agressões sobre o sistema.
Mesmo assim os medicamentos anti-homotóxicos, por não interagir com fármacos alopáticos, podem ser usados de modo complementar com estes, ao contrário de outros tipos de medicações. A Terapêutica Anti-homotóxica é calcada em princípios avançados de drenagem, imunização e estimulação. O tratamento é realizado com medicamentos dinamizados (bio-compatíveis e em acordes de potência).
É preciso explicar mais os motivos pelos quais vou, brevemente, consultar um especialista desses? Quero identificar, neutralizar (todas as toxinas), estimular e aumentar a imunidade das minhas células para assim melhorar, ainda mais, a minha qualidade de vida!
Quanto ao meu amadíssimo, vai respondendo muito bem ao novo tratamento, mas eu continuo fazendo minhas orações e agradecendo pela dignidade merecedora nossa de cada dia!