Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

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domingo, 6 de dezembro de 2015

LUZ



Hoje será a primeira noite, de oito, de Chanucá. Já contei pra vocês da importância dessa festa/celebração no judaísmo. Chanucá é uma lição de vida – talvez a mais importante. É a história da LUZ desafiando as trevas. Acredito que todos nós acendemos velas. Para pedir, agradecer, comemorar, criar um ambiente intimista, mas, sobretudo, para nos iluminar e aos nossos amados. Todos nós, em algum momento, lutamos contra a escuridão – seja dentro de nós mesmos ou no mundo lá fora. Chanucá chega para dizer: não lute com as sombras. Em vez disso, acenda uma vela e a escuridão irá embora!
 “O judaísmo ensina que a vela simboliza o ser humano: a cera representa o corpo, e a luz, a alma. A Torá* nos ordena acender velas para transmitir que a missão do homem é iluminar o mundo... As do Shabat precisam ser acesas antes do anoitecer e dentro do lar. Já as velas de Chanucá devem ser acesas após o anoitecer, perto de uma janela, para que as luzes possam ser vistas por aqueles que estão fora de casa. O propósito das velas de Shabat é adicionar luz ao lar, ao passo que em Chanucá é iluminar a escuridão que existe mundo a fora.”
O que é uma vela? Uma vela é uma mitzvá – um ato divinamente belo, que nos foi passado pelo Céu para elevar nosso mundo e fazer dele um local divinamente belo. Nada é mais poderoso que uma mitzvá. Assim, à medida que a luz do sol diminui, acendemos uma pequena vela. No dia seguinte, acendemos duas. Dia a dia a LUZ se torna mais forte, até que chegamos ao poder de oito – um número que representa um poder além da natureza, uma força miraculosa.
Existem muitas lições a serem aprendidas com Chanucá, mas vamos ficar com essa: quando nascem as trevas, produza mais LUZ! Espalhe mais bondade. Seja grato. Talvez possa parecer algo pequeno, minúsculo em comparação à escuridão lá fora, mas jamais subestime o poder da LUZ!
Não importa a nacionalidade, religião, etnia e raça. Essa LUZ é uma mensagem de esperança para todos os homens de bem. Que se faça LUZ, sempre, é o meu desejo a cada um de vocês, amaaados meus!  Feliz Chanucá! Natal Sameach!

Torá*: é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah, חמשה חומשי תורה - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo.

sábado, 3 de outubro de 2015

Como uma onda



“O crescimento espiritual é como um parto. Você dilata, então você contrai; você dilata, então você contrai novamente; e, por mais doloroso que possa parecer, esse é o ritmo necessário para alcançar o objetivo final da expansão total”. (Marianne Williamson)

E outubro chegou! Veio que veio quente, abafado, repleto de escândalos, com o dólar nas alturas e rosa também. #OUTUBROROSA (não esqueçam amadas!).
Após um período de stress, sempre vem uma fase de bonança e ventura. A história da humanidade é cíclica, já reparou? 
Falo isso porque vivemos hoje tempos de crise, com violência, correria desenfreada, competitividade excessiva, preocupações mil, angústia, insegurança e medo permanentes. 
A instabilidade do mundo aqui fora pode nos fazer adoecer. Mas também não conseguimos viver numa bolha, né mesmo?
No entanto, a sabedoria milenar indiana nos ensina que as coisas são como devem ser. Não adianta espernear, elas jamais poderiam ser diferentes. 
Existe uma força maior que rege o Universo conduzindo os eventos de maneira harmônica, mesmo que, aos nossos olhos, isso não seja compreensível- pelo menos não naquele instante crucial e doloroso. 
Não quer dizer que devemos nos acomodar naquilo que não vai bem: podemos fazer nossa parte pela harmonia do todo. 
Um começo e tanto é mudar nosso padrão de pensamento e, consequentemente, de comportamento. É preciso buscar aprender com cada adversidade – com qualquer situação, na verdade, seja ela boa ou ruim. 
Nas horas de aflição, ajudará muito lembrar que as coisas começam no momento certo e terminam no instante certo, nem um minuto antes nem um minuto depois. Em resumo, vale confiar nas leis do Universo – sem, é claro, perder de vista as próprias ações. Passamos por época difícil nos dias de hoje, mas a boa notícia é que a era de luz está chegando! Esse é o ciclo da vida, afinal. O que precisamos é abrir nosso coração para aceitar que o momento atual é parte da evolução do planeta e da humanidade.
Necessitamos de sabedoria para, quando os problemas parecerem GRANDES demais, não nos esquecermos de que somos parte inseparável e indestrutível de um todo e passamos por igual movimento.
Confie que, durante cada momento de escuridão enfrentado, já estão plantadas as sementes de um período novo e esplendoroso. E falo com experiência vivida na alma e na carne!!!
Quando chegarmos ao ponto de acreditarmos nisso de fato, teremos encontrado a legítima paz interior, aquela que habita dentro de nós independentemente do mundo que nos rodeia.
Daí a importância de mergulharmos em direção ao âmago do nosso ser, para enxergarmos o que se passa ali e sermos capazes de organizar nossos sentimentos.
A realidade de fora reflete o que temos dentro. Se estivermos em paz, o mundo à nossa volta, espelhará as mesmas ótimas condições.
Apenas deixe rolar, vivenciando o presente com atenção e intenção! Para tanto dedique-se a uma coisa de cada vez. E encare os períodos mais complicados como momento de transição, que devem ser aproveitados para crescer.
#Fica a dica: imagine que você naquele instante, está sendo preparado(a) para a fase emocionante que ainda está por vir.
Até lá, esteja presente, seja paciente e sempre, sempre mesmo, consulte o que seu coração lhe revela! Bora lá viver mais um mês?!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

FOI PRO CÉU...



Novembro chegou com finados e algumas lembranças e reflexões. O primeiro pensamento que tive sobre os limites da vida foi alarmante. Devia ter uns cinco anos. Nessa época, gostava de ficar ao lado da minha mãe enquanto ela cozinhava.  Às vezes, fazia perguntas difíceis, tipo: "Por que meu pai morreu?" Não entendia essa história dele “estar no céu” ou de visitá-lo numa lápide fria. De alguma maneira, em ocasiões inspiradas, ela me dizia que um dia iríamos nos reencontrar. Que a vida era feita de ciclos e que bastava olhar a natureza, as plantas. Cresci. Passei a observar, principalmente com minha prática num hospital geral, que a natureza da morte foi transformada em convicção, que nos fizeram crer estar cindida da vida. O nascer é então glorificado e o morrer um sacrifício insuportável.
Morte e vida não podem ser vistas como opostas, pois, além de pertencerem ao mesmo processo, estão acontecendo ao mesmo tempo no ambiente físico e psíquico do Homem. Compreender a morte traz um conceito verdadeiro da vida, do amor, da lealdade e também da felicidade. É ir ao fundo da alma, do mundo subterrâneo, onde tudo é transformador. Ao emergirmos de lá, nos tornamos mais sábios e capazes e acompanhar o processo complexo que é a própria vida. No mergulho da alma, compreendemos a natureza e ressurgimos com lições para perceber novos caminhos, tendo a força de vida para enfrentar as fases difíceis e a paciência (ah meu D’us. quantas vezes peço-te dai-me paciência Senhor?!) para aprender a amar e respeitar a vida e a morte com profundidade, sabendo que ela faz parte do macrocosmo e que, portanto fazemos parte do todo, do uno.
Sei que não é bem assim. Mas sei também que as respostas que li nos livros de Deus e dos homens ainda não me satisfazem. O velho testamento, por exemplo, traz um D'us tão cruel que eu não aguento. O meu ser arrepia-se inteiro e encolho-me de medo. Como sei que isso não é justo, busco outras linhas para me inspirar. Leio um pouco de tudo. Quando li Nietzsche encantou-me a coragem de dizer que, em troca de uma vida eterna, morre-se muitas vezes antes de viver. De fato, matar um querer, por culpa, é dizer não ao desejo de expansão da alma. Saramago também me surpreende. No livro Caim, ele resolveu se rebelar contra o D’us do antigo testamento e concluiu: “a história dos homens é a história dos seus desentendimentos com D’us, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele”.  É por essas e outras que, às vezes, paro tudo e olho para o céu. Ocasião em que penso na vida e na desimportância dos meus sofrimentos. Penso nos prazeres e no dia em que vou viver plenamente, penso que, se não alcançamos os limites do mundo, se não entendemos a presença de D’us, se não podemos compreender o intangível universo existencial, viver deve ser mais simples. Esse é o meu jeito de ir para o céu.
É preciso aprender a ouvir a voz do coração, a voz interior, mergulhar no inconsciente e perceber sem negação aquilo a que se propõe a alma, seja belo ou não. Ao observar os ciclos da natureza, percebo a sincronicidade do Universo, onde tudo tem um sentido e nada é casual... Até mesmo a morte.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

SAT SANG 2013

Flores e frutos para serem energizados


Aguardo, todos os anos, essa cerimônia com uma alegria difícil de explicar. Rever Celina – mestre Reikiana – amigos de jornada, orações e fé, rezar para nosso planeta, concluir ciclos é sempre um gosto.  O toró que desabou sobre Beagá, enquanto dirigíamos para o local, fez a gente desacelerar. Aliás, essa celebração é bem isso: um desaceleramento das urgências cotidianas e uma aproximação calma do nosso eu interior. Inspiro e expiro tudo que não mais tem lugar dentro de mim. Expiro desesperanças, angústias, aflições, preocupações nossas de cada dia. Inspiro Luz, verde, amor e a crença em dias melhores num crescente.
O propósito desse ano foi a quebra de paradigmas. Já ouvi tanto essa advertência, necessidade, que questiono a importância. A expressão “quebra de paradigma” tornou-se um jargão popular na área de recursos humanos como metáfora de mudança organizacional e, frequentemente, vazio de sentido.
"Paradigma (do grego parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas." (Wikipédia) Então, a famosa "quebra" de paradigma, seria um novo modelo ou padrão a ser seguido. O nosso. Entendo que seguimos modelos dos outros sem nenhum tipo de questionamento e que quando conseguimos nos aproximar do nosso verdadeiro Eu Interior e formos adiante, com aquilo que realmente importa, há crescimento e evolução! Que seja assim para cada um de nós e para o mundo todo.  NAMASTÊ amaaados meus!
Celina iluminada_maaada!
 
Um pedacim da turma agradecendo!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PERDÃO



Passado o ano novo, dez dias após, começa amanhã - ao cair da noite – o Dia do Perdão ou Iom Kipur. Como também já escrevi aqui sobre essa data tão importante no judaísmo, não irei repetir. Mas acho bacana refletirmos sobre o perdão diariamente. Perdoar não significa deixar as pessoas pisarem em nós.  Acredito que o perdão diz respeito à caridade no melhor sentido palavra. Quando perdoamos, nós nos lembramos de que a pessoa não estava no seu melhor momento quando nos magoou. Nos lembramos de que ela é mais do que seus erros. Ela é humana (como nós), comete erros (como nós) e já foi ferida (exatamente como nós fomos). De fato, o perdão acontece dentro de nós. Não temos que perdoar o comportamento que nos feriu, precisamos apenas perdoar a pessoa.
Não acho que seja fácil. Não acho mesmo! Às vezes é mais fácil tentar ignorar a situação. Muitas vezes sentimos o anseio de perdoar, mas o protelamos, permitindo passivamente que um fluxo de tormento corroa a nossa vida, a nossa alegria e felicidade. Às vezes só percebemos que não queremos viver dessa maneira quando a nossa vida enfrenta um desafio, quando nos damos conta de que talvez não tenhamos toda a eternidade para corrigir as coisas.
O perdão não diz respeito às pessoas que magoaram você; não se preocupe com elas. Pode crer, o que elas fizeram provavelmente estava mais relacionado com elas mesmas e com os problemas delas do que conosco! Quando nos desapegamos delas, nós encontramos a liberdade. Todo mundo tem que lidar com problemas, e o que realmente nos interessa é a nossa paz de espírito e a nossa felicidade! Então amados, bora lá exercitar o verbo perdoar em todas as pessoas, tempos e modos.