Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Indicações e Contraindicações

Você sabe quando precisa consultar um médico?
E sabe quando precisa consultar um analista?

Ou sabe se uma análise, uma terapia de orientação psicanalítica, é indicada para você?

Em 1905 [1904], Freud escreveu um texto: "Sobre a psicoterapia" e discutiu as condições que considerava necessárias e também inadequadas para o tratamento psicanalítico.

Naquela época, considerava mais aptos:

1. Pessoas com funcionamento psíquico suficientemente preservado, tendo como “ponto de apoio” um estado considerado normal.

2. Pessoas que procurassem o tratamento por seu próprio sofrimento, e não por imposição de familiares.

3. Principalmente pacientes com neuroses, como histeria e neurose obsessiva, campo em que a psicanálise começava a se consolidar.

4. Pessoas com certo grau de instrução e um caráter suficientemente confiável para sustentar o trabalho analítico.

E havia contraindicações bastante marcadas.

Freud considerava inadequadas, naquele momento, as psicoses, os estados confusionais e as depressões profundamente arraigadas. 
Fazia também restrições importantes em relação às pessoas próximas ou acima dos 50 anos, por acreditar que lhes faltaria a plasticidade psíquica necessária ao tratamento. E não indicava a análise quando era necessária a remoção rápida de um sintoma ameaçador.

Ainda bem que os tempos mudaram.
Estamos no século XXI. A clínica mudou, a psicanálise mudou, e aquelas contraindicações históricas não podem ser simplesmente transportadas para a clínica contemporânea.

Hoje, a análise pode ser indicada também para pessoas que Freud, em 1905, considerava fora de suas possibilidades.

Mas há algo que permanece fundamental:
a voluntariedade.
Ninguém faz uma análise verdadeiramente porque marido, esposa, pais ou qualquer outra pessoa mandou.

É preciso que exista alguma implicação do sujeito com aquilo que o faz sofrer.
Às vezes, não é exatamente um “desejo de mudar”. É uma pergunta. Um incômodo. Uma vontade de compreender o que está acontecendo consigo.

Porque a análise começa, de fato, quando o
“mandaram que eu viesse”
pode se transformar em:
“eu quero saber o que está acontecendo comigo.” 

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