E sabe quando precisa consultar um analista?
Ou sabe se uma análise, uma terapia de orientação psicanalítica, é indicada para você?
Em 1905 [1904], Freud escreveu um texto: "Sobre a psicoterapia" e discutiu as condições que considerava necessárias e também inadequadas para o tratamento psicanalítico.
Naquela época, considerava mais aptos:
1. Pessoas com funcionamento psíquico suficientemente preservado, tendo como “ponto de apoio” um estado considerado normal.
2. Pessoas que procurassem o tratamento por seu próprio sofrimento, e não por imposição de familiares.
3. Principalmente pacientes com neuroses, como histeria e neurose obsessiva, campo em que a psicanálise começava a se consolidar.
4. Pessoas com certo grau de instrução e um caráter suficientemente confiável para sustentar o trabalho analítico.
E havia contraindicações bastante marcadas.
Freud considerava inadequadas, naquele momento, as psicoses, os estados confusionais e as depressões profundamente arraigadas.
Fazia também restrições importantes em relação às pessoas próximas ou acima dos 50 anos, por acreditar que lhes faltaria a plasticidade psíquica necessária ao tratamento. E não indicava a análise quando era necessária a remoção rápida de um sintoma ameaçador.
Ainda bem que os tempos mudaram.
Estamos no século XXI. A clínica mudou, a psicanálise mudou, e aquelas contraindicações históricas não podem ser simplesmente transportadas para a clínica contemporânea.
Hoje, a análise pode ser indicada também para pessoas que Freud, em 1905, considerava fora de suas possibilidades.
Mas há algo que permanece fundamental:
a voluntariedade.
Ninguém faz uma análise verdadeiramente porque marido, esposa, pais ou qualquer outra pessoa mandou.
É preciso que exista alguma implicação do sujeito com aquilo que o faz sofrer.
Às vezes, não é exatamente um “desejo de mudar”. É uma pergunta. Um incômodo. Uma vontade de compreender o que está acontecendo consigo.
Porque a análise começa, de fato, quando o
“mandaram que eu viesse”
pode se transformar em:
“eu quero saber o que está acontecendo comigo.”
