Desses tempos de vacas magras, entre tantas coisas que amo fazer, viajar e beber das artes são as que mais sinto falta. Carência pouca é bobagem. Claro que existem shows, apresentações gratuitas, mas nada que se compare ao nosso desejo e escolha. Por motivos de saúde, uma de minhas muitas irmãs, Léa me presenteou com seu ingresso para assistir à Filarmônica de Minas Gerais. Cavalo selado passando fácil na minha porta. Montei sem fazer força, claro!
Peguei o ingresso e li: Regência de Fábio Mechetti e solista convidado (violino) Joshua Bell. Conheço esse nome – pensei. Sem saber de onde, guardei-o na carteira esperando a noite, sempre no mínimo agradável, de ouvir o Concerto para violino e orquestra em Ré maior, op.35 (1881) de Piotr Ilich Tchaikovsky. Ao chegar ao Palácio das Artes, vendo e encontrando muitos conhecidos, recebo o caprichado programa, sento na poltrona e começo a ler: “Joshua Bell tem encantado plateias em todo mundo com seu tom de rara beleza e um virtuosismo de tirar o fôlego, qualidades que lhe renderam o título de superstar da música clássica... O artista apresenta-se com um violino Gibson ex-Huberman Stradivarius de 1713.”
BINGO!!! Fiquei boquiaberta - e rindo da “coincidência”- ao constatar que iria ouvir, ao vivo e a cores, aquele UM que tocou numa estação de metrô e que tinha partilhado aqui com vocês a história. Lembram-se? O mesmo que, privilegiados, pagaram a bagatela de U$1.000 dólares por ingresso para ouvi-lo, na noite anterior, em local apropriado. Quis contar pro meu cunhado, mas ele estava - segundo si mesmo – extasiado, de alma cheia. O menino – deve ter uns trinta e poucos – é de tirar o fôlego! Não tenho palavras. Queria ter... Para adjetivar o que minha escuta captou. Um diálogo musical belíssimo, com um sabor exótico de um mundo distante. Um jogo constante de acelerar e desacelerar que parecia uma festa cigana, onde o violino tocava como se estivesse improvisando o tempo todo... Tamanha perfeição. Músico e instrumento se fundem e a música adentrou fazendo festa na alma. Foi ovacionado por mais de cinco minutos, não só pela plateia como por todos os seus colegas. Deu uma canja que foi minha ceia final. Já estava mais que satisfeita. Mas imaginem se dispensaria essa última iguaria?! O burburinho da saída era um só: maravilhoso, fantástico, sensacional! Nessas horas sinto e penso em tantas pessoas que gostaria que estivessem ali também... De uma maneira mágica, como a música que entrava, trouxe todas para bem pertinho de mim. Em estado de GRAÇA peguei o celular para agradecer minha irmã e dizer-lhe que esse cavalo selado será, eternamente, inesquecível.
Deixo abaixo, para os apaixonados dessa arte, o menino e seu violino. Apreciem sem moderação!










