Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PROCLAMANDO O FERIADO



Nada de menos foi proclamado nesse feriado. Tudo de mais: natureza arregalada no verde e agradecida pelas águas caídas... Jabuticabeiras fartas em doce generosidade... Comidinha(s) Santa(s) pra Matilde nenhuma botar defeito... Conversas jogadas dentro, pois fora é desperdício... Um passeio, uma pousada, e lá um reencontro amizade... Clotilde a lagartixa que me adora  e o ar de sua presença no quarto e eu (pobres anfitriões) com meus gritos... Aleluias em profusão anunciando mais um pé d'água... E assim posso promulgar aos quatro ventos: obriagada Zé e Syl!   
Escondidinho danadu de baum
Pousada Lara
Restaurante da pousada
Passarinho pouco é bobagem

E com toda mineiridade que me cabe deixo procês uma estória... e mais abaixo um dos vídeos institucionais que diz tudim de nóis!

Estava um amigo num passeio em Roma quando, ao visitar a Catedral de São Pedro, ficou abismado ao ver uma coluna de mármore com um telefone de ouro em cima. Vendo um jovem padre que passava pelo local foi perguntar razão daquela ostentação.
O padre então lhe disse que aquele telefone estava ligado a uma linha direta com o paraíso e que se ele quisesse fazer uma ligação teria de pagar  100 dólares.
Ficou tentado com o trem, porém declinou da oferta. Continuando a viagem pela Itália encontrou outras igrejas com o mesmo telefone de ouro na coluna de mármore. Em cada uma das ocasiões  perguntou a razão da existência e a resposta era sempre a mesma: Linha direta com o paraíso ao custo de 100 dólares a ligação. Depois da Itália, chegando ao Brasil, foi direto para  Belo Horizonte. Ao visitar a nossa gloriosa Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem, ficou surpreso ao ver novamente a mesma cena: uma coluna de  mármore com um telefone de ouro. Sob o telefone um cartaz que dizia: LINHA DIRETA COM O PARAÍSO - PREÇO POR LIGAÇÃO = R$ 0,25 ( vinte e cinco centavos ).
Não agüentou e disse : Uai padre... viajei por toda a Itália e em todas as catedrais que visitei vi telefones exatamente iguais a este, mas o preço da chamada era 100 dólares. Por que aqui é somente R$ 0,25 centavos?
O Padre sorriu e disse ao meu amigo: Você está em Minas Gerais. Aqui a ligação é local... O PARAÍSO É AQUI!
 
 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

SAUDADE CRÔNICA


O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...(Quintana

Meu sobrinho, Maurício, perguntou-me se lembrava dela (minha mãe) diariamente. Disse-lhe que sim! Todos os dias e em vários momentos ao longo das vinte e quatro horas de cada um. Uma expressão dita por alguém, um cheiro de comida, uma flor desabrochada, uma notícia na TV, uma gracinha da bisneta, uma música, a chuva batendo na janela, a pia entupida, as pernas doídas, o jogo de cartas, a risada alegria... Onipresença materna. Ocupa espaços, buracos, vazios que nem sabia existir!
Não pensei que fosse ser assim, isso é fato. Disseram-me que com o passar dos anos, e já são três, ficaria mansa.  Mas, a dor de saudade que ora sinto não veio por decreto, ela está em mim ferreteando, bravamente, minha sensibilidade dia a dia. Uma saudade que dói e atormenta com as lembranças que permanecem. Dor esquisita essa sentida. Onde já se viu acolher as dúvidas, embalar a insônia e aconchegar a solidão?! Tem dia(s) que é assim. O coração sangra. Mas isso não significa que a gente não tenha momentos-felicidade.
É, talvez, uma questão de egoísmo temperamental: a minha dor, a MAIOR do mundo, é a minha dor, sofrida, íntima, insolúvel. Não está aí para dar ou vender. Ela é minha, dolorosamente minha, egoisticamente minha! E a sua é sua. No final das contas e início de todos os contos: Sentir saudade é sinal de que se está viva!


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CORAÇÃO DESTEMIDO


  
“Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.”
Millôr Fernandes
Caiu uma chuva mansa fazendo cócegas no sufoco. Gostava que fosse um toró - sem raios, trovões e catástrofes - fazendo enxurrada com as emoções empoeiradas. Chico cantou toró: “Um grande artista tem que dar o que tem e o que não tem.” Somos mesmo – todos - artistas, dando o que não temos. Quando tudo vai bem, quando o tédio é o único e pior castigo, quando o controle está em nossas mãos, é difícil manter uma conduta reta, otimista, em paz e amorosa. Por isso tropeçamos nas boas intenções, fazemos planos que não cumprimos, damos respostas das quais nos arrependemos, por isso não falamos toda a verdade e contamos a história pela metade. Eu, você e todo mundo, vivemos nossas imperfeições o tempo todo. Porque é difícil ser diferente. Guarda-chuva não protege. E é quando os piores momentos chegam que nos conscientizamos que aquela água que corria calma, dia após dia, no fundo da alma, ia polindo a coragem, o caráter, a bondade. É quando a vida exige gestos grandiosos que notamos a grandeza de que somos capazes. Vivo um desses momentos. Estou no profundamente triste da vida. No entanto, agora, exatamente agora, nesse trecho tortuoso do caminho, eu me assusto, não com o desafio, mas com a minha capacidade de reafirmar o meu otimismo e a minha fé. O tempo não passou em vão por mim. Vencer pequenas batalhas pode ser difícil, mas a guerra eu não perco. Só porque entro nela com o coração destemido. Tem mais toró? Que venha! E quando menos se des_espera um arco-íris surge.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

QUE CALOR!



Pra quem não conhece mamona
O prato do dia tem sido o calor. Só varia os graus. Sempre pra mais. Bem poderia ser o calor humano, o calor de uma discussão ou o calor das ideias, mas é esse dos bravos, que dizem rachar mamona ou fritar ovo no asfalto o assunto diário. Acho que nunca vi uma mamona rachada. Também nunca fiz o teste de fritar um ovo... Desperdício não é comigo. Se encontrarmos alguém na rua, na fila de banco, no supermercado, no sacolão, a primeira coisa que se diz é: mas tem feito calor, hein?! Não se entabula uma conversa, sem antes fazer esse comentário. E nem carece de resposta. Estou lá, com semblante denúncia: suando em gotas por todos os poros!  Cada época tem o seu assunto.  Cada tempo, o seu mote. Mas que tem feito calor, isso tem!  Sol de estourar mamona.  Coisa antiga!  Tenho a impressão de que nem existem pés de mamona, nos quintais de hoje.   E tenho, ainda, a impressão de que ninguém usa mais esse dito popular, que se usava nas roças, ou até na cidade, num tempo em que se tinha tempo pra observar as coisas simples da vida.   Num tempo em que meninos brincavam de fazer guerra de mamona, brincadeira ingênua, muito antes de eles ficarem colados no computador, brincando com a modernidade desenfreada, que vem atropelando o mundo. Se alguém falar em “guerra de mamona” para um menino de hoje, pode cair no ridículo.  Assim “calor de rachar mamona” faz parte do rol das expressões, que ficaram lá atrás, no baú do esquecimento... Hoje eles verão no FB a nova estação criada: EUTONO INFERNO! E curtirão ou não.  Volto ao nosso calor, aqui dessa Beagá que um dia teve montanhas, clima propício para recuperar a saúde debilitada de alguns, e festivais de inverno!!! Sim, in-ver-no. Coisa também pertencente ao baú. Jamais imaginei que iria me refrescar – neste calor brabo e desmedido de primavera(?) – num Banco. Seja qual for. Nem precisa ser cliente.   Entrar num Banco é um alívio.  Um refrigério.  Não no sentido metafórico, mas no mais legítimo sentido da palavra.  Está andando na rua, a cabeça torrando? Entre num Banco.  Sente-se uns minutos.  Ninguém vai impedir, vai questionar, vai barrar.  Vão achar que você está ali para sacar um dinheiro, abrir uma conta, pedir um emprestimozinho básico para quitar um descontrole do já final de ano...  Entre como se fosse um cliente, como se fosse aumentar o lucro dos banqueiros. Entre despistando e fique ali parado, sentindo as delícias de um ar condicionado gelado.  Depois, volte para a rua e vá torrar os miolos, enquanto caminha olhando as vitrines ou paga as contas do mês. Cuidado só com o tal choque térmico. É um bafo que a gente recebe nas fuças... Será que abri foi a porta do inferno?! Mas, como tudo no mundo tem o seu reverso, enquanto reclamamos do calor, as sorveterias tiram o atraso...   Haja sorvete e picolé para tanta sede, tanto calor!  E haja cerveja gelada pra refrescar nos fins de tarde desse horário detestável de verão.   Bom mesmo é uma garrafa de água gelada do lado. No carro, no trabalho, na caminhada e onde mais for possível carregar esse artigo de sobrevivência. Bom também não se esquecer de se lambuzar de bloqueador solar, que é pra evitar danos à pele, já que o astro-rei não está pra brincadeira! Colhemos o que plantamos, né?! Incrível: de tanto falar em calor, a tela do meu computador está ficando embaçada.  Deve ser a evaporação saindo dessas ideias fervilhantes! Eis que de repente o céu nublou e o vento deu o ar de sua força. Soprou levantando poeiras estagnadas. Ameaçou chuva. Saio pra fechar as janelas escancaradas e recolher as cortinas que insistem em alçar voo. Ameaça é mesmo uma coisa besta de se fazer. Não esperava isso de São Pedro. Umas gotículas contidas foram tudo que me ofereceu. Amostra grátis? Declino da oferta num xingamento encalorado e pensando no poeirão – casa adentro - que terei amanhã para faxinar. De qualquer maneira vou fechar com algo bem original: mas tem feito calor, hein?!
ovo frito no asfalto de Teresina
           
           
"Está tão quente, que se alguém me tratar friamente, estará me fazendo um favor" (frase colhida no FB)
Imagens: google