Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Celebre todos os dias!



Como alguns de vocês sabem, estou, há alguns meses, fazendo Vigilantes do Peso. Reeducação alimentar. Não é fácil, confesso. Mas é fantástico a gente perceber a cada semana as mudanças que vão acontecendo, principalmente, nos hábitos. A pesagem é semanal e fico doidinha para chegar o dia da reunião. Uma semana, que havia viajado, emagreci 300grs e desci da balança bem tristinha. Minha coordenadora deu uma bronca: -presta atenção, você não adquiriu, você eliminou e está triste??? Tem que celebrar, isso sim. Todas as vitórias são para ser celebradas ora essas!
Saí de lá me lembrando da minha mãe. Ela dizia isso quase diariamente: a vida, filha, é para ser celebrada em tudo!
Porque ninguém celebra mais? Devemos ter o costume de celebrar no nosso cotidiano. Pode ser com um almoço diferente para a família no domingo, um momento caprichado para relaxar antes de dormir, uma noite agradável na companhia de amigas... Ninguém precisa de datas pré fixadas. Basta inventar os próprios rituais para, a qualquer dia e qualquer hora, comemorar os amores, as pequenas conquistas – tanto as suas quanto as dos outros – a vida, “E o que é mesmo um ritual?“, perguntou o principezinho do escritor francês Saint-Exupéry, numa das histórias mais famosas e repetidas do mundo. E a sábia raposa respondeu que um ritual é aquilo que faz com que um dia (ou um momento) seja diferente dos outros e se torne especial, com ingredientes para ser lembrado e relembrado para sempre.
Os povos da antiguidade mantinham a tradição de celebrar, com atenção e intenção, todas as coisas fundamentais da vida. Com o tempo, fomos perdendo a dimensão desse conceito e o costume de colocá-lo em prática. Não damos mais atenção e a devida importância às coisas. Corremos atrás de conquistas que, no fim nos parecem supérfluas e nos trazem uma felicidade muito fugaz. Precisamos resgatar essa tradição esquecida e voltar a celebrar mais e sempre – tornar especial não só os grandes momentos, mas, sobretudo, os pequenos milagres do dia a dia. Rituais nos ajudam a focar no momento presente, a vivenciar o aqui e o agora e, assim, a acalmar a mente.
Nessas horas, atenção e intenção são importantes, mas é preciso entrar em tudo com a razão e também com o coração. Celebrar o nascimento de uma criança, as bodas (de algodão, prata, ouro...), o dia dos namorados, das mães, dos pais, todas essas coisas que fazem parte da rotina das pessoas. Mas muitas vezes participamos delas sem tanto sentimento ou comprometimento, mais por instinto de rebanho. 


Pense em cada refeição, que pode se converter em um ritual de celebração mesmo que esteja sozinho (a). Comece preparando a mesa como se você tivesse convidados para jantar. Coloque flores, cores, velas, amor em cada ação. Sirva-se dispondo a comida em seu prato de um modo bonito e harmônico como se quisesse formar um arco-íris. Providencie música suave, que lhe traga serenidade. Desligue os telefones e eletrônicos. O ato de comer é sagrado e precisamos fazê-lo com reverência. Curta esse momento, sem expectativas e se entregue. Isso é celebrar! Mas esse é apenas um dos rituais possíveis, simples o suficiente para entrar no seu dia a dia. Use a criatividade. Eu tenho usado a minha. Devemos exaltar até as adversidades que nos fazem crescer. O mundo fica mais leve e solto se aprendemos a extrair prazer das várias situações e a manifestar nossa alegria e gratidão!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

METADE DO ANO?!



Para mim 2015 acabou de estrear e a cabeça ainda fervilha povoada de ideias, planos, projetos, objetivos. Mas a folhinha insiste em dizer que já caminhamos para o oitavo mês dele. Parte dos planos ficou pelo caminho. Outros ganharam corpo. Mas o encorpar não brota do nada. Planos e objetivos precisam ser alimentados com foco, planejamento, esforço, dedicação, resiliência, perseverança. Perseverar, aliás, é a palavra-chave. Porque muita coisa acontece e nos desafia constantemente antes que consigamos atingir uma meta: um detalhe que não dá certo e traz desânimo, o tempo que é insuficiente para realizar tudo o que foi programado, situações que escapam do nosso controle. Por isso, é importante ter algum método para ser capaz de persistir. O meu é bem simples: #vamuquivamuemfrentesempre! Brincadeira à parte, antes de mais nada, creio que para perseverar na nossa jornada, precisamos ficar bem – de dentro para fora. A partir daí, abre-se um enorme leque de oportunidades para colocarmos nossos desejos em pé. O que importa de verdade nessa caminhada não é exatamente sabermos se fizemos a opção certa ou errada. Mas sentir que estamos confortáveis com nossas escolhas. Essa sensação de estar à vontade com o que queremos, afinal, é libertadora. Que venha agosto, mês – para mim – super especial!
Imagem:Google

sábado, 4 de julho de 2015

RECEITA PARA UM DIA FRIORENTO




 
A receita é simples: pique em pedaços bem pequenos a lista de obrigações. Misture um cobertor aconchegante com um livro bom e sua disposição para ficar na cama. Cubra-se e curta o clima. Lá fora, o som é proposta de quietude. Cá dentro, é deleite. Se tiver ânimo, faça um chá. Às vezes, a paz é tempo. Às vezes, é um pensamento. Outras vezes, é uma escolha. Escolher ir com calma, escolher um banho mais curtido, escolher dar-se um tempo para sentir o aroma de um perfume e lembrar de outros tempos, escolher cuidar-se e pensar que a vida tem suas alegrias e que um momento de carinho vale muito. A vida pode ser efêmera, como uma fragrância, mas pode deixar as melhores lembranças. Mudanças na casa de tijolos refletem na outra casa. Isso também é paz. Bem vindo Julho!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

MUDANÇAS



A gente pensa que é fácil, mas não é. Como diz uma irmã minha: dez anos de terapia mais um século e a gente continua na peleja. É tanta tranqueira que a gente carrega, ao longo da nossa história, que se desfazer requer mais que desapego... coragem!
Estou beirando a resposta. Ando pensando no assunto mudança, rodeio daqui, aprofundo dali e quase antevejo a revelação. Cabe dizer que isso tem a ver comigo e com meus sentimentos. A resposta que está se delineando é minha e pode ou não servir para você. Se servir, dividiremos isso. Se não servir, pelo menos pode conduzir à própria pergunta.
A minha resposta começa a chegar com o insight de que "não tem encontro sem busca". Quem não pergunta não escuta. Eis o início: eu questiono, tu questionas, ele questiona. E o final: eu ando, tu andas, ele anda.
Gosto quando leio Saramago e percebo que há - o tempo todo - algum tipo de questionamento pairando nas entrelinhas. Quando, no livro Caim, ele pergunta: "Por que o senhor não me impediu?" Eu não duvido de que ele encontrou a resposta para a morte de Abel ali, naquela pergunta. Que espécie de senhor seria esse, que gostaria de ver sua criação acomodada e
covarde? Questionai homens!