Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ESCLARECENDO OS PÊS



Até hoje - sejam clientes ou amigos - há muita confusão entre esses Ps. De maneira bem didática e simplista vão aí os devidos esclarecimentos:

  •  Psiquiatra: a pessoa fez sua formação acadêmica básica em Medicina, se especializando em psiquiatria. Poderia ter sido em outras especialidades como cardiologia, urologia, cirurgia geral, dermatologia, pediatria, etc. Então ele se tornou um Médico psiquiatra. Pode medicar.
  •  Psicólogo: a pessoa fez sua formação acadêmica básica em Psicologia, se especializando em psicologia clinica. Poderia ter sido em escolar, empresarial, jurídica, trânsito, etc. Não pode medicar.
  • Psicanalista: não há uma formação acadêmica básica. É uma escolha de um profissional com 3º grau completo (Serviço Social, Engenharia, Filosofia, Direito, Medicina, Psicologia, etc.) que faz uma formação contínua em psicanálise e onde podemos dizer que a clínica psicanalítica trata de dores para as quais não há medicalizações, drogas milagrosas, aparelhos tecnológicos ou qualquer outra ordem de recursos. E por isso, muitos psicanalistas mesmo sendo médicos em sua formação básica, encaminham para outros colegas quando há necessidade de intervenção medicamentosa. Outra coisa importante a esclarecer: todos esses são chamados de “doutor” por uma questão histórica, ligada à medicina, engenharia e direito (assunto para outro post), mas o título só é devido se já foi defendida e aprovada uma tese de doutorado! E isso é para o geógrafo, biólogo, historiador, sociólogo, etc. Convencionou-se chamar de “doutor” as pessoas que trabalham na área de saúde. A propósito, não sou doutora a não ser prós flanelinhas: E aí “doutora” vai deixar pró cafezinho?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

MEDO


Você tem medo de quê? Medo todo mundo tem. Porque o medo é um sentimento natural de quem está vivo e tem a função de alerta, de avisar o organismo de um perigo ou ameaça e provocar reações de proteção. O problema é que, diferentemente dos animais, temos a consciência de que um dia iremos morrer.
Do medo da morte derivam muitos medos que nos acompanham desde sempre e os que habitam nossa alma nos dias de hoje. Temos medo de tudo: do cigarro, da gordura trans, do aquecimento global. Das notícias ruins, de falar com um estranho, da crise mundial. De ser assaltado, de perder o emprego e até mesmo de ser feliz.
Como seria impossível escrever sobre todos os medos, escolhi olhar mais de perto aqueles que são alimentados pelas inseguranças e ansiedades contemporâneas. Não vou falar aqui de medo de barata, de elevador ou de avião. Nem dos eternos medos da velhice e da solidão.
Medo do fracasso: Se hoje um dos nossos maiores medos é o de fracassar, é porque uma das nossas maiores buscas é o sucesso. Passamos à vida determinados a conquistar coisas, pessoas e posições que nos levem ao sucesso, ligado, na nossa sociedade, à idéia de felicidade e realização. O problema é que hoje, para ser bem sucedido, é preciso superar níveis de exigência sempre mais altos. O mundo nos cobra competência, eficiência, excelência. E um espírito competidor: todos são seus concorrentes quando disputam um lugar ao sol com você!
Quer uma vaga num concurso público? Então se prepare para ser o melhor e deixar para trás milhares de outros candidatos. Seu sonho é trabalhar numa organização internacional? Pois trate de ter no currículo fluência em inglês, francês, árabe e mandarim e ainda um título de mestre e outro de doutor.
Medo de crescer: Às vezes a gente tem medo até daquilo que mais quer. O medo de crescer parece ser um mal difuso entre nós. Pense em você e em alguns amigos. Quantas vezes vocês não amarelaram na hora de definir uma situação, não deram um passo para trás no momento de dar aquele passo à frente? Como se fosse possível ir adiando a hora de se responsabilizar de verdade por aquilo que nos acontece, pelas escolhas que fazemos na vida. A gente quer por que quer se casar, mas fica morrendo de medo dos compromissos que vêm com o casamento; queremos ter aquele emprego, mas não suportamos a parte ruim que vem junto com ele. Quando esse vai-não-vai fica sério, ganha até um nome: síndrome de Peter Pan. Adultos que sofrem desse mal se recusam a crescer, insistem em viver na Terra do Nunca e querem levar a vida simplesmente numa boa, sem encarar os problemas e as responsabilidades.
Medo de mudança: Como se explica o medo do novo numa sociedade que cultua as novidades? Por que tanta gente reluta em mudar mesmo quando tudo está dando errado? A pessoa parte de uma situação conhecida, que domina, para uma situação nova, desconhecida. Parte da segurança para a insegurança, e aí pinta a angústia e o medo. A fórmula, dizem alguns especialistas, é o tempo. O que é novo hoje não vai ser daqui um mês. Só mudando para o medo passar.
Mas se com o tempo tudo se resolve, por que não mudar de cidade, de estado civil, de corte de cabelo? Por que não correr o risco de largar o emprego para correr atrás do sonho? Porque, mesmo que o mundo lá fora seja certo e instável, as pessoas ainda buscam estabilidade, certezas e definições. As pessoas não querem mudar porque se acomodam.
“A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.”
Depois de ler as palavras da escritora Marina Colasanti, tiradas do livro Eu sei, mas não Devia, procure refletir: você tem mais medo de mudar ou de se acostumar?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ZÉ CUECA




Adoro expressões engraçadas que, quando criadas, resumem tudo em poucas palavras. Os famosos bordões vindos de programas humorísticos ou novelas fazem à festa... “Jesus me abana” e “Are baba” foi dito por muitas amigas, recentemente, diante de homens maravilhosos; “Coisas de Laurinha” era suficiente pra explicar comportamentos bizarros; “Cala a boca Magda” acabava logo com uma bobagem dita e muitos outros que vocês podem acrescentar, fazendo assim um bom exercício pra memória. Os jovens e suas variadas tribos criam códigos próprios tipo assim: Vei, cê fraga (vc conhece), rola, me erra, vaza e outros tantos. Agora, o código quase secreto das moças, na balada, falando dos moços, é pra ninguém botar defeito:
  • Tudo de bom.com. br = o cara perfeito
  •  B.O = homem galinha
  •  Bagre ensaboado = é o cara escorregadio
  •  Sem mais detalhes = é ficar com o cara por uma noite apenas e só rola beijo
  • E para terminar o Zé Cueca, que é o namorado que liga toda hora e vigia. Segundo as moças elas detestam esse tipo! Será mesmo meninas? Entre um Zé Cueca e um B.O. prefiro um Cueca, sem nem me importar se é samba canção, box ou sunga.





segunda-feira, 12 de outubro de 2009

SÍNDROME DE P.I.A.



Depois de um congresso de neurologia estava jantando com os colegas e a conversa corria solta. Todos haviam participado de conferências e riam daquelas bobagens existentes após as apresentações de trabalhos. Eu estava calada, o que foi logo observado por um amigo, neurocirurgião, que me perguntou:
- Regina, você está triste?
- Não, só pensativa e um bocado preocupada.
- Que aconteceu?
- Nada. Quando voltarmos a BH vou querer que vocês me examinem. Acho que sou portadora da Síndrome de PIA.
- Síndrome do quê?
- de PIA.
- Onde você ouviu isso? Na mesa de quem? Do quê se trata? A sigla é inglesa?
Conto pra ele uma história super criativa e vou dando ênfase aos sintomas apresentados na síndrome: início após os 40 anos, dificuldade em perder peso, retenção de líquidos, compulsão por doces, câimbras, dor de cabeça, desconforto intestinal, gases, inchaço abdominal, hipotireoidismo que provoca ganho de peso sem causa aparente, cabelos quebradiços e unhas fracas, fraqueza, indisposição, mau humor, colesterol e triglicérides altos, desânimo, apatia, tristeza, raiva, insatisfação e o pior deles FALTA DE MEMÓRIA! Claro que o sujeito pode não apresentar toooodos, mas se possui pelo menos três deles, desiste porque você já está http://www.tôdentro.com/ do grupo.
E agora todos da mesa já ouvindo nossa conversa e minhas queixas, querem saber afinal o significado da sigla que respondo de imediato: Síndrome da Por... da Idade Avançada! Nem preciso dizer que mesmo com muitas risadas eles quase me mataram. E você? Anda atacado(a) pela síndrome? Não desista. A melhor receita, se você não se esquecer, para combatê-la chama-se: Alegria de Viver!







domingo, 11 de outubro de 2009

AINDA FIB


Então as nove dimensões da felicidade de um país estão contidas nos seguintes itens:
1. Padrão de vida econômica

2. Educação de qualidade

3. Saúde

4. Expectativa de vida e atividade comunitária

5. Proteção Ambiental

6. Acesso à cultura

7. Bons critérios de governança

8. Gerenciamento equilibrado do tempo

9. Bem-estar psicológico
Esses nove itens têm o mesmo peso no cômputo total, além de se relacionarem entre si. A conseqüência disso é que, por exemplo, não se prioriza o bem-estar material sem se levar em conta seu custo ambiental. O sucesso em uma dimensão da felicidade pode acarretar o fracasso em outra.
Além disso, mede-se a importância de valores culturais, sociais e espirituais. Aí, é claro, as respostas variam de país para país. Num reino de influência budista como o Butão, valores como “prazer” e “liberdade” podem ser menos importantes do que numa sociedade ocidental. Já o exercício da compaixão ou de práticas como a meditação e a prece têm um peso muito grande.
Mesmo num país de orientação budista, o bem-estar material está na base de tudo. É difícil ser feliz com o estômago vazio e sem um teto seguro. Mas a conquista da riqueza material – e esse é o segredo da interdependência dos itens – não pode afetar a saúde física ou emocional, comprometer o uso equilibrado do tempo ou interferir no tempo dedicado às práticas espirituais (incluídas no subitem saúde espiritual).
Atualizar o que nos traz felicidade, e ver se ela está aumentando ou diminuindo ao longo do tempo e de nossas experiências, é algo que todos nós podemos fazer, inclusive pessoalmente. Se o índice de felicidade estiver diminuindo, ou se não há um equilíbrio entre as diversas áreas da vida, é melhor agir. E rápido. Em outra direção!
Para todos que se interessaram, a 5a. Conferência Internacional de FIB , ocorrerá nos dias 20 a 23/11/2009 em Foz do Iguaçu - Paraná. Entre as várias presenças confirmadas estão, além do primeiro ministro do Butão, Marina Silva e Leonardo Boff. Na internet você pode acessar várias páginas do evento com toda a programação e presenças confirmadas.



FIB


Vamos sediar a copa do mundo de futebol e os jogos olímpicos, mas você sabia que em novembro próximo, o Brasil sediará o Encontro Internacional sobre FIB? Você sabe o que é? Como é calculado?

Jigme Singye Wangchuch, o rei do Butão, criou há mais de 30 anos um índice de desenvolvimento social baseado em pesquisas que procuram mapear o que pode trazer felicidade para seu povo. O FIB, ou Felicidade Interna Bruta, tornou-se então o fator determinante na aplicação das políticas governamentais desse minúsculo reino de orientação budista entre a China e o Tibete.
Segundo o ministro de Planejamento do Butão, Dasho Ura, que veio a São Paulo em outubro de ano passado para falar da experiência de seu país: “as pessoas sempre podem se tornar mais felizes. Um bom começo é procurar detectar com minúcias o que nos traz felicidade e o que nos causa sofrimento”. Algo em que, ironicamente, sequer paramos para pensar!
Diferentemente dos índices econômicos tradicionais, o FIB inclui também questões inteiramente subjetivas, como taxas de emoções negativas e positivas da população, avaliação da saúde mental, social e espiritual dos habitantes ou possíveis causas geradoras de estresse. A satisfação de uma pessoa, ou dos habitantes de um país, depende do contentamento que se tem em nove áreas diferentes. Esse cálculo, que produz o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB), já está sendo usado para orientar políticas públicas,empresariais e até pessoais! Continua...

sábado, 10 de outubro de 2009

PROCESSO DE EVOLUÇÃO


Desde janeiro, quando comecei o blog, depois de muita peleja acreditando estar em constante evolução - de BIOS para PEUS - confesso que continuo apanhando. Hoje por exemplo, abro meu chiquérrimo lap top – que só sei operacionalizar uns 10% do mesmo - e ao clicar pra começar minha navegação pela internet, quase acreditei que estava entrando em Hollywood! Sabe aquela musiquinha do filme Indiana Jones? Tanananã, tananã, tananã, nanã...Começou a tocar assim do nada! Olhei pra todos os ícones, botões possíveis e ... Quem a colocou aqui? Ontem quando saí não tinha musiquinha! Eu não autorizei, e se é pra invadir minha privacidade e minhas propriedades assim, dá pra colocar outra música? De filme de suspense, de mistério combina mais! Quando eu resolvo deixar pra lá, chego em casa vou abrir o computador e tchan tchan tchan tchan...Verificando o sistema de arquivos em c: o tipo do sistema de arquivos é NTPS (???). É necessário verificar a consistência de um dos discos (quais são os tipos de consistência de disco?). Você pode cancelar a verificação de disco (opa, legal, esse aí me dá o direito de exercitar meu livre arbítrio), mas é altamente recomendável continuar”. Altamente recomendável é muito mais que uma sugestão, então lá vai: - Danieeeeeeeeeeeeeeeela corre aqui!
- Que foi mãe?
- Não sei! Olha o computador! Olha o quê está escrito! Quê isso???
- Não sei mãe... (na maior caaalma).
- Como não saaaabe??? Ontem quando saí pra trabalhar o computador tava ótimo! Você tem que saberrrr!
E ela já acostumada com a mãe BIOS que tem, escondendo aquele risinho sacana de adolescente sabe tudo, clicou daqui e dali e resolveu o problema. E eu? Bem, eu vou continuar nas minhas tentativas evolutivas.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

FREUD NÃO EXPLICA




Não consigo, até hoje, entender como escolhas assim podem acontecer. O telefone toca no consultório e como estava num intervalo atendo: - Alô!
- Quem fala?
- Com quem gostaria de falar?
- É a psicanalista? ... Regina?
- É ela.
- Você atende adolescente?
- Atendo.
- Você pode falar?
-??? Estou num intervalo, pode dizer. Como você se chama?
- J. Eu estou com um filho de 11 anos que está com problemas de déficit de atenção na escola e também vai ganhar um irmão, minha namorada está grávida. Você atende?
- J. Você foi indicado por quem?
- Na realidade eu estou com o catálogo aberto aqui nas páginas amarelas e vi seu nome?
-!!!!! (Alguns segundos de silêncio estupefatos)
Bem, primeiramente vamos ter que marcar uma consulta para você e depois com seu filho para avaliarmos e aí vermos qual será a conduta terapêutica. Vamos marcar?
- Ah, essa é a condução. Mas então você pode anotar meu celular, porque agora você está num intervalo e...
-????
Penso que atualmente, e já escrevi sobre isso, com os rumos que tomaram a saúde em nosso país tudo é possível. Os convênios e seus livrinhos determinam o que deveria ser uma escolha verdadeira. E quando há uma indicação anterior, é imediatamente seguida de uma pergunta: ele (a) é do convênio? Se não faz parte da sua lista, o profissional está http://www.tôfora.com/. de ser procurado.
Não tenho absolutamente nada contra os convênios, até porque é o que digo sempre – fiquem sem comer, mas não fiquem sem seu plano de saúde! É uma questão de sobrevivência. Mas, você entrega alguma parte de seu corpo assim, sem mais nem menos, simplesmente abrindo o livrinho e seguindo a lista de credenciados? Não pergunta a um(a) amigo(a) antes?
Eu não! Posso assegurar que uma rápida pesquisa valerá muito mais que qualquer receita e/ou tratamento dado por um profissional que você não tenha uma única recomendação. E observem que estou falando de profissionais credenciados, ou seja, passaram por análise curricular e provas para seus nomes constarem daquela listagem.
Agora me expliquem: se for assim – ou deveria ser - com minha pele, coração, pulmões, cérebro, olhos... Como posso ir para as páginas amarelas de um catálogo telefônico, procurar e entregar o psiquismo de um filho? Quem souber me responder ganha um presente!
A propósito, fiz uma pesquisa na Lista Telefônica (Guiatel) e não me encontrei. Pode?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CUIDANDO DE QUEM CUIDA


Ao saber do diagnóstico de doença de Alzheimer e de suas implicações, muitas pessoas decidem dedicar-se exclusivamente ao cuidado do familiar acometido. Não estimulo essa decisão... Vários estudos mostram que familiares que se dedicam só, ou quase só, a esta atividade têm risco muito aumentado de depressão, ansiedade e distúrbios de imunidade. Este risco pode continuar mesmo após o paciente estar institucionalizado ou morto. Você nunca deve esquecer que cuidar de alguém com doença de Alzheimer é uma atividade exaustiva e muitas vezes frustrante, que continua por vários anos. Ao fazer o planejamento em longo prazo, considere os seguintes pontos:
  •  Planeje tempo para cuidar de você mesmo, ainda que apenas um período. Um auxiliar pode ser contratado para uma parte do dia, quando é aconselhável que você esqueça momentaneamente o problema. Ir a um cinema não deve ser encarado como uma falha na assistência ao seu familiar, mas sim como o tempo necessário para você readquirir a energia que vai precisar. Algumas famílias preferem cuidar do paciente em rodízio, o que implica em um período de adaptação cada vez que ocorre uma mudança de casa.
  • Para toda a família, a aceitação de dificuldades relacionadas à doença será tanto melhor quanto mais esta for conhecida. Todos devem procurar informar-se, procurando associações de familiares, como a Associação Brasileira de Doença de Alzheimer (ABRAz), que também poderão proporcionar apoio pela oportunidade de compartilhar experiências com pessoas enfrentando o mesmo tipo de problema. Além disso, existem vários Serviços de Geriatria e Gerontologia, em hospitais, que possuem Grupos de Apoio. Busque...
  • Como toda pessoa, você está sujeito à depressão e raiva. Perder a calma durante uma crise de raiva do paciente não torna você um criminoso. Nesta situação, o mais aconselhável é chamar outra pessoa (parente ou amigo) e retirar-se por algum tempo. Isto é mais uma demonstração da importância de pelo menos duas pessoas estarem envolvidas no plano de cuidados.
  • Ao tomar decisões, em particular decisões cruciais, como institucionalizar, procure fazer com que sejam compartilhadas por toda a família. O médico assistente pode ajudar neste processo.
  • E nos estágios finais, quando a linguagem foi perdida e a dependência é total, lembre-se que, ainda assim, o AMOR permanece. A pessoa para quem você está olhando é a mesma com quem você sempre conviveu, pode acreditar!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

REVERDECER COM AMOR

Uma agenda frenética nos ajuda a evitar um olhar mais profundo sobre nós mesmos, mas na maturidade essa negação simplesmente não funciona mais. O nosso inimigo não é o tempo, mas a falsa percepção sobre ele. O estilo de vida mais lento é sinal de um reverdecer interno. É hora de dar suporte ao nosso real conhecimento e compreensão de nós mesmos.
Muitas pessoas resistem, por inúmeras razões, à grande aventura que é o Amor - ouço isso de várias maneiras na minha clínica. Muitos estão bastante machucados, o que os impede de amar sem medo. E o medo, embora seja raramente justificado, é compreensível. O desafio a encarar é deixar para trás esse medo acumulado durante tantos anos, para que nos tornemos capazes de viver o amor que está bem diante de nós. Esse desafio é o chamado desafio romântico da maturidade. Um de nossos maiores medos é o temor do abandono. Quando alguém decide que é hora de ir, e seu amor significava tanto para nós, cria uma ferida primal. Muitas vezes, aquele que leva embora nossas dores é o mesmo que deixa muitas outras.
A raiva contra os homens – desde pais ausentes até os amantes indisponíveis – deixa uma rigidez no coração que não faz bem. As pessoas costumam dizer: Mas fiquei tão magoado(a), como poderei acreditar nisso novamente?” A fé no Amor não significa ter fé na personalidade de alguém; quer dizer ter fé na natureza imutável do próprio Amor. Ter fé no Amor não é acreditar na outra pessoa; em última análise, é ter fé em nós mesmos. Em nossa capacidade de discernimento e em nossa capacidade de perdoar. Em nossa capacidade de amar ardentemente, mas com a completa consciência de que o objeto de nosso amor hoje pode ter partido amanhã. Só mesmo na maturidade/reverdescente que você acaba compreendendo que tudo é seu e, ao mesmo tempo, nada é seu. Como diz Helena a seu amado Demétrius em Sonho de Uma Noite de Verão: “Encontrei Demétrius como se fosse uma jóia/Minha, mas também não minha...” Quando somos jovens, nos agarramos firmemente ao amor, na esperança de que ele dure para sempre. Mas, quando se fica mais maduro/reverdescente, compreende-se que não é preciso mais se agarrar dessa maneira, porque o amor fica para sempre. As pessoas vêm e vão, mas o amor permanece, se ele está dentro de você. O verdadeiro Amor é um risco. Vamos arriscar? Tôdentro do Amor.
Reverdecer – segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa, “dar nova força ou vigor; rejuvenescer (-se), revitalizar (-se)”.