Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

domingo, 14 de março de 2010

IMAGEM FALA POR SI SÓ

Recebi da Paty Amada e num resisti... Melhor rir que chorar! Você pode decidir pelo que quiser. Para melhor visualização é só clicar na imagem.

TÔDENTRO OU TÔFORA?


Recebi esse anjo de um amado: Vicente. Fazemos parte de uma grande comunidade, e como andei afastada, ele insistiu com tanto amor e mimos que partilhei com ele o que venho passando nessas últimas semanas. Era sábado e tinha muitas coisas a fazer pela manhã. É o dia que fica reservado para as compras da casa, levar estragados para o conserto, presentes para os aniversariantes, cozinhar algo diferente e poder almoçar sem correria. Entrei para tomar uma ducha rapidinha e despertar assim para os prazeres. Ensaboando meu corpo senti algo estranho em minha mama esquerda... Apalpei daqui e dali e aquele era, definitivamente, um estranho no ninho. As lágrimas começaram a rolar e por mais que minha razão dizia para ter calma, minha emoção desesperada gritava mais forte. Pensei tudo confuso, embolado mesmo: acabei de fazer meu controle anual... sou tão nova... meus filhos... meus pacientes oncológicos... os ingredientes especiais que tinha que comprar para o almoço... ontem minha mama estava normal... mãããeee cadê você para me acalmar e me dar colo?... meus amigos e familiares que nesses últimos dois anos vem enfretando essa maldita doença! Mãe, existe alguma doença que é bendita? Perguntou meu filho, numa dessa ocasiões que estava tristíssima, ao saber que um primo enfrentaria toda a parafernália quando descobriu, ao fazer a barba, um c.a. de garganta. Não filho, nenhuma doença é bendita. Chamo-a de maldita porque é  uma doença traiçoeira, silenciosa, que contraria qualquer "lógica". Por mais verbas e institutos de pesquisa destinados a seu estudo, avançamos muito pouco em relação às técnicas, tratamentos e cura, se compararmos às outras doenças.
Saí do banho, respirei fundo e pensei: calma, muita calma nessa hora. Bico calado - de nada adiantaria alarmar meus amados - e na segunda ligo para o meu médico. Estava dolorido, avermelhado, sem secreção e de quando em vez latejava, me lembrando a todo instante, que esse E.T. tinha se instalado, sem ser convidado, no meu corpo! Nessas horas esquecemos tudo, tudo mesmo que aprendemos, e somos sós com nossos devaneios, medo e tristeza.
Chegada a segunda-feira, telefonei e ouvi:
- Regina, não estou entendendo seu pessimismo. Isso não combina com você e até parece que você não sabe: câncer não dói.
- Sei nada mesmo não! E se combina ou não comigo, deixo isso para as revistas de moda e programas fashionistas. Vá à m.... (Tenho essa intimidade com ele, pois antes de ser meu médico é meu primo amado. Salvador além do nome já salvou minha vida,mas isso é outra história).
Prescreveu antiflamatório e de imediato mamografia. Putz, com a dor que sentia, fazer hamburguer de mama não ía ser brinquedo nãããooo! (continuo amanhã)

sábado, 13 de março de 2010

VOVÓ

Querida Vovó,
É com um aperto no peito e um nó na garganta que te escrevo esta carta. E não teria como ser diferente. Afinal, não tem sido fácil conviver com a sua ausência. 12 meses já se passaram desde que você se foi e eu, que continuo aqui, tento levar minha vida como você bem me ensinou: com as rédeas na mão, muito trabalho e vibrando com tudo o que a vida me oferece. Mas principalmente agradecendo por ser quem sou, por estar vivo e ter uma bela família e bons amigos que hoje aqui se reúnem em sua lembrança.
Tive a honra e o privilegio de conviver quase 3 décadas com você e ter te visto sempre de pé para a vida, mesmo com todas as surpresas que ela te trouxe. Isso me ensinou a ter garra e fibra para o que der e vier.
Onde quer que você esteja, que você tenha encontrado seus pais, irmãos, seu marido, sobrinhos, primos e seus amigos que já não estavam entre nós. Que você esteja bonita, de cabelos arrumados e unhas pintadas, elegante, corajosa, de cabeça erguida e independente como sempre foi. E é assim que você fica vivamente guardada na minha memória.
A sua ida, Vó, alem de me causar dor, só me ensina que a vida é realmente o que temos de mais precioso.
Hoje, a única certeza que tenho é a de que os momentos que vivemos juntos serão sempre parte da pessoa em que me tornei. Sabe, quando vejo minha mãe e minhas tias, enxergo em cada uma um tanto de você e isso é, eternamente, a sua presença! Aliás, como você sempre dizia, o fruto num cai longe da árvore.
Do neto que te ama,
Guilherme.
Essa carta foi escrita e lida pelo Gui nesse "aniversário" de um ano de falecimento de minha mãe. Acredito que ela deve ter ficado feliz dimaiiisss e eu sou só saudades... AMO VOCÊ, MÃE!

sexta-feira, 12 de março de 2010

QUE VIDA É ESSA???? PIADA DE MAU GOSTO!

Tinha começado meu final de semana bem humorada (o post anterior é "testemunha") e feliz com os resultados que obtive nela (vou contar tudinho que estou passando, prá vocês, a partir desse domingo). Consegui vir almoçar em casa e assitir ao jornal das 13hs. Meu humor se transformou e além da tristeza, estou questionando - mesmo sabendo que não há explicações viáveis - o que leva um rapaz de 25 anos, amigo da família, que tinha estado na noite anterior na casa deles, voltar no dia seguinte e matar pai e filho, de também poucos vividos 25 anos. Glauco, 53 anos, humorista dos bons, foi assassinado junto com seu filho, que intercedeu na cena bizarra que viu ao chegar da faculdade! Não acredito que não terei mais meu "casal de neuras", "Dona Marta" e suas investidas, a esperança escrachada de "Zé do Apocalipse" e tantos outros personagens que me arracaram gargalhadas em momentos que não estava prá sorrir... Tenho mesmo é vontade de colocar,aqui, todos os palavrões e palavrinhas que não se aprende em banco de escola. Que vida é essa? Minha única saída é imaginar que o céu vai ficar muito mais divertido com ele e Henfil por lá...
"Ela foi educada à maneira antiga e, tanto esperou seu homem, que acabou ficando para titia. Quando viu que não arrumaria namorado, passou para o ataque. Aliás, Dona Marta canta qualquer um. Pode ser o chefe, o boy do escritório, o entregador de pizza ou o salva-vidas. Mesmo não tendo o corpo em forma, ela se acha a mais gostosa do planeta. Dona Marta foi criada em 1981 junto com o Geraldão para o livro independente "Minorias do Glauco". A personagem é baseada em uma amiga do Glauco que, até hoje, não sabe que virou desenho."
"O Casal Neuras, criado em 1984, é formado por uma mulher que não é mais submissa e por um homem com pose de liberal, mas que morre de ciúmes dela. O Neurinha é um cara que fez a revolução sexual e hoje se depara com a postura liberal das mulheres. Já a Neurinha desafia a repressão machista e faz o que dá na telha. Esses personagens foram baseados no primeiro casamento do Glauco e na vergonha de manifestar o ciúmes. Esta foi a forma encontrada pelo cartunista para exorcizar o fantasma do machismo."
" Zé é o "profeta brasileiro", aquele que acredita que o Brasil é o berço de uma nova raça, a terra do novo milênio. Zé do Apocalipse acredita ser o porta-voz da nova era e prega suas idéias em qualquer praça pública. Este personagem foi inspirado em um amigo do Glauco que vivia em uma comunidade alternativa e seguia várias linhas espirituais." (Fonte:Internet)

BOM, RUIM, TERRÍVEL

BOM: Sua esposa está grávida.
RUIM: São trigêmeos.
TERRÍVEL: Você fez vasectomia ano passado e não contou prá ninguém.

BOM: Sua esposa não fala mais com você.
RUIM: Ela quer o divórcio.
TERRÍVEL: Ela é advogada.



BOM: Seu filho passou da puberdade.
RUIM: Ele está envolvido com a vizinha da frente.
TERRÍVEL: Você também está.



BOM: Seu marido entende de moda feminina.
RUIM: Usa a sua roupa.
TERRÍVEL: Fica melhor nele que em você.



BOM: Você decide dar aula de educação sexual para a sua filha.
RUIM: Ela te interrompe várias vezes.
TERRÍVEL: Corrigindo você.



BOM: Sua filha arranjou seu primeiro emprego.
RUIM: De prostituta.
TERRÍVEL: Seus colegas do futebol e do trabalho estão todos ficando clientes dela.
MAIS TERRÍVEL AINDA: Ela está ganhando 10 vezes mais que você e disse que vai reformar a casa e te dar um carro novo.



BOM: Você arranjou uma gata quente para bater papo via Chat... Começou no erótico, partiu pra sacanagem e descambou para a putaria pura.
RUIM: Não agüentando de tesão, você resolve se revelar. Ela responde que conhece você muito bem e que não vai dar para continuar porque você não passa de um grande canalha e, ainda por cima, vai contar para a sua mulher!
TERRÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍVEL: Era sua sogra.

MORAL DA HISTÓRIA:
Tá ruim? Não reclama... Aprenda a sorrir de seus problemas e não terá razões para deixar de sorrir! Loucura é fazermos sempre as mesmas coisas e esperarmos por resultados diferentes!
(Fonte: Internet)

quinta-feira, 11 de março de 2010

COMEÇAR DE NOVO...E CONTAR COMIGO

Estava numa festa quando ela chegou para me cumprimentar. Desde a formatura de nossos filhos, no ensino fundamental, não tinha tido notícias. Ela me pergunta:
- Você sabia que estou com um bebê de sete meses?
- Não! Como assim?
- Gabriel nasceu ano passado!
Nome de anjo pensei.
- E que me separei ainda grávida?
A música alta e os copos de bebida em nossas mãos silenciaram meu assombro. Não perguntei os motivos... continuei ouvindo.
- E que o Luis está repetindo o ano? Tomou bomba em português.
- Não acredito! Ele sempre foi tão estudioso.
- Ah Regina, ano passado foi difícil para todos nós, inclusive para ele. Acho que foi reflexo de tudo: separação, nascimento do irmão. Você entende muito disso. Escuta sempre casos assim na sua clínica!
- E como você está?
- Ah, estou ótima! Inclusive saí do emprego também.
- Não acredito! Vinte anos de empresa, um super salário...
- Começar de novo, Rê, tudo novo. Cansei do que era, como estava...
Fiquei com um gosto de Malu Mulher na alma. Esse seriado foi um grande sucesso da TV Globo. Malu é uma mulher que acabou de sair de um casamento frustrado e decidiu pelo divórcio, em uma época de muito preconceito contra as mulheres separadas. Ela tem uma filha adolescente, que sente todo o turbilhão da crise antes e depois da separação de seus pais. A série mostra a vida de uma mulher recém separada e suas dificuldades, tristezas e é claro, alegrias, enfrentando um mundo preconceituoso e machista, na virada dos anos 70 e para os 80.
Decisões desse porte requerem coragem, garra de guerreira, de mulher com M maiúsculo. Nessa semana de tantas homenagens fica, aqui, a minha admiração por você, amada! “Começar de novo e contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido!”

quarta-feira, 10 de março de 2010

DAR UM TEMPO AO TEMPO

No final do ano passado dei uma entrevista para a revista Viver, sobre a importância de nos dedicarmos a algo que nos traz prazer. O repórter havia me contado das pessoas que havia entrevistado, que se dedicavam a trabalhos voluntários, atividades físicas, intelectuais e como isso fazia diferença em suas vidas. Me perguntou o porquê de algumas conseguirem esse tempo e outras não, e  eu respondi rindo: Ah, você quer uma fórmula mágica, um comprimidinho básico e universal? O dia, amigo, tem vinte e quatro horas para ele, para você e para mim... Disciplina, desprendimento, desejo? Devolvi, como psicanalista que sou, a questão para o moço e ele que busque a sua resposta. Havia me esquecido dessa entrevista, até que, ontem, recebi um telefonema, de uma amada, dizendo que adorou me ver/ler na revista...coisa de amigos. Quando cheguei no consultório, estava lá a minha edição. Para minha surpresa pude compreender, ao ler a matéria, aquilo que celebridades - que em absoluto não é o meu caso - sentem com determinadas publicações: o jornalista mexe tanto com as palavras que a gente nem reconhece o que foi dito! A matéria não deixou de ficar bacana, meio simplificada para o meu gosto, mas meu amado Richard estava lá, por indicação minha. É o exemplo maior daquilo que fazemos, que nos dá prazer imensurável e nem sabemos os motivos. Vamos fazendo, fazendo e recebendo, recebendo... Eu também dedico meu tempo nessa casa, nesse trabalho, há cinco anos e digo a vocês: é MARAVILHOSO! Se você quiser dar um tempo ao tempo, pode ler a matéria clicando no link abaixo:

terça-feira, 9 de março de 2010

VIDA NO VAREJO

Dizem, quando tudo está correndo bem em nossas vidas, que os anjos conspiram a favor. Venho aprendendo que a vida se define no varejo, não no atacado. Não adianta traçar grandes metas, nem selar compromissos com o futuro. São as miudezas do cotidiano que nos ocupam, que definem a pessoa que somos e traçam o nosso destino. E chega uma hora em que a gente tem que acreditar que o futuro já chegou... não é amanhã, nem ano que vem: é hoje, aqui e agora, todo o dia!

segunda-feira, 8 de março de 2010

FREUD NO COTIDIANO: AFINAL, O QUE QUER UMA MULHER?


Nesse dia internacional da mulher me vem à cabeça uma pergunta: “afinal, o que quer uma mulher?” É sabido que a área da sexualidade humana foi fortemente marcada pelas teorias freudianas. A sua psicanálise acabou tendo um papel marcante no ocidente dentro da teia de discursos da modernidade que tentaram definir e conceituar a figura feminina, seu corpo, sua "função" e sua sexualidade. Entre outras preocupações, Freud retomou a discussão da natureza do sexo feminino, abrindo para a então nova ciência do inconsciente, possibilidades ainda inexploradas. Tentou então desvendar a feminilidade, estudar a sua constituição a partir da estrutura edipiana, que constitui uma das matrizes da psicanálise.
Através da estrutura edipiana, Freud distribui as posições do pai, mãe, do filho e da filha e detalha o longo périplo através do qual cada um aprende a assumir a sua realidade sexuada ou, a resignar-se a ela, quando se trata da menina. Para ele a lei do pai, ao proibir a posse da mãe, primeiro objeto de desejo, que deverá transferir-se para outra mulher e, no caso da filha, para outro sexo, inaugura o acesso à maturidade e à capacidade do simbólico, através da prova da castração. A posição de cada sexo está ligada à sua configuração morfológica. A menina é diferente do rapaz, sendo inferior a este, privada como está desse pênis que lhe falta, de que tem "inveja" e de que não encontra senão um pálido sucedâneo no clitóris.
O sexo feminino é definido negativamente em relação ao sexo masculino. Tornar-se mulher é aceitar não ser homem, através de um laborioso itinerário cujas peripécias não descreveremos aqui. Uma certa bissexualidade vem corrigir esta disposição. Mas o acesso aos benefícios fálicos, à sublimação, custará caro à menina, sempre mais ou menos levada a escolher entre o prazer e o trabalho, enquanto o rapaz pode harmonizá-los.
Freud não ignora o papel desempenhado pela cultura na determinação do lugar das mulheres, mas isso não "derruba" a estrutura edipiana, considerada como transcultural. É com nostalgia que ele verifica a evolução que se arrisca a conduzir ao desaparecimento da coisa mais deliciosa que o mundo tem para nos oferecer: o nosso ideal da feminilidade. A este título, Freud critica o feminismo de J. S. Mill, que reclama igualdade.
Em linhas gerais, o pensamento freudiano, sublinha o dimorfismo, ou mesmo a dissimetria, dos sexos, mas a partir de um monismo fálico: não há libido senão masculina. Entretanto, o que é revelado pelo inconsciente parece espantosamente próximo do que é produzido pelo social. Encontra-se mesmo aí uma normatividade genital e heterossexual em harmonia com a forma da família tradicional.
Perto do final da vida, após um longo silêncio sobre a questão e efetuando uma crítica sobre si próprio, Freud não hesita em afirmar que durante o seu percurso lhe escapou alguma coisa da feminilidade, "esse continente negro". E dirige a Maria Bonaparte a pergunta que se tornou célebre: "Que quer uma mulher?", a qual não será dada resposta.
Ao mesmo tempo em que a psicanálise foi capaz de dar conta do desejo das mulheres, ela permaneceu, até então, impotente perante o seu querer, que não coincide com o seu desejo. O que foi compreendido continuou insuficiente para explicar a feminilidade. Para Freud, o que constitui a masculinidade e a feminilidade é um caráter desconhecido que a anatomia não pode captar... "é impossível dar qualquer conteúdo novo às noções de masculino e feminino".
Meu lado mulher incomoda-se de receber homenagens num dia do ano – 08 de março - enquanto nos outros 364 ele se farta, em múltiplas funções, sendo simplesmente mulher!
Atenção, amadas minhas: aproveito para lembrá-las, nesse nosso dia internacional, do auto-exame de mamas! O câncer de mama continua sendo a maior causa de morte entre mulheres no Brasil. É de fundamental importância os exames clínicos, todos os anos, a partir da adolescência, mamografia anual a partir dos 40 anos, auto-exame mensal e um estilo de vida saudável. Dá-lhes meninas!!!

domingo, 7 de março de 2010

AMIZADE

Você conhece o relacionamento entre seus dois olhos?
Eles piscam juntos, eles se movem juntos, eles choram juntos, eles vêem coisas juntos e eles dormem juntos, embora eles nunca vejam um ao outro...
A amizade deveria ser exatamente assim!
(Desconheço a autoria. Fonte:Internet)