Hoje é o último dia de Chanucá também conhecida como festa das luzes. Vou contar um pouco dessa festa e daquilo que se comemora. A postagem é longa, então só invista seu tempo se desejar!
Da História:
O “Ch” de Chanucá é pronunciado como se fossem três erres cariocas, ou seja, RRRanucá. Som seco feito na garganta, como falamos raíz. A história de Chanucá é baseada parcialmente em fatos históricos e parcialmente no relato da tradição judaica. É um festival de oito dias que comemora a vitória histórica da família Macabi sobre o tirano sírio Antíoco, no 2o. Século AC. Após conquistar Jerusalém, para mostrar seu total desprezo para com o Sagrado de Israel, Antíoco sacrificou um porco no altar. Ele assassinava todo judeu que ousasse observar os mandamentos da Torá. Antíoco declarou que todos tinham que se tornar helenistas e não poderiam mais estudar a Torá ou continuar na verdadeira adoração a D’US.
Yehudá Macabi, um homem corajoso e um verdadeiro gênio militar, liderou uma guerrilha despreparada e muito inferior numericamente às forças sírias. Quando os macabeus libertaram o Templo do domínio dos gregos, descobriram que o local mais sagrado do Judaísmo tinha sido violado e profanado. O Templo necessitava muito mais que uma limpeza e consertos; precisava ser reconsagrado.
Chanucá trata de duas forças sempre presentes: trevas e luz. Um conflito entre duas ideologias: o helenismo e o judaísmo. O poder de uma pequena chama capaz de banir as trevas, de ver uma batalha impossível, ser vencida pelos mais fracos em número, mas cuja centelha permitiu ir muito além das limitações. É uma celebração histórica de vitória sobre opressores estrangeiros e sobre o paganismo.
Do milagre:
Chanucá não comemora apenas esta vitória militar, mas também um milagre relatado pela tradição judaica. Segundo ela, depois que a família Macabi retomou o controle do Templo que havia sido profanado, eles encontraram apenas uma porção de óleo para a Menorá (candelabro de sete braços) do Templo. Tal porção normalmente duraria apenas um dia. Esse óleo era feito segundo as instruções da Torá, e seriam necessários pelo menos oito dias para se fazer mais do mesmo. A tradição nos conta que D’US fez um milagre e aquela porção para um dia durou oito dias! Isto manteve a Menorá acesa durante o tempo necessário para preparar mais óleo consagrado. É por isso que este é um festival de oito dias e que a Menorá tem oito pontas, além da vela chamada de shamash/“ servidor”, que é usada para acender às outras.
Dos significados da palavra:
A palavra hebraica "chanucá" tem três significados: início, educação e dedicação.
Das comidas típicas da festa:
Como o óleo é um dos elementos mais importantes da história e do milagre de Chanucá, suas comidas típicas são alimentos fritos em óleo (haja colesterol!). Entre os pratos mais populares encontram-se latkes de batata e sonhos.
Da importância, pessoal, dessa celebração:
Os mais antigos de Divã sabem que faço uma grande diferença entre religião, religiosidade e fé. Talvez por isso muitos possam até pensar: “é o samba do crioulo doido”. Tenho, assumidamente, uma FÉ inabalável numa ENERGIA AMOROSA DE LUZ. Fui construindo, e ainda, ao longo desses anos de minha vida. É independente de em qual religião fui educada e criada. Assim, tenho um respeito enorme pela religião, crença de todos aqueles com os quais meus caminhos se cruzam. Como política, futebol e outros tantos não discuto. Respeito. Só boto minha boca no trombone quando, em nome de “uma fé”, radicais sejam pertencentes a qualquer religião, doutrina, crença cometem atos insanos. FÉ é LUZ. E enquanto tal alumia, jamais escurece!
Como essa festa coincide com o Natal (mesmo mês) gosto muito. Tanto ela quanto o Natal me fazem pensar em inícios/nascimentos, milagres e as variadas formas de dedicação. Chanucá não é, nem deve ser considerado, um “Natal judaico”. Muito menos não é sobre um simples acender de velas. É sobre entrar no mundo dos milagres agora e para o resto da vida. Ao acender velas, cada um com sua fé, fica mais perto da Luz. A conexão é feita através de Luz.
Gosto também do Shamash/Servidor que é o fogo comum, profano, com a qual acendemos cada fogo sagrado. Imaginar e ser uma simples servidora, me faz feliz. Não somos assim, muitas e muitas vezes sem nos darmos conta? Cada um de nós tendo essa função de despertar e acender o sagrado do outro que, tantas vezes, insisti em se apagar? Pode ser com a simples presença, uma bendita palavra, um gesto...
Em Nova York. por exemplo. na entrada dos edifícios onde moram tanto cristãos quanto judeus, há de um lado uma árvore de natal e do outro uma chanuquiá. Um dos cartões mais bacanas que já comprei era assim: dois motoristas de táxi, no famoso yellow cab. Em cima do táxi do nova-iorquino uma chanuquiá e em cima do táxi do judeu, uma árvore de natal. O primeiro desejando Happy Christmas e o segundo Happy Chanuká. Não seria maravilhoso se vivêssemos todos assim? Em comunhão, paz, cada um respeitando, admirando a crença religiosa do outro?
Para mim é esse o milagre maior: da FÉ de cada um, de uma vida em paz, respeito, amor e harmonia entre todos os povos. Então, desejo que as luzes de Chanucá junto com as do Natal, iluminem nossos corações e mentes na busca de respostas (e novos questionamentos!), que permaneçam ardendo e mantendo o fogo da FÉ que aquece corações. Não a tocha do ódio ou fogueiras de vaidades, e que possam ajudar a romper as trevas dos tempos tenebrosos de terror que estamos vivendo, iluminando e eliminando a intolerância!(RR)
Chanuká Sameach!!! Feliz Natal!!!
(Imagens:Internet. Pesquisa: Revista Morashá, CIP, CIM, Beit Chabad)