Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

CARRO ESTRAGADO

Meu carro estragou na última terça-feira. Engatava as marchas e não desenvolvia. Parece com a gente que, muitas vezes só fazendo a manutenção básica – alimentação/gasolina, higiene/lava-jato, atividade física quando dá/troca de óleo, calibragem dos pneus – também pifamos e temos que ir ao médico/mecânico.
Ficar sem carro é um transtorno, tanto quanto marcar e ir à consulta médica, fazer os exames, tomar as medicações. Quebra-se o ritmo já tão conhecido e dá um descompasso danado. Mas até que dessa vez, talvez pelas “semiférias”, encarei com mais tranqüilidade.
Andei a pé e no sinal da Leopoldina com Contorno pude tomar café com meus velhos conhecidos, vendedores de sombrinhas e pano de chão: – ué “Dra.” cadê o carro? – Pifou! Tem um tempinho prum café?
Andei de ônibus e pude experimentar vários motoristas, e diversos modelos de “carro”. Fui até conduzida por uma mulher, jovem, bonita, maquiada, que só tinha visto em reportagem na TV. É a constatação das conquistas femininas.
A descoberta maior foi o táxi-lotação! Por R$2,40 conheci gente de todas as profissões, trocamos opiniões sobre assuntos variados, rimos e até desejamos nos rever como velhos conhecidos.
Andar a pé faz a gente enxergar coisas, sentir cheiros, perceber detalhes que de dentro do nosso carro passam desapercebidos. Brinquei com as formiguinhas que tentam deixar nossos caminhos mais limpos, cumprimentei outros andarilhos em resposta a gestos gentis, descobri que onde meu filho faz estágio é quase ao lado do SOCOR, ouvi assovios (quanto tempo!) que me fizeram sorrir. Claro que também me lembrei, do quanto sou privilegiada em possuir um carro e não ter que esperar 10, 15, 20 minutos um ônibus, depois de um longo dia de trabalho e ir espremida que nem sardinha em lata.
Mas de qualquer forma pude reviver emoções e experimentar coisas novas. Fiquei pensando que não quero pifar para poder experimentar coisas novas e reviver emoções. Também somos, como um carro, uma máquina com um tempo de vida útil. A diferença, é que não dá para a gente se trocar ou vender. Dá, isso sim, para fazermos uma constante revisão, sem esperar a quilometragem recomendada!

Um comentário:

  1. Como tudo na vida, tudo tem seu lado bom... E realmente o carro nos "fecha" em um mundo, e esquecemos que o "mundo real" é muito mais amplo. Vale tirar uns dias de cada mês, deixar o carro em casa, e andar das formas alternativas. Não precisa estragar o carro pra gente fazer isso (aliás, o maior problema de estragar o carro é o preço que temos que pagar pelo "CTI" dele. Seria melhor se houvesse um "plano de saúde", que não tivéssemos que pagar franquia!

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