Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Psicologia Hospitalar

Psicologia Hospitalar: O dia-a-dia da atuação profissional, os desafios e os percalços. (Texto publicado no Estado de Minas em 06/06/2008)
Você já se viu ou presenciou alguém que você ama sendo internado em um hospital de forma inesperada? Existem situações na vida que, por mais que sejam primárias ou se repitam, trazem uma nova emoção.O que fazer quando se vive a experiência de estar desorientado, sem saída e em sofrimento?
A inserção do psicólogo nos hospitais gerais não é recente (1954, primeiro registro no Brasil de um psicólogo em uma instituição hospitalar/São Paulo) e remonta a um período anterior a regulamentação da profissão (Lei Federal 4.119/62) no país. Contudo, sua presença estável e significativa no ambiente hospitalar só se deu a partir dos anos 1990. Ao ser internado, o paciente traz consigo sua história. Sofre um processo de total despersonalização: deixa de ter seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou o portador de uma determinada patologia. A gravidade do quadro clínico, a incerteza do diagnóstico e a imprevisibilidade da evolução do tratamento vão de encontro à estrutura psíquica de cada paciente e de seus familiares, atualizando peculiarmente, no hospital, a vivência de “extremo desamparo”, que é o destino humano. Assim, aquilo que se passa no corpo, que é uma crise objetiva, pode se transformar em uma crise subjetiva.
Como os sujeitos são constituídos de fala, eles precisam se reposicionar acerca do que lhes ocorreu. A psicologia hospitalar pode então ser definida como o campo do entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento.A Psicologia Hospitalar, assim como a psicoterapia, tem seu instrumental teórico de atuação calcada na área clínica. E, apesar dessa convergência há pontos de divergência que mostram os limites de atuação do psicólogo no contexto hospitalar, mas não seu impedimento. O trabalho do psicólogo no hospital geral tem características peculiares: temos como cliente alguém que não nos buscou (o médico encaminhou), que tem seu corpo exposto, dolorido, costurado e até mesmo mutilado. Atendemos em pé, ao lado do leito, nos corredores, diante dos integrantes da equipe ou de familiares, não tendo nem por perto as características do setting de um consultório. Não há problema! O objetivo principal do atendimento hospitalar é a minimização do sofrimento provocado pela hospitalização. Possibilitar ao paciente e a seus familiares a verbalização de sua angústia, medo e sofrimento. Esse processo deve ser entendido não apenas como uma mera institucionalização hospitalar, mas e principalmente como um conjunto de fatos que decorrem desse processo e suas implicações na vida do paciente e de sua família.
Ao priorizar o eixo clínico, o psicólogo hospitalar aposta na emergência do sujeito, não apenas dando sentido e significado à sua própria experiência, mas participando de forma ativa e dinâmica em seu tratamento. Inicialmente – e até hoje, em muitos casos – os psicólogos não eram contratados pelos hospitais e atendiam apenas depois da indicação médica. Atualmente, o campo já tem muitas áreas definidas por lei, como a presença dos psicólogos em CTIs e nos serviços de hemodiálise. Outro problema enfrentado pelos profissionais é o reduzido número de planos de saúde que cobrem as consultas psicológicas. Desde abril, essa cobertura se tornou obrigatória por lei, mas ainda há ressalvas: são permitidas apenas 12 sessões anuais, por meio de pedido médico. Apesar das dificuldades encontradas, continuamos nosso trabalho por testemunharmos, diariamente, que, embora as palavras não sejam capazes de transformar aquilo o que no psiquismo, é impossível de simbolização, elas podem, contudo, promover uma mudança na posição do sujeito frente aos desígnios de seu desejo. REGINA ROZENBAUM (Especialista em Psicologia Hospitalar)

Um comentário:

  1. Ei querida! Parabéns pela iniciativa... O blog tá muito legal... Vou acompanhar você sempre... Depois temos que combinar de encontrar, né? Tenho que te contar minhas novidades... Tô muito feliz! beijo na alma!

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