Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tristeza ou Depressão?


Ano passado dei inúmeras palestras sobre esse assunto e não vou me esquecer quando cheguei numa grande empresa e a recepcionista disse: - Oh Doutora, queria tanto ouvir a Sra. falar da Ina! Sem ela, acho que nem estaria aqui.
-Ina? Como assim?
-A fluoxetina, paroxetina, venlafaxina...
Tristeza é uma resposta normal a perdas que sofremos na vida. Só que agora se tornou comum chamá-la de depressão. Algo normal foi transformado em doença. A cultura dos antidepressivos transformou em doença, dificuldades que fazem parte da vida de todos nós.
Ficamos naturalmente tristes pelas perdas do dia-a-dia, como de um relacionamento amoroso, de um emprego, de uma notícia de que seu estado de saúde não é bom. Ou quando há condições estressantes – como a pobreza – ou relações sociais em que se sofrem abusos, como os de poder.
São situações ruins, mas sofrê-las não significa que algo esteja errado. É diferente de depressão que surge sem razão específica. Não precisa acontecer algo terrível para surgir a depressão, que tem características biológicas. Ainda assim, a maior diferença não é o que acontece no cérebro. É o que ocorre dentro do contexto social.
Sempre há a pergunta, depois de quanto tempo a tristeza passa a ser um quadro preocupante? Não existe uma linha divisória definida. Podemos dizer que se uma tristeza dura mais de dois meses, algo pode estar errado. Mas não significa que não tenha solução. O que importa é que estão tratando quem levou um fora do namorado e não consegue se concentrar, dormir, ou comer direito, por ex., da mesma maneira que a alguém com sintomas que persistem por longos períodos.
Não tenho nada contra a utilização da medicação. A evolução da farmacologia é fantástica e nos auxilia , de forma incontestável, no controle e cura de várias doenças psíquicas. É preciso, somente, uma avaliação mais criteriosa.
E enquanto isso a(s) Ina(s) impera(m).
 

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