Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Sobre casamento

Outro dia fui a uma loja comprar um presente de casamento. Dei o nome dos noivos e a data à vendedora, para que me fornecesse a lista, e fiquei aguardando. A demora me intrigou e fez com que eu descobrisse que na mesma data haveria outros quarenta casamentos! São, só nessa loja, oitenta pessoas absolutamente diferentes concretizando o sonho de “serem felizes para todo o sempre”.
Fiquei pensando nos inúmeros casais que venho atendendo em minha clínica. Jovens que, há poucos anos atrás, estavam atribulados, estressados, mas também empolgados e excitados com todos os detalhes e decisões para o grande dia. Agora, estão no meu consultório porque não sabem mais o que querem em um parceiro. Nem sabem quem eles são e, sendo assim, como podiam saber naquela época com quem estavam casando?
Quando as pessoas se unem, é com a vivência/convivência muito mais estreita que passam a conhecer o outro, que as tensões crescem e aparecem. São duas pessoas, vindas de ambientes diversos, com personalidades diferentes, características próprias de expressar o que sentem e pensam que absorveram ao longo da vida com suas famílias originárias e de outros relacionamentos.
Com a chegada da rotina no casamento, torna-se possível conhecer a pessoa como ela é de verdade. Há a decepção da descoberta de que o outro não é como você imaginou, nem segue os mesmos princípios e nem tem os mesmos valores. Então, começam a surgir os problemas e inicia-se uma intolerância com relação aos defeitos do outro e fica mais fácil se separar, chutar o pau da barraca, juntar as trouxas e ir embora... Principalmente nesta contemporaneidade que impõe e valoriza, a todo instante e de várias maneiras, o fugaz, o descartável, a velocidade, a quantificação, a competitividade e o ter.
Uma coisa venho aprendendo sobre casamento. É como se submetessem a um teste. Descobrem quem são, quem a outra pessoa é e como se entrosam ou não, a cada dia e diante do varejo das situações que se apresentam. É fácil compreender isso, principalmente em fases de dificuldades. Já me perguntei se existe algum processo para saber se um casamento vai dar certo. As coisas não são tão simples assim. Quem dera! Aliás, seria este o presente que compraria para os noivos: um “Certificado de Garantia Para Todo o Sempre”. Como não há local para se comprar, existem algumas “normas” aplicáveis a amor e casamento que percebo que realmente funcionam:
Se não respeitarem a outra pessoa, vão ter problemas;
Se não souberem ceder aqui e ali, vão ter problemas;
Se não conseguirem falar abertamente sobre o que está acontecendo, vão ter problemas;
Se não tiverem um conjunto de valores em comum com a outra pessoa, vão ter muitos problemas. Os valores não precisam ser iguais, porém, semelhantes.
E sabe qual é o mais importante desses valores? Acreditar na importância do seu casamento! Todos os dias, meses e anos.
A vendedora finalmente retorna com a lista dos meus noivos e saio pela loja em busca dos objetos escolhidos por eles.
Regina Rozenbaum
Psicóloga/Psicanalista

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