Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

terça-feira, 21 de junho de 2011

DOROSA

Respirava e doía. Peito, ombro, braço esquerdo. Nada de formigamentos. Só o lado esquerdo. Não! Sabia que não era um enfarto. Já havia sentido – poucas vezes – esses mesmos sinais. Sintomas de agonia. Nada de morte súbita. Anunciada em doses homeopáticas. E sabia como doía. Dorosa era o diagnóstico. Dor amorosa.
Mas os amantes parecem querer tudo. De um lado, não abrem mão da paixão. De sentimento. Mas só esse, sairia na urina. É fugaz como o corpo que sente. E se impõe ao amante. Não queremos ser amados só por um instante. Nem como uma manifestação da natureza não deliberada ou endossada por quem sente.
Por isso, de outro lado, os amantes também não abrem mão da opção de serem escolhidos. Da autonomia da escolha. E da eternidade. E nada disso combina com sentimento. Tem a ver com amor prático. Com boa vontade, para quando o amor falta. Os amantes, então, querem tudo. Que amemos com paixão e liberdade. E por esperarem tanto, acabam não desfrutando do que têm.
Mas deixemos os amantes gananciosos. Interessa-nos o amor prático. Que é simulacro de amor. Simulação para a falta de sentimento. Não se trata de fingir. Mas de colocar a razão a serviço da vida. Uma vida que nem sempre é amável. Mas que vale a pena mesmo assim. Porque mesmo quando o amor falta, ainda nos resta uma valiosa boa vontade. De amar!(RR)
(Imagem: Karin Izumi)

17 comentários:

  1. Te confesso, minha amiga que nada sei desse amor prático...só sei do amor comilão, o quer tudo e muito...só sei amar assim, só sei querer assim e sentir assim, desmesuradamente...talvez, por isso, sofra em dobro, pois o mundo não é para os amantes, é para os práticos, beijos, ótimo texto!

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  2. RÊ AMIGA,
    O amor prático é uma espécie de amor residual, uma espécie de lastro, que fica após a inimitável experiência do amor.
    Aquele xião,
    J

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  3. Amor prático deve ser bom, a gente tem o controle de toda a situação... É?

    Mas diga aí só se esse troço existe, porque acho que o que transita por aí é o amor desmedido, meio sem noção, feito esse da frase do Cazuza.

    Sei não até quando vai a minha não tão valiosa nem boa vontade de amar.
    Tá rareando.

    Beijo!!!

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  4. Putz Rê, é exatamente nisso que acredito, que amor, não é só sentimento, mas acima disso, é razão e equilibrio, a paixão é desenfreada, louca, desmedida, mas o amor é senssato.
    as pessoas confundem sentimento e emoção com amor, o sentimento e a emoção são ferramentas do amor, conseguencias, não amor propriamente dito.
    O amor é uma decisão racional e inteligente.

    essa parte desse seu texto, define bem tudo em que acredito:

    Os amantes, então, querem tudo. Que amemos com paixão e liberdade. E por esperarem tanto, acabam não desfrutando do que têm.

    bjos Rê adorei o texto

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  5. às vezes, pode faltar o amor, mas quando falta a vontade de amar, aí a coisa fica ainda pior!
    Mas, o começo do teu post me assustou, pensei que você tivesse tido um treco mesmo!
    Abraços!

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  6. - Amor prático praticavam nossos antepassados - os pais decidiam com quem os filhos se casariam e pronto! Quando coincidia do amor-paixão acontecer entre esses casais, tudo ia bem. Do contrário...
    - Abraços, Rê.
    - PS: Não acredito em você.

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  7. Pois é.
    Vou ler de novo e depois te falo.
    Bjs.

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  8. Aí ...
    Bem sei do que falas.
    Sou meio doida ou posso dizer
    doida e meia. Gosto do amor desmedido, insano, inteiro...
    Mas já quis esse ai 'prático'!
    Até tentei mas consigo naummm..

    Prefiro me perder quantas vezes meu
    coração me permitir e aceitar....

    Um beijO querida minha
    Um abraço assim da maior
    importância minha..

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  9. bom passar por aqui. ótimos textos matei a saudade ouvindo esta linda canção. abraços. já estou seguindo lamarque

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  10. Pois é, Rêzinha, esse é o sofrer dos intensos, dos que mergulham, dos que se entregam de corpo e alma. Escolhas. Ainda assim, não conseguiria levar uma vida morna: ou tudo, ou nada. Complicado assim. Beijinhos, Angelinha

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  11. Dificil eu comentar..
    Sou casa a 20 anos. Amo meu esposo.
    Mas é uma amor tranquilo, companheiro..seguro..
    Não essa coisa louca e desmedita eu sentia qdo jovem..os impetos da paixão..
    O amor prático deixa de ser amor?
    Eu acredito que não..é até mais amor..é um amor maduro!
    Um bj..

    Ma

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  12. Acho que na minha idade, há mais desse amor cantado pelo Cazuza. Com o tempo, para alguns muda, para outros, os que conseguem manter o fogo da paixão atrelado ao amor, continua. Não sei muito desse amor prático, mas talvez fosse mais agradável o sentir a sentir qualquer outro. Se não for egoísmo, peço uma dose!

    Beijos Rê,
    Débora.

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  13. Sou pelo amor eterno, com sentimento, sem agonia, com liberdade.
    beijinhos RR

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  14. Olá, Regina!
    Boa vontade sempre e sempre - isso eu sei que não falta em você!
    Bjs!
    Rike.

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  15. Delícia de começar ouvindo Van Morrison, uma fera danada!
    Praticar é preciso.

    Bjs
    ______
    Querida estou postando semanalmente apenas.

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  16. Rêzininha....

    Já passei um bucado di veis aqui e não comentei...
    - Esse gonócio de amor num da certo cumigo naum... rss ( PASSO )!!

    Deusssssssskiajude
    Beijo
    Tatto

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  17. Que lindo texto Rê!
    Adoro esta música do Van.
    Haja sempre vontade de amar não é?
    A vida os outros mas também e talvêz acima de tudo ... amar nós mesmos.
    Bjs.

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