Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SEM CHORO, NEM VELA...

Antigamente dia de todos os santos e finados eram feriado. Aguardava-os com aquele entusiasmo de menina, que teria pela frente um fim-de-semana prolongado, sem colégio e as tais obrigações escolares. Bobagem. Chovia e estragava os planos de ir pro clube (coisa de mineiro) ou brincar na rua. Via pela TV aquela romaria pelos cemitérios da cidade e não compreendia. Chorar os mortos em saudades concentradas,num dia, nunca entendi. E ter local para as lágrimas, muito menos! Tirando esse, noves fora, as tais somem de nós?! Pois as minhas... carrego diariamente. Faça sol ou chuva. Hoje amanheceu um dia ensolarado. Perfeito pra ir ao clube, encontrar os amigos, fazer marquinha de biquíni virando na “esteira” (êta bobagem gostosa de lembrar) como um bife à milanesa! Se mamãe estivesse viva, sairia abrindo as portas dos quartos das filhas ordenando: o dia tá lindo, levanta, chega de dormir... Tá dormindo a sorte! É. Ela acreditava que a nossa sorte estava na vida a ser vivida e não dormindo. Enquanto escrevo, observo o céu mudando. As nuvens se aglomerando e tapando o sol. Talvez ainda chova nesses finados. Sem me importar com as alterações climáticas, vou ali... viver a VIDA. Mamãe vai gostar de sentir que sigo seus, sábios, ditames.(RR)

19 comentários:

  1. Sabe Re, a minha baixinha (era assim que eu chamava minha amadinha), quando já sentindo o fim do seu tempo conosco me chamou e disse:
    Filha, não quero flores no meu caixão e não te quero indo a cemitério pra cumprir calendário e dar satisfações familiares. Não faças isso.
    Obedeço!
    A saudade tá aqui comigo, o meu carinho transformo em oração.
    Bom feriado!!!
    beijinhos

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  2. Sábias palavras, Rê. Ir ao cemitério é algo que não faço: as pessoas queridas não estão ali. Saudades também sinto todos os dias, nem por isso preciso me debulhar em lágrimas. 2 de novembro? Apenas mais um dia dos 365 que fazem um ano. Viva a vida! Beijinhos, Angelinha

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  3. Regina Querida,

    Filhos que foram amados receberam tarefas de AMAR bem, como se pode ver lá no meu post, como se pode ver no teu e como se pode ver no comentário da Zizi (moça que nem conheço)!
    Filhos que foram realmente amados não precisam de data, nem local! Filhos que foram muito amados sabem amar sempre, como eu disse lá no meu post, fica apenas a doce lembrança!
    Na realidade eu não tenho nem um local certo para ir chorar, minha mãe como era seu desejo foi cremada e está onde queria, em um imenso canteiro de flores vivas!
    Como lá escrevi não foi chorando que a lembramos, foi planejando já o nosso Natal e daqui há pouco rumaremos ao Shopping tomar aquele cafézinho com torta!

    Beijinhosssssss e tenha um bom final de feriado com o restinho de sol.....

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  4. Essa tua é uma saudade já não sofrida, legal... Temos tantas! beijos,tudo de bom,chica

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  5. É tão bom te ler assim, com uma saudade gostosa, maior que a dor são as lembranças e os sábios ditames, né não?

    Poxa, a sorte vai embora enquanto dormimos? Agora entendo um cadim de coisa... Rsrs.

    Oh, tô falando, melhor vc ir aí onde vão meus pés, ou então teje presa, oxente!

    Beijo.
    Vá! (é um ditame burricida, e não sábio feito o de sua mamãe).

    http://petallarrosadinha.blogspot.com/

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  6. Pois é Rê, tb eu nunca compreendi esse dia reservado pra chorar os mortos. Subversiva, evadi-me dos cemitérios que oprimem minhas lembranças.
    Ponho flores simbólicas diante de um porta retratos daqui de casa, oro e me ponho a lembrar de coisas boas, saudosa sim, de momentos deliciosos partilhados. Mas a saudade vem é quando aperta o cerco e não tenho mais aquele ente pra recorrer, abraçar e chamar...e nesse momento sinto a falta, e dói. Não foi em finados que chorei de saudade...

    Tua mãe está feliz pela tua decisão.
    Bjo, amiga_mada!

    * Perdeu mesmo, mas tô bem já!

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  7. A saudade, as lembranças a gente traz dentro do peito não é? Não tem como esquecer quem amamos tanto. Quanto a ir ao cemitério vou sim, compro lindas flores amarelas e levo com carinho ao túmulo dos meus, sei que eles não estão ali, mas seus restos mortais sim. Me sinto em paz indo lá. Que você tenha um dia de paz e luz! Um grande abraço!

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  8. Olá!

    Quando ptquena, época em que me levavam ao cemitério, eu adorava por causa dos doces e só achava estranho o horrível cheiro de velas que não combinava com aquele momento que achava festivo.

    Sempre achei que o que fica, neste plano e para nós é sempre a saudade. No cemitério apenas a matéria transformada.

    Gosto de seus escritos. Inspiradores!

    Beijos!

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  9. "Pois aqui não dormem sonhos,
    "Só ossos jazem aqui."

    Feliz dia das doces saudades, amiga!

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  10. Rê, concordo com cada letra do que escrevestes, assim como a maioria dos teus comentaristas!
    Dei uma olhada no blog da Sandra, e também achei muito legal!
    Apesar de meus parentes falecidos não terem sido cremados, não creio que os locais onde foram depositados seus restos tenham algo a ver como que eles foram. Lá só existem ossos (se ainda existirem)!
    Deles, eu guardo somente as lembranças dos bons momentos que passamos juntos!
    Abraços!

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  11. No meu comentário, onde se lê:...como que eles foram,
    leia-se:...com o que eles foram.

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  12. Hj foi dia de praia para mim e marquinha de biquini amiga...
    Beijos querida!!
    °º✿♪♫
    º° ✿✿♫

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  13. Pobre das flores, que ficam lá abandonadas nos tumulos, enfeitando a morte, como se fosse possivel enfeitar a morte.
    Sacrificadas...
    Bjos achocolatados

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  14. Precisamos comemorar o dia da vida..
    que é todo dia.

    Não precisamos ir ao cemiterio para orar pelos nossos entes que ja se foram

    Fora o comercio de flores , de velas.. cada um querendo levar a sua vantagem..

    Celebremos então..todos os dias..a vida...bj

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  15. A saudade não tem dia marcado..anda connosco. Acho bonito ir "visitar" seus familiares, mas pq num dia específico? Acho horrível esse dia, de pura hipocrisia em que todos enfeitam e correm para o cemitério nesse dia. Só porque tem que ser..só porque podem falar....os nossos queridos carregamos connosco no dia a dia...aproveite o sol!;) eu assim fiz!!

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  16. muito interessante esse ponto de vista, sinto que é mais correto. Nada de choro, nem vela, quero uma fita amarela rs.

    pq não dá pra ter saudade com data marcada, não é assim.

    bom dia pra vc!

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  17. Engraçado ontem tava comentando isso com minha irmã, e tudo que vc escreveu caiu perfeitamente em nossos pensamentos, saudade é algo que carregamos no coração por todos os dias e não em apenas um só dia apenas para dar satisfação a sociedade que designou uma data para isso...Embora respeito demais a opnião de quem ache que é exatamente assim.
    Beijos Perfumados

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  18. Amiga linda, amei seu texto, tem muito da visão que tenho a respeito desse dia que é aclamado pelo choro sim, mas que não deveria ser, a não ser que o mesmo viesse embuido de saudade, de momentos vividos e jamais esquecidos que trazem ao nosso coração a certeza que estes entes tão amados já estão eternizados em nós..
    Bju grande minha flor..
    Cris
    PS: Tenho um texto antiiiiigo sobre isso, ou coisa parecida, vou tentar encontrá-lo e postarei.
    ;)

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  19. A minha saudade dos meus avós, que me criaram, também já é uma saudade que faz sorrir. Quando se faz bem o luto e se permite que eles partam, atinge-se este patamar, guardando, apenas, esta linda saudade...que cresce, sempre.
    beijinhos, Rê.

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