No consultório, é muito comum eu receber pacientes que dizem já ter feito terapia anteriormente. Quase sempre faço uma pergunta simples: “Qual era a abordagem do profissional?”
Na maioria das vezes, a resposta vem acompanhada de silêncio ou de incerteza. Mas essa é uma pergunta importante.
Todo terapeuta escuta a partir de uma abordagem teórica, que orienta a forma como ele compreende o sofrimento psíquico e as possibilidades de transformação.
Durante muito tempo, especialmente a partir da década de 1980, três grandes escolas marcaram fortemente a formação em Psicologia.
1. Psicanálise: Uma das correntes mais influentes no cenário clínico. Parte do princípio de que muitos conflitos que nos atravessam têm raízes no inconsciente. Entre suas ferramentas estão a associação livre e a interpretação, explorando sonhos, traumas e repetições que revelam sentidos muitas vezes fora da consciência.
2. Behaviorismo / Abordagem Comportamental: Foca no comportamento observável e nos processos de aprendizagem. Utiliza estratégias como reforço positivo e treino de habilidades para desenvolver novos padrões de resposta.
3. Abordagens Humanistas e Gestalt-terapia: Valorizam a experiência subjetiva, a autenticidade e o potencial humano. A Gestalt-terapia trabalha emoções e conflitos no aqui e agora por meio de técnicas vivenciais, como dramatizações e a chamada “cadeira vazia”.
Mais recentemente, consolidou-se também a 4.Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): que investiga a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, utilizando recursos como reestruturação cognitiva e experimentos comportamentais.
Não se trata de definir qual abordagem é melhor.
Cada uma oferece um caminho diferente de escuta e de trabalho clínico.
E, na prática, nem sempre uma mesma abordagem será a mais indicada para todos os momentos ou para todas as pessoas.
Muitas vezes, inclusive, faz parte do cuidado clínico reencaminhar o paciente para outro tipo de trabalho terapêutico.
Talvez, antes de iniciar um processo terapêutico, valha a pena fazer também esta pergunta: A partir de qual abordagem você gostaria de ser escutado?
E, se você já passou por terapia alguma vez, talvez outra pergunta também seja interessante: você sabe qual era a abordagem do profissional que te acompanhava?
