Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quinta-feira, 12 de março de 2026

Você sabe de onde seu terapeuta escuta o que você diz?

Antes de escolher um terapeuta, quase todo mundo olha o currículo.Pouca gente pergunta como aquele profissional escuta.

No consultório, é muito comum eu receber pacientes que dizem já ter feito terapia anteriormente. Quase sempre faço uma pergunta simples: “Qual era a abordagem do profissional?”
Na maioria das vezes, a resposta vem acompanhada de silêncio ou de incerteza. Mas essa é uma pergunta importante.

Todo terapeuta escuta a partir de uma abordagem teórica, que orienta a forma como ele compreende o sofrimento psíquico e as possibilidades de transformação.
Durante muito tempo, especialmente a partir da década de 1980, três grandes escolas marcaram fortemente a formação em Psicologia.
1. Psicanálise: Uma das correntes mais influentes no cenário clínico. Parte do princípio de que muitos conflitos que nos atravessam têm raízes no inconsciente. Entre suas ferramentas estão a associação livre e a interpretação, explorando sonhos, traumas e repetições que revelam sentidos muitas vezes fora da consciência.
2. Behaviorismo / Abordagem Comportamental:  Foca no comportamento observável e nos processos de aprendizagem. Utiliza estratégias como reforço positivo e treino de habilidades para desenvolver novos padrões de resposta.
3. Abordagens Humanistas e Gestalt-terapia: Valorizam a experiência subjetiva, a autenticidade e o potencial humano. A Gestalt-terapia trabalha emoções e conflitos no aqui e agora por meio de técnicas vivenciais, como dramatizações e a chamada “cadeira vazia”.

Mais recentemente, consolidou-se também a 4.Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): que investiga a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, utilizando recursos como reestruturação cognitiva e experimentos comportamentais.

Não se trata de definir qual abordagem é melhor.
Cada uma oferece um caminho diferente de escuta e de trabalho clínico.

E, na prática, nem sempre uma mesma abordagem será a mais indicada para todos os momentos ou para todas as pessoas. 
Muitas vezes, inclusive, faz parte do cuidado clínico reencaminhar o paciente para outro tipo de trabalho terapêutico.
Talvez, antes de iniciar um processo terapêutico, valha a pena fazer também esta pergunta: A partir de qual abordagem você gostaria de ser escutado?

E, se você já passou por terapia alguma vez, talvez outra pergunta também seja interessante: você sabe qual era a abordagem do profissional que te acompanhava? 

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