Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

PINK GLOVE DANCE


Fiquei sabendo que uma amiga, linda, jovem de 34 anos, se submeteu a uma cirurgia para a retirada de um "nódulo" de sua mama. Os médicos estavam preocupados com o que tinham visto nos exames de imagem e com o resultado anátamo-patológico: positivo para CA. Cirurgia marcada de urgência! C. não queria que soubéssemos, e essa atitude é muito comum por razões várias que, nesse momento, não interessam. Pois não é que quando abriram, aquilo que lhes preocupavam sobremaneira, lá não mais se encontrava? Quantas vezes ouvi o contrário: abriu e fechou por não ter mais o que fazer! Como nada acontece por acaso mesmo, recebi essa msg e resolvi postá-la. Como já escrevi anteriormente, independente de ter ou não algum familiar, amigo, enfrentando essa "maledita" doença, devemos propagar o que existe de tratamento, atendimento, alimentação, dignidade para enfrentar as batalhas. C. sente, mais do que sabe que, todos nós,  oramos não só por ela, mas por todas as mulheres e homens desse planeta, que enfrentam com raça, guerreiramente, essas batalhas, na GUERRA contra o câncer. Outra coisa: se vocês ainda não assistiram, sugiro que aluguem um filme (baseado na história real do Dr. Dennis Slamon e no livro Her-2!, ) de nome "Uma chance para viver" (Living Proof). Sinopse: Harry Conning Jr, (PS Eu Te Amo) estrela o papel principal e em um momento especial de sua carreira. Ele vive o Dr. Slamon, que após 12 longos anos de pesquisas e muitos testes, vê o uso de Herceptin, um tratamento revolucionário contra o câncer de mama aprovado para salvar vidas. Apesar desse vídeo ser de novembro de 2009, nunca é tarde... É divertido, e a causa é séria. Vejam! O clip mostra o pessoal do St. Vicente Medical Center (Providence, Oregon, USA) dançando para a conscienciatização do câncer de mama. Eles vão receber uma grande doação da empresa que produz as luvas cor de rosa, quando o vídeo no YouTube for visto milhões de vezes. O hospital fez esse clip com pessoal do seu staff e alguns pacientes. Assim vai receber uma determinada quantia, dependendo do número de visualizações. Quantia essa que se destina exclusivamente à obtenção de fundos para a pesquisa e tratamento do câncer da mama.

( Dedico essa postagem a todos os meus pacientes, familiares, amigos, conhecidos ou não, que enfretaram e enfrentam, nos quatro cantos desse planeta, essa GUERRA. A vocês, que me ensinaram e continuam a fazer, o meu OBRIAGADA e AMOR eterno. AMO VOCÊS DE VIVERRR!!!)

terça-feira, 6 de julho de 2010

EXPLICAÇÃO: SERÁ QUE TEM?

Desde ontem, bem tarde da noite, estou tentando responder aos comentários aqui deixados. É algo que gosto de fazer. Não sei o que está acontecendo com a "minha" internet banda larga (?) ou se é com o PC. Está mais para o que está escrito na imagem acima, do que para qualquer outra coisa. Além disso, em alguns blogs não tenho conseguido entrar nem fazendo malabarismo: "O internet explorer não pode exibir a página da web. Você pode tentar diagnosticar problemas de conexão." (mesmo aviso quando tento responder). Chego até pensar que não é para fazê-lo rsrs, mistério...
Eu mal tô dando conta de "diagnosticar", nos últimos dias, minha vida, que dirá esses mistérios da internet. Por enquanto não dá para chamar um PEUS para me ajudar, então aguardemos... E eu, bem, vou continuar no meu processo de evolução. Inté!

TEMORES

Eu tinha medo de ficar só
até que aprendi a gostar de mim mesmo. (já faz tempo)

Temia fracassar…
mas percebi que só fracasso se desistir. (não irei, mesmo que tudo e todos me digam para tal)

Eu tinha medo do que as pessoas pudessem pensar de mim…
até que percebi que o que conta realmente é o que penso de mim mesmo, com consciência, lucidez e humildade. (sei quem sou e tudo aquilo que fiz,faço e farei... deito a cabeça com tranquila consciência)

Eu temia ser rejeitado…
até que percebi ter fé em mim mesmo, que sou meu maior companheiro. (ELE me acompanha)

Eu tinha medo da dor…
até que percebi que o sofrimento só me ajuda a crescer e afasta de mim a arrogância. (dói muito, mas não posso e não quero parar de crescer)

Eu temia a verdade…
até descobrir que a verdade é um espelho quebrado em mil pedacinhos.
Ninguém é dono da verdade,
pois não tem mais do que um caco dela. (juntarei caco por caco, e um mosaico da vida farei)

Eu temia as perdas e a morte…
até que aprendi que as perdas não representam o fim, mas o início de um novo ciclo. (Rê/começar)

Temia o ódio…
até que aprendi que o ódio é um veneno que a pessoa toma pensando atingir o outro. (tôfora)

Eu temia o ridículo…
até que aprendi a rir de mim mesma. (palhacinha da vida)

Temia ficar velha…
até que compreendi que posso ganhar sabedoria a cada dia. (e que nunca estarei "pronta")

Temia ser ferida nos meus sentimentos...
até que aprendi que ninguém consegue me ferir sem minha permissão. (eu permiti)

Temia a escuridão…
até que entendi a importância da luz de uma pequena estrela. (e como uma só, bem pequenina, é capaz de iluminar)

Temia mudanças…
até que percebi as mudanças pelas quais tem que passar uma bela borboleta antes de poder voar. (liberdade dentro de mim)

Eu ainda tinha medo de ficar só.
Até que aprendi que a única pessoa que estará comigo em todos os momentos da minha vida sou eu mesma!
Vamos enfrentar cada obstáculo à medida que apareça em nossas vidas com coragem e confiança.
E não esqueça
Nunca desista de você!

(Autoria Desconhecida, apesar de inúmeras pesquisas.)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O QUE EU QUERO?

“O destino não é uma questão de causalidade é uma questão de escolha; não é algo porque se deva esperar, é algo a ser conquistado.” (William Jennings Bryan)



Essa é uma pergunta que ouço sempre de pacientes, amigos, familiares e de tempos em tempos de mim mesma. Nos últimos dois anos vira e mexe ela surgia dentro de mim e eu a afastava para bem longe. Para encontrar a resposta precisamos aprender a reconhecer a diferença entre nossos pensamentos e sentimentos. Nessa busca nos angustiamos. Angústia é o nome do afeto que não se engana. Você, ele, eu, o mais simples dos mortais é capaz de descrever – minuciosamente – aquele abafamento, aperto no peito que queima, sentimento incômodo de alguma coisa desconhecida que nos invade, comove e ao mesmo tempo nos move. Às vezes nos leva direto a um analista e devo dizer que é onde se deve ir quando esse incômodo persiste.
Lacan nos ensina que a angústia surge quando a falta falta, quando ficamos colados (superbonder mesmo) ao outro, de tal forma que nenhuma distância é possível e, portanto, nenhuma liberdade para desejar por si mesmo. Quando fazemos essa colagem, em bloco, com o outro, esquecemos nosso desejo e ficamos à mercê, nas mãos do outro. E aí como descobrir resposta à questão? Se ignorarmos nosso desejo poderemos ser manobrados. Caso não tomemos posse do que queremos, é fácil sermos conduzidos. Mas depois reclamamos.
O óbvio é a última coisa que enxergamos. Se a ponta do meu nariz está suja, fico estrábica, mas não conseguirei enxergar. Ou minha ida/coragem à frente de um espelho me mostrará, ou outro – que funciona como essa imagem especular – me anuncia, o que para todos (menos para mim mesma) já era denúncia. É assim com todo mundo.
Precisei me concentrar no que eu queria. Minha vida havia passado a ser um luta. E ela só se transforma nisso, quando lutamos contra ela. Há uma grande diferença entre luta e esforço!
Acordar... Afinal essa é a minha vida, mas enquanto não enfrentasse a culpa que me afligia – e a quase todo mundo na Terra – eu não poderia ser capaz de viver, trabalhar, amar de modo satisfatório.
A culpa transforma o amor em ressentimento e depois em ódio. Ela nos impede de sentir tudo o que fazemos bem. A culpa nos diz que sentir-se bem é errado. E depois se contradiz dizendo-nos que fomos tolos por não termos feito o que queríamos fazer. O tema musical é: “culpada porque fiz, culpada porque não fiz” e a melodia não é nada bonita.
Cheguei ao fim de uma determinada etapa da minha vida. Era tão óbvio que precisava resolver um assunto pendente que - minha decisão - não foi difícil de tomar. Demorou “somente” dois anos!
Clarissa Pinkola Estés escreveu algo - que muito me agradou - em Mulheres que correm com os lobos:
"Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca, e se ficamos quietos, o que buscamos nos encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por nós. Enquanto não chegue, nada faças. Descansa. Já tu verás o que acontece enquanto isto.”
E como aprendi com um amadíssimo meu: É VIDA QUE SEGUE...



domingo, 4 de julho de 2010

PRECISO DE ALGUÉM

Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odia-lo por isso.
Neste mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nesta coisa misteriosa, desacreditada, quase impossivel de encontrar: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja pouco para as suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo:
"Nós ainda vamos rir muito disso tudo"
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher o meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela... (Charlie Chaplin)
E posso ainda escolher, meu fazer, meu trabalho, meu AMOR!



SONHOS DE PALHAÇO

Ontem Marcos Mariano mininu amado, escreveu no seu comentário a letra de uma música que havia me esquecido, por completo. Fui atrás para ver/ouvir a versão sugerida por ele e rebobinando minha memória (que ultimamente anda atacadíssima pela Síndrome de P.I.A.) achei algumas e deixo aqui para o gosto e a idade do leitor. Como poderia ter esquecido de Antônio Marcos (compositor da música), Vanuza e cia ltda? Velhos tempos...










sábado, 3 de julho de 2010

CARA DE PALHAÇA, PINTA DE PALHAÇA...

Você já se sentiu um palhaço? Você já se percebeu - bem depois - que fez papel de palhaço? Um bobo da corte que diverte a todos, mas não recebe nada por isso? Ou melhor, recebe gargalhadas por te enganarem sejam com promessas, palavras, lágrimas, dores, declarações e falsas ações. E você bem ali, no centro do salão, ouvindo cada risada e paralizado, abobado, não consegue se mexer. Na cabeça só se perguntando: como vim parar aqui? Fui eu mesmo que me vesti assim? Não foi esse o script que ensaiei e nem essa a fantasia que me deram! Sozinho, no camarim, retira a maquiagem que alguém, artistica e sedutoramente lhe pintou. Não é necessário cremes, pois as lágrimas fazem essa função. Não se trata de rir das próprias burrices e trapalhadas que você mesmo faz... É chorar por acreditar, e nessa crença se deixar levar! Lembro de um trecho de uma música que minha mãe gostava de cantar:
Cara de palhaço
Pinta de palhaço
Roupa de palhaço
Foi este o meu amargo fim;

Cara de gaiato,
Pinta de gaiato,
Roupa de gaiato,
Foi o que eu arranjei pra mim.

Estavas roxa por um trouxa
Pra fazer cartaz,
Na tua lista de golpista
Tem um bobo a mais...

Peguei "emprestado" no blog http://blogvozesdeminhaalma.blogspot.com/ o seguinte poema para concluir essa grande palhaçada:

"Livro da vida, em meu Coração
Escrito com tinta Vermelha
Contém meus segredos
Mais ocultos e verdadeiros
Mas quem não tem um Livro
Escrito pelo Tempo da passagem da vida
Onde as horas são versos
Os dias são páginas
E os anos são capítulos
Onde cada aborrecimento, cada sofrimento
Nas páginas do Livro,
Borradas com lágrimas
Coloridas com sangue
Onde tudo que foi mal escrito,
Todo mal entendido
Pudesse apagar
Bem que gostaria
Mas não posso, não devo.
O que posso fazer é virar a página
Do Livro da Vida
E na seguinte estar
Escrevendo uma nova história
Pra novela continuar
E um dia terminar o enredo
Dessa história terrena, da divina comédia,
Da tragicomédia, de minha odisséia
Nesse mundo encerrar
Pra então fechar o Livro
E na Estante Divina
Esperar que um Grande Leitor
Observador e Justo
Possa minha história julgar..."









































sexta-feira, 2 de julho de 2010

BRASIL PERDEU! DE QUEM É A CULPA?

Por aqui estão todos tristes, decepcionados com a derrota brasileira. Vamos ter pela frente muita matéria publicada, inúmeros programas de TV analisando o ocorrido. Recebi, agorinha, esse texto do meu antigo professor de computação (hoje ele realizou seu sonho e é professor de Filosofia. Antes da computação já tinha sido engenheiro) que de um jeito simples, como bom mineiro que é, faz sua análise sobre a derrota. Pedro das "couve" ameiii!
"Toda vitória e toda derrota têm um sentido. Agora não é diferente. Me parece que devemos caminhar para uma correção de rumos em nosso futebol. O “movimento Dunga” foi importante para injetar disciplina e acabar com os estrelismos e falta de compromisso que pareciam reinar na equipe de 2006. Mas a coisa acabou despencando para alguns excessos que teremos que corrigir. Futebol não é guerra. A coisa tomou um rumo que ficou tudo muito sério, como se uma bomba atômica fosse explodir na cabeça de cada um caso perdessem a copa. Via-se na expressão tensa dos jogadores. Quem consegue jogar desse jeito? Ficou tudo muito pesado, como se a Pátria, a própria vida estivesse em jogo! Pô, pessoal, é esporte! Abaixa a bola um pouquinho!
Penso que o correto agora seria procurar um treinador no estilo Felipão, talvez até o próprio. Ele parecia conseguir aliar, com uma certa leveza, autoridade e diversão. Afinal de contas, futebol, antes de mais nada, é a nossa diversão número 1! Está certo que para uma equipe funcionar precisa de disciplina. Mas será que precisa de disciplina militar? E aqueles xingamentos todos? Aquela falta de esportividade! Está bem! Pode ser que eu esteja falando isso agora porque ele perdeu. Se tivesse ganhado o defeito viraria elogio. Mas é isso mesmo! Uma virtude, no caso a seriedade, o compromisso e a disciplina, em excesso, vira vício, e acaba comprometendo o resultado e você perde. Se você ganha é porque a coisa estava no ponto. Não estava excessiva. Tanto o descompromisso exagerado quanto a responsabilidade exagerada podem ser prejudiciais e minar um desempenho.
Algum grau de transgressão e alegria descomprometida são desejáveis no esporte. Afinal de contas o dia a dia já tem compromisso e responsabilidade que chegue! Precisamos de um pouco de fantasia, de alguém que chegue lá e marque um gol desconcertante, dê uma driblada pra cá e pra lá sem muito esforço e ainda saia rindo. Quando vi o Robinho fazer aquela careta como se estivesse possuído por uma fúria capaz de engulir o adversário e o Brasil tomou gol caí fora da sala. Hoje não vai dar... pensei comigo: o pessoal está nervoso demais!
Pedro Geraldo de Pádua
Professor
Torcedor do Galo.

O MISTÉRIO DO FUTEBOL

O prazer de acertar um chute no ângulo da goleira. Qualquer goleira. O que pode se comparar, na experiência humana? Ou na experiência humana de um brasileiro?
Começa quando a gente é criança. Quando qualquer coisa - até o corredor da casa - é um campo de futebol e qualquer coisa vagamente esférica é a bola. Se é genético, não se sabe. Um brasileiro criado na selva por chimpanzés, quando se pusesse de pé, começaria a fazer embaixadas com frutas, mesmo sem saber o que estava fazendo? Não se sabe.
Nenhum prazer que teremos na vida depois, incluindo a primeira transa, se iguala ao prazer da primeira bola de verdade. Autobiografia: sou do tempo da bola de couro com cor de couro. A oficial, número 5. Ganhei a minha primeira com cinco ou seis anos. Ainda me lembro do cheiro. Depois de ganhá-la, você ficava num dilema: levá-la para a calçada e começar a chutá-la, ou preservar o seu couro reluzente? Uma bola futebol de verdade era uma coisa tão preciosa que se hesitava em estragá-la com o futebol.
Futebol de calçada. O tamanho dos times variava. De um para cada lado a 14 ou 15 para cada lado. Duração das partidas: até escurecer ou a vizinhança reclamar, o que acontecesse primeiro.
Nada interrompia as partidas. Ninguém saía. Joelho ralado, a mãe via depois. Gente passando na calçada que se cuidasse. Só se respeitava velhinha, deficiente físico e, vá lá, grávida. Os outros não estavam livres de ser atropelados. Quem mandara invadir nosso campo?
Comparado com calçada, terreno baldio era estádio. E terreno baldio com goleiras, então, era Maracanã. As goleiras podiam ser feitas com sarrafos ou galhos de árvore. Não importava, eram goleiras. Um luxo antes inimaginável.
O prazer de acertar um chute no ângulo da goleira. Qualquer goleira. O que pode se comparar, na experiência humana? Ou na experiência humana de um brasileiro?
Todos estes prazeres passam - com o tempo e as obrigações, com a vida séria, com a barriga - mas o amor pelo nosso time continua. Confiamos ao nosso time a tarefa de continuar nossa infância por nós. Passamos-lhe a guarda dos nossos prazeres com a bola. A relação com o nosso time é a única das nossas relações infantis que perdura, tão intensa e irracional quanto antes. Ou mais.
De onde vem isso? Que tipo de amor é esse? Um mistério. Dizem que no fundo é uma necessidade de guerra. De ter uma bandeira, ser uma nação e arrasar outras nações, nem que seja metaforicamente. Psicologia fácil. Não explica por que a pequena torcida do Atlético Cafundó, que nunca arrasará ninguém, continua torcendo pelo seu time. Talvez o que a gente ame no futebol seja o nosso amor pelo futebol. Isso que nos faz diferentes dos outros, que amam o futebol mas não tanto, não tão brasileiramente.
Ou talvez o que a gente ame seja justamente o mistério.
(Mais uma do meu amado Luis Fernando Verissimo – Jornalista e escritor -Texto publicado no Jornal MARCA DA CAL, abril de 2007).





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quinta-feira, 1 de julho de 2010

HOMENS MADUROS

Já li, inúmeras vezes, crônicas, poemas, ensaios, sobre a mulher madura. Todos que me recordo - escritos sejam por homens ou mulheres - enalteciam de maneira, no mínimo, elegante os atributos, conquistas das que entraram na famosa faixa dos enta. Até hoje desconhecia, por completo, esse texto -  lindo - de Zélia Gattai, descrevendo o homem maduro. Dedico essa postagem a todos os homens maduros que passaram, estão presentes, e àqueles que entrarão em minha vida. AMO VOCÊS DE VIVERRR!
Há uma indisfarçável e sedutora beleza na personalidade de muitos Homens que hoje estão na idade madura.
É claro que toda regra tem suas exceções, e cada idade tem o seu próprio valor.
Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades, destacarei aqui uma classe de Homem que são companhias agradabilíssimas:
Os que hoje são quarentões, cinqüentões e sessentões.
Percebe-se com uma certa facilidade, a sensibilidade de seus corações, a devoção que eles têm pelo que há de mais belo: O SENTIMENTO.
Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloqüentes.
Sabem o que falam e sabem falar na hora certa.
São cativantes, sabem fazer-se presentes sem incomodar. Sabem conquistar uma boa amizade.
Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade, visão aguçada sobre os valores da vida, sabem tratar uma mulher com respeito e carinho.
São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser, de pensar e de viver.
Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais e mais emocionantes.
Homens mais amadurecidos têm maior desenvoltura no trato com as mulheres, sabem reconhecer as suas qualidades, são mais espirituosos, discretos, compreensivos e mais educados.
A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades maravilhosas deve-se a vários fatores: a opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades, formação própria e familiar, suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc...
Mas eu creio que em parte, há uma boa parcela de influência nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações da sua juventude, um tempo não tão remoto, mas que com certeza, não volta mais.
Viveram a sua mocidade (época que marca a vida de todos nós) em um dos melhores períodos de nosso tempo: Os anos 60 e 70. Considerados as “décadas de ouro” da juventude, quando o romantismo foi cantado em verso e prosa.
A saudável influência de uma época, provocada por tantos acontecimentos importantes, que hoje permanecem na memória, e que mudaram a vida de muitos. Uma época em que o melhor da festa era dançar agarradinho e namorar ao ritmo suave das baladas românticas. O luar era inspirador, os domingos de sol eram só alegria.
Ouviam Beatles, Johnny Mathis, Roberto Carlos, Antonio Marcos, The Fevers, Golden Boys, Bossa Nova, Marres Albert, Jovem Guarda e muitos outros que embalaram suas “Jovens tardes de domingo, quantas alegrias! Velhos tempos, belos dias.”
Foram e ainda são os Homens que mais souberam namorar: Namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, com respeito e com carinho, olhos nos olhos tinham mais valor... A moda era amar ou sofrer de amor. Muitos viveram de amor... Outros morreram de amor...
Estes Homens maduros de hoje, nunca foram homens de “ficar”. Ou eles estavam a namorar pela certa, ou estavam na “fossa”, ou estavam sozinhos. Se eles “ficassem”, ficariam para sempre... ao trocar alianças com suas amadas.
Junto com Benito de Paula, eles cantaram a “Mulher Brasileira, em primeiro lugar!”
A paixão pelo nosso país era evidente quando cantavam:
“As praias do Brasil, ensolaradas
No céu do meu Brasil, mais esplendor..
A mão de deus, abençoou,
Mulher que nasce aqui, tem muito mais amor...
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo...
Ninguém segura a juventude do Brasil... sil... sil... sil...”
A juventude passou, mais deixou “gravado” neles, a forma mais sublime e romântica de viver.
Hoje eles possuem uma “bagagem” de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência, que foram acumulando com o passar dos anos.
O tempo se encarregou de distingui-los dos demais: Deixando os seus cabelos cor-de-prata, os movimentos mais suaves, a voz pausada, porém mais sonora. Hoje eles são Homens que marcaram uma época.
Eu tenho a felicidade de ter alguns deles como amigos virtuais, mesmo não os vendo pessoalmente, percebo estas características através de suas palavras e gestos.
Muitos deles hoje, “dominam” com habilidade e destreza essas máquinas virtuais, comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos pois ainda se encontram com versos, rimas, músicas e palavras de amor. Nem lhes diminuiu a grande capacidade de amar, sentir e expressar seus sentimentos. Muitos tornaram-se poetas, outros amam a poesia.
Porque o mais importante não é a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias e sim os raros valores de suas personalidades.
O importante é perceber que os seus corações permanecem jovens... São Homens maduros, e que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de poder admirá-los.

Zélia Gattai Amado (São Paulo, 2 de julho de 1916 — Salvador, 17 de maio de 2008) foi uma escritora, fotógrafa e memorialista (como ela mesma preferia denominar-se) brasileira, tendo também sido expoente da militância política nacional durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinqüenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste. Aos 63 anos de idade, começou a escrever suas memórias. O livro de estréia, Anarquistas, graças a Deus, ao completar vinte anos da primeira edição, já contava mais de duzentos mil exemplares vendidos no Brasil. Sua obra é composta de nove livros de memórias, três livros infantis, uma fotobiografia e um romance. Alguns de seus livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo.
Anarquistas, graças a Deus foi adaptado para minissérie pela Rede Globo e Um chapéu para viagem foi adaptado para o teatro.(Fonte: Wikipédia)